<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434</id><updated>2012-02-01T23:51:57.550-02:00</updated><category term='aventuras'/><category term='contos'/><category term='viagens'/><category term='opinião'/><category term='amigos'/><category term='delírios'/><category term='família'/><category term='cotidiano'/><title type='text'>panndora</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>41</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-4499589056611592298</id><published>2011-11-20T15:19:00.001-02:00</published><updated>2012-01-14T21:50:39.560-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Pé na estrada de coração aberto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TeUIJ41x4nQ/TsmWJA9wRWI/AAAAAAAAAHw/ahR0aZcJCqo/s1600/%25C3%258Dndice.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://2.bp.blogspot.com/-TeUIJ41x4nQ/TsmWJA9wRWI/AAAAAAAAAHw/ahR0aZcJCqo/s320/%25C3%258Dndice.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;Nesse fim desemana um amigo que teve recentemente a oportunidade de viajar durante um mêspela Índia me falou encantado sobre sua aventura. Não se esquivou de falar dapobreza, dos contrastes sociais, do caos urbano ou dos pedintes. Sim, eleesteve lá e enxergou tudo isso. Mas a questão toda é essa: ele enxergou o país,a cultura, as pessoas, no sentido mais amplo que se pode conceder ao verbo"enxergar". Com doçura e generosidade me falou da receptividadeindiana, do convívio com a família onde esteve alojado, da espiritualidade que amenizaas adversidades e torna a vida mais leve. Ele estava tão feliz em seus relatosque se esqueceu de falar dos monumentos de Jaipur e do esplendor do Taj Mahal.Acho que visitou essas atrações, mas parece que não foi o que mais lhe valeu emsuas caminhadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Há muito tempo queesse tipo de percepção, dom, ou talvez somente bom senso, que alguns trazem emsi, outros desenvolvem com o tempo e tantos outros viverão a vida inteira sem ouvir falar, me desperta a atenção. Bom senso porque, no mínimo, mesmo que você tenhaganho de forma fabulosa toda a sua viagem num sorteio, num bingo ou afins, vocêestá gastando nela um artigo que não se compra e que não volta atrás: o tempo,o seu precioso tempo. Sobre ele só lhe cabe decidir se vai usá-lo bem ou mal,se vai se divertir ou se chatear, se vai crescer, expandir sua visão ehorizontes ou se vai se entediar e só deixar o tempo passar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Talvez tenhaatentado para isso em função de minha própria vivência. Eu cresci no estado doPará, cidade de Belém, considerada a metrópole da Amazônia, mas já estou hámais de dez anos morando longe do Estado. Minha origem geográfica quase sempredesperta muito interesse e curiosidade.&amp;nbsp; A vastidão de nosso país e asatraentes promoções turísticas para os destinos internacionais maistradicionais ou comerciais deixam a Amazônia no fim da lista de "lugares aconhecer" de quase todas as pessoas, se é que ela consta na lista. Sendo assim,o norte do Brasil é um mistério para a grande maioria. As perguntas são as maisvariadas, às vezes generalistas, algumas mais específicas e outras bemabsurdas. Pessoalmente, tenho o maior prazer em falar de minha terra, mas devoconfessar, não é para todo mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Belém é uma cidade&lt;i&gt;sui generis&lt;/i&gt; que já completou trezentos e noventa e cinco anos defundação. Uma aglomeração urbana às margens do rio Guamá e baía do Guajará,quase uma península fluvial. Todos os dias desembarcam no cais do Ver-o-Peso as maisdiversas iguarias trazidas das ilhas que rodeiam a capital, ilhas que conservama mata densa e exuberante. A metrópole tem uma história forte, com todos osingredientes da colonização brasileira. Lutas sangrentas entre colonizadores eíndios, missões jesuítas, carmelitas e outras, escravatura, a cabanagem - uma das três maiores revoltas populares da história do país - e os grandesciclos de prosperidade, como o da borracha, que levou à cidade riqueza, culturae um certo delírio de europeização, que lhe conferiu no período o título de Parisn’América. O clima é bem quente e úmido; os paraenses são alegres, receptivos emuito dançantes; a arquitetura histórica é abundante; as frutas são exóticas e a culinária capaz de encantarqualquer &lt;i&gt;gourmet&lt;/i&gt;. Resumindo, a história,a cultura e o patrimônio natural são enormemente ricos. Todos esses elementosestão ali, na cidade, impressos na paisagem urbana, nas nuances dos tons depele, no cheiro da comida, no movimento das águas, no som do balanço dasmangueiras ou no silêncio dos templos centenários, mas tem que querer ler acidade, enxergar, cheirar, sentir, ouvir. Não é para qualquer um. Ah, sim! Elatem um monte de problemas, não tenha dúvidas, e não os esconde. Belém transpirasua identidade, com suas qualidades e limitações, para quem quer realmenteconhecê-la e, pode crer, para quem quer, é um encontro especial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Parece bairrista,não? Pode ser, mas essa mesma disposição me acompanha nas mais diversas &lt;i&gt;trips&lt;/i&gt;. Claro, nem todas me comovem, pormaior que seja meu esforço de respirar o lugar, mas com freqüência tenho boascoisas para contar, e não preciso nem ir muito longe pra isso. Um bom exemplo sãominhas andadas pela Bahia. Em função do meu trabalho, por várias ocasiõespreciso viajar pelo interior do estado, muito de carro. Em algumas situaçõessão cidades com certo porte, em outras são lugares que escaparam de povoado. Pormais singela que seja a contribuição da excursão, na maior parte das vezes osaldo é positivo. Além disso, vamos combinar, que delícia são aquelas feirinhasde beira de estrada, com artesanato, frutas do local e especialidades que vocêsó encontra com aquela qualidade e aquele preço ali, só ali. Sem falar, éclaro, dos comerciantes, que tratam você como o evento do dia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Uma viagem podeter diferentes motivações. Pode ser planejada ou improvisada, ser um sonhoacalentado há anos ou um árduo compromisso, pode-se ir longe ou aqui do lado. Podeser também uma fuga, de problemas, talvez, e sendo assim, provavelmente nãocumprirá sua função. Pode transcorrer sem quaisquer sobressaltos ou ter imprevistosdiplomáticos, dissabores de fuso, de clima, altitude, idioma, cultura. Sejacomo for, quase sempre é um ato voluntário e dispendioso, que pode ser melhorvivenciado se reduzirmos a bagagem. Não falo de malas, cada um sabe de suas necessidades. Falo da bagagem das idéias pré-concebidas, dum formato muitorígido do que vai encontrar e experimentar. Não dá para aventurar-se pelo mundoprocurando em todos os lugares as nossas próprias projeções. A viagem pode até cumprircom louvor todos os propósitos pré-determinados, mas é muito bom estar livre degrilhões para flexibilizar, se necessário for, esses tais propósitos durante otrajeto, e permitir-se encantar com as surpresas que quase sempre nos esperamquando saímos de casa e colocamos o pé na estrada de coração aberto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-4499589056611592298?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/4499589056611592298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=4499589056611592298' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4499589056611592298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4499589056611592298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/11/pe-na-estrada-de-coracao-aberto.html' title='Pé na estrada de coração aberto'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TeUIJ41x4nQ/TsmWJA9wRWI/AAAAAAAAAHw/ahR0aZcJCqo/s72-c/%25C3%258Dndice.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-8121348457037956850</id><published>2011-08-08T11:08:00.011-03:00</published><updated>2011-11-02T19:45:57.751-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Serviços de cuidadora Kung Fu</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="background: white; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zfcBpa-FdLM/TrG52YJ9bqI/AAAAAAAAAHo/KU_b7SRB9yA/s1600/kung+fu+7.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-zfcBpa-FdLM/TrG52YJ9bqI/AAAAAAAAAHo/KU_b7SRB9yA/s1600/kung+fu+7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times; font-size: large;"&gt;Whooooau! I feel good, I knew that i would now.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times; font-size: large;"&gt;I feel good, I knew that I would now.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times; font-size: large;"&gt;So good, so good, Igot you.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Cantou o despertador tentando me convencer que eu estava morrendo de felicidade em acordar às cinco e meia da manhã. Tudo bem, a história era mais ou menos&amp;nbsp;a seguinte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Minha amiga Alida seria operada aquela manhã do outro lado da cidade e eu iria acompanhá-la. Não estava fazendo isso só porque há dois anos ela havia feito exatamente o mesmo por mim, mas, sobretudo, porque ela é uma grande amiga. Além disso, a danada tinha me feito uma proposta indecente do tipo “nós somos liberadas do hospital meio dia e você ganha atestado para o dia inteiro”. - Feito, “tô” dentro!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Saí de casa pouco depois das seis, peguei Alida e, como havia sido marcado, às sete horas em ponto nós estávamos na porta do hospital. Entramos, nos identificamos e ficamos esperando o atendimento. O hospital, do tipo &lt;em&gt;day hospital&lt;/em&gt;, era um brinco: claro, espaçoso, limpo, bem decorado, café expresso, TV a cabo&amp;nbsp;e aqueles lanchinhos de máquina. Era um pouco frio, mas em Salvador isso é uma qualidade maravilhosa. Aquilo ia ser uma moleza, um dia de lazer no meio da semana. Sete e dez, sete e vinte, sete e meia e nada. Ninguém nem olhou para nossa cara inchada de sono. Admito que não era exatamente uma bela visão, mas espera aí, por que mesmo que mandaram a gente estar aqui as sete? Finalmente, sete e trinta e cinco chamaram Alida e começaram o atendimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Mandaram a gente para um apartamento bem pequenininho, para ser mais exata: minúsculo. Enquanto a enfermeira preparava Alida, a pré-operada relacionava as minhas inúmeras possibilidades para aquela manhã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;- Você pode ler, dar uma volta no hospital, assistir TV na sala de espera, conversar com as enfermeiras... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;E eu pensando: - Meu Deus, isso é praticamente um Resort. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;E Alida continuava: - ...e ainda pode deitar aqui na cama e dormir até eu chegar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Nessa hora a enfermeira muito sisuda deu um salto e disse:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;- Não pode! A cama tem uma assepsia de preparação para receber o operado. O acompanhante não pode deitar de jeito nenhum. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Me assustei com tanta inflexibilidade e fiquei conversando com meus botões: - Tudo bem, não “tô” nem fazendo questão dessa cama dura mesmo. Fica com ela pra você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Prepararam Alida e pouco antes das nove levaram minha amiga para a sala de cirurgia. Sentei na cadeira, fiz um pensamento positivo para ela, abri o livro e comecei a ler. Li, li bastante. Depois de um tempo me arrumei de lado na cadeira, ajeitei a posição e &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;continuei lendo. Li mais um bocado e virei para o outro lado na cadeira. Li mais um tanto e a bunda já pedia socorro, sem contar o ar condicionado que, cá pra nós, devia estar meio desregulado, aquele frio não era normal. &amp;nbsp;Escorreguei o quadril no assento na esperança vã de, talvez, aquela peça de mobiliário insensível se compadecesse de mim e, milagrosamente, reclinasse o encosto. Mas não aconteceu. Também já me incomodava todo aquele tempo com os pés para baixo. Dei uma olhada para a cama e na mesma hora desviei o olhar. Nem pensar garota, lembra da assepsia da cama e da saúde de sua amiga, isso sem falar na enfermeira nazista. Olhei de novo e na mesma hora esqueci todos os pensamentos anteriores e só imaginei o conforto de minhas pernas para cima descansando sobre aquele colchão macio. Acho que não&amp;nbsp;tem problema colocar os pés aqui no cantinho. Botei as pranchas sobre a cama, relaxei e continuei minha leitura. Mas não demorou muito e começou o outro tormento. O frio era insuportável. Eu não tinha idéia que esse hospital funcionava como frigorífico clandestino nas horas vagas. O tempo passou e a posição estava confortável, mas não conseguia me concentrar na leitura porque o barulho do meu maxilar batendo de frio era ensurdecedor. Vou reclamar! Não, não vou reclamar! Será que o convite informava que o traje era esquimó completo? Eu não li. Levantei e comecei a investigar tudo no quarto, o objetivo era me movimentar. Abri o pequeno armário, estudei os objetos, a estrutura da cama, o controle das funções da cama e, quando não tinha mais nada para fazer, fui tomar um café lá fora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Voltei para o quarto e comecei a ler novamente com as pernas para cima. Aproximadamente onze e meia alguém mexeu na porta e eu dei um pulo em pé, morrendo de medo que a enfermeira fundamentalista islâmica me visse toda espalhada com os pés na cama. Mas não, era o médico. O Doutor era um velho conhecido, o mesmo que me operou dois anos antes e namorado de outra amiga. Conversamos e ele me deu excelentes notícias sobre a cirurgia. Logo Alida estaria no quarto (e eu pensando: nada de perna para cima de novo). Continuando, ele informou que entre doze e doze e trinta nós estaríamos liberadas. Liguei para os pais de Alida e tranqüilizei-os, tudo estava dentro dos conformes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Meio dia trouxeram a operada para o quarto. Ela estava bem, com boa aparência. Um pouco pálida, talvez, os lábios brancos, tinha uma touca na cabeça, usava aquelas batas de hospital e tinha nas pernas, operadas e rígidas, mais atadura que a mais caprichada múmia da dinastia de Tutankamon. É, pensando melhor, não tinha boa aparência. Mas isso não era o mais importante, a cirurgia tinha sido um sucesso. Estava acordada, mas um pouco grog ainda pelo efeito da anestesia. Então, perguntei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;- Como você está?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;- Ela balbuciou algumas palavras dizendo: - ... ... ... ...!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Não tenho idéia do que ela disse, mas não importa. Alida aos poucos foi recobrando a consciência e melhorando um pouco a fala. Logo depois entrou outra enfermeira, perguntou tudo, explicou tudo e no final saiu com essa:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;- Entre três e três e meia o anestesista deve passar aqui para liberar vocês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Pensei: - Ei, espera aí! Como assim “três e meia”? E toda aquela conversa de meio dia livre com atestado para o dia todo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Com toda a tranqüilidade argumentei: - Mas o médico esteve aqui e disse que até meio dia e trinta estaríamos saindo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;E a enfermeira respondeu: - Mas quem libera é o anestesista, quando termina o efeito da anestesia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Que ótimo, pela articulação da fala de Alida até meia noite a gente está em casa com certeza. A enfermeira saiu e eu não conseguia mais ficar sentada e não conseguia mais ler nem uma placa de trânsito. O que eu poderia fazer para passar o tempo? Pensa, pensa. Claro! Eu estava numa fase super puxada no treino de Kung fu, me preparando para o exame de faixa laranja, tentando treinar todos os dias. Aquele lugar era perfeito para praticar. Afastei os móveis para abrir espaço e comuniquei para Alida minha intenção. Ela arregalou um par de olhos imensos e tentou levantar o tronco, parecia mesmo entusiasmada. Então ela começou a falar gesticulando numa linguagem toda enrolada um monte de palavras que não entendi, mas tenho certeza que era qualquer coisa tipo “ótima idéia” ou talvez “que bom, vai ser maravilhoso para a gente se distrair”. Sendo assim, comecei a treinar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Iniciei com as defesas pessoais, passei para golpes e depois para o &lt;em&gt;kati&lt;/em&gt;, que no Kung fu é o equivalente ao &lt;em&gt;kata&lt;/em&gt; do Karatê. O kati tem que ser perfeito: técnico, plástico, cheio de energia. Reduzi o espaço das movimentações, mas tentava fazer os golpes corretamente. &lt;em&gt;Ha&lt;/em&gt;! &lt;em&gt;Siki&lt;/em&gt;! &lt;em&gt;Ik&lt;/em&gt;! Que são os &lt;em&gt;Kiais&lt;/em&gt;, aqueles gritos que a gente solta junto com os golpes. Acho que Alida estava empolgadíssima, porque ela não parava de se mexer a cada movimento mais brusco meu&amp;nbsp;e falar sem parar coisas que eu não entendia. Até que &lt;em&gt;Ha&lt;/em&gt;! Acertei o soro de Alida, que ficou balançando para um lado e outro puxando a agulha que estava enfiada no seu braço. Com o barulho que fez e o grito que Alida soltou, a primeira coisa que pensei foi na enfermeira bisneta de Conan, o bárbaro. Imaginei ela entrando pela porta com uma espada para me fatiar em centenas de pedaços. Depois lembrei que, talvez, Alida precisasse de socorro. Será que ela está bem? Tirando a poça de soro que fez embaixo do acesso da agulha e o fato dela estar um pouco mais pálida e quase sem sentidos, tudo parecia estar normal. Mas, por via das dúvidas, suspendi o treino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 115%;"&gt;Fomos liberadas às duas e meia, não sei por que. Levei Alida para casa e saí com a sensação de dever cumprido. Tudo havia sido perfeito. Quando cheguei em casa já eram quatro da tarde e eu estava quebrada daquela cadeira dura, de modo que não pude curtir muito as duas horas livres que me sobraram. Quanto&amp;nbsp;a Alida, ela saiu com atestado para quinze dias, mas já têm uns vinte dias que ela operou e ainda não voltou para o trabalho. Tenho pensado em passar uma dessas tardes&amp;nbsp;com ela, para distraí-la, acho que ela vai gostar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-8121348457037956850?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/8121348457037956850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=8121348457037956850' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8121348457037956850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8121348457037956850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/08/servicos-de-cuidadora-com-emocao.html' title='Serviços de cuidadora Kung Fu'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zfcBpa-FdLM/TrG52YJ9bqI/AAAAAAAAAHo/KU_b7SRB9yA/s72-c/kung+fu+7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-4562567009695106757</id><published>2011-05-10T17:48:00.006-03:00</published><updated>2011-09-16T11:10:59.799-03:00</updated><title type='text'>Amigo é tudo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-F1zYILptNiY/Tcmmme23DJI/AAAAAAAAAFk/0PW3mSw5q4A/s1600/amigos.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248px" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-F1zYILptNiY/Tcmmme23DJI/AAAAAAAAAFk/0PW3mSw5q4A/s320/amigos.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Rômulo: - Você está com alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Mais ou menos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Como é mais ou menos? O cara é mais ou menos? Os pegas são mais ou menos? Às vezes vocês estão mais, à vezes menos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Mais ou menos é "mais ou menos". Ó, quer saber, não vou dizer, não interessa pra vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eles - Lise e Rômulo - estavam determinados a saber da vida de Lana, dar opinião, encher o saco. É verdade, havia um "Q" de preocupação, de real interesse pelo bem estar da amiga que havia saído de um namoro longo há poucos meses e andava um pouco errante pelo caminho. Algo em torno 15% de preocupação sincera. Os outros 85% era pura falta de assunto, busca incansável por matéria de pirraça, procura frenética por um bom motivo para tirar sarro o resto do dia. No ambiente de trabalho, Lana estava sentada trabalhando no computador, rodeada pelos dois inquisidores que permaneciam em pé, numa posição ostensivamente intimidadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - "Tá" ou não "tá"? Ele é o quê? É um peguete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Nós estamos nos conhecendo, saindo para conversar, só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Saindo para conversar? Conversar o quê? Que tanto de conversa é essa? Isso é realmente uma coisa bem mais ou menos. &lt;br /&gt;Lana: - Pode esquecer, não vou&amp;nbsp;dar informações. Não passo recibo de jeito nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - E qual é o nome dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Não vou dizer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Então a gente conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Não, não conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - Então por que não diz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Porque eu não quero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Humm... grrrrrooooossssa! Mas, o que ele faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Não vou dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - Então ele não faz nada, é vagal, vagabundo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Pode ser que ele viva de renda ou more com a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Nada a ver, eu só não quero falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - Porque boa coisa não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Êêêê porre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Ele é um porre?&amp;nbsp;Ele toma porre? Amiga, alcoólatra não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Não, porre são vocês, ele é arquiteto, "tá" bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - "Tá" médio! Nós somos do ramo e bem sabemos que arquiteto não é lá essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: -&amp;nbsp;E&amp;nbsp;o nome, como é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Já falei demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Então o cara é velho demais, ou novo demais, ou é casado, ou pior, é ex-gay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Ou talvez eu seja reservada, ou não queira estampar minha vida num &lt;em&gt;outdoor&lt;/em&gt;, ou simplesmente não quero colocar o assunto em pauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - Se não tem nada pra esconder, qual é o problema? A menos que tenha pra esconder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - O nome dele é Nel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - Nel? O que é Nel? Nel não é nada. Não é nome, não é título. Pelo amor de Deus, isso é o quê? Ajuda, vai? Nel de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Nel é apelido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - Huuummm... vamos tentar. Nel arquiteto... arquiteto Nel.... Ele faz projeto? Constrói? Trabalha com arquitetura de interior? Se for arquitetura de interior, não dá outra,&amp;nbsp;o pitbull é Lassie. Olha, não estou lembrando de nenhum arquiteto "Nel" na cidade. Diz logo, qual é o ramo da arquitetura que ele atua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - A formação dele é arquitetura, mas na verdade ele trabalha como artista plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo: - AR-TIS-TA-PLÁS-TI-CO? Fala sério! Isso é profissão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Meu Deus, nem parece que estou conversando com duas pessoas de nível superior e razoavelmente, quero dizer, bem "razoavelmente" cultas. Artista plástico é profissão sim, e ele tem muito trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lise: - "Nel artista plástico", ainda não disse nada. O nome, diz o nome do Michelangelo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lana: - Para me livrar de vocês eu estou fazendo qualquer coisa. É Nel, Nelmar Forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de dois segundos os curiosos estavam sentados, cada um em um computador, investigando a vida do pretendente. Mais dez minutos e o relatório estava pronto. Levantaram no Google o nome completo, filiação, cidade de origem, endereço residencial e comercial, marca e ano do carro, todas as exposições e premiações dos últimos cinco anos e todas as inserções na mídia falada, escrita e "internautica". Investigaram a rede social no Facebook e Orkut. Por fim, descobriram um site que promovia seus workshops, migraram para o Excel e organizaram uma planilha detalhada de quantos alunos por workshop e quantos workshops por mês o sujeito precisaria dar para sustentar uma família de pai (o artista plástico), mãe (Lana), uma criança (que ela já tinha), dois jovens (filhos dele) e mais uma prole de uns dois pimpolhos que eles, juntos, providenciariam. Soma, divide, “noves fora” cai um seis, passa oito e... o resultado foi satisfatório. O rendimento era suficiente para manter um bom padrão de vida para a grande família. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rômulo e Lise: - Aprovado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Lana só pôde constatar: "amigo é tudo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-4562567009695106757?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/4562567009695106757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=4562567009695106757' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4562567009695106757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4562567009695106757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/05/amigo-e-tudo.html' title='Amigo é tudo'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-F1zYILptNiY/Tcmmme23DJI/AAAAAAAAAFk/0PW3mSw5q4A/s72-c/amigos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-953658786690808268</id><published>2011-04-01T16:24:00.004-03:00</published><updated>2011-07-18T11:49:27.169-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>O Milagre da Reprodução</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-TWHRz_1OF4c/TZYpcWPnGPI/AAAAAAAAAFg/Okqm3s04_TI/s1600/%25C3%258Dndice.jpeg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-TWHRz_1OF4c/TZYpcWPnGPI/AAAAAAAAAFg/Okqm3s04_TI/s1600/%25C3%258Dndice.jpeg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Muito bem, agora chegou minha hora e minha vez de contribuir de forma definitiva com a ciência, ampliando possibilidades para as teorias da "Geração Espontânea" e da "Origem das Espécies". Primeiramente devo informar que isso não nasceu numa vontade repentina e irresistível de escrever meu nome entre os grandes vultos da ciência. Não, não fiz planos, não tinha pretensões, mas de repente, não mais que de repente, a sorte me sorriu e me deu de presente a chance de observar bem debaixo do meu nariz a vida surgir e multiplicar-se sem pedir licença.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;O local foi o mais improvável possível: um departamento de projetos, com muitos computadores, algumas pranchetas, mesas e bastante papéis, como um ambiente de escritório, inóspito para o delicado florescer da vida. Trabalho lá. Na rotina diária, além do desenvolvimento de projetos, está o despacho de processos, o envio de CIs (Comunicações Internas), a resposta a ofícios, a troca de mensagens e arquivos via e-mail. Um sobrepor de atividades que envolvem muitas folhas de celulose. Minha mesa nunca foi um exemplo de organização, longe disso. Os papéis vão se acumulando na ordem dos mais urgentes e/ou importantes para os menos, até o dia que a situação fica insustentável e tenho que tomar uma atitude corajosa: arrumar a mesa. Foi logo após um desses raros momentos de coragem que algo chamou minha atenção. &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;As pilhas de papéis ficavam organizadas por categorias, um montinho só de processos, outro só de projetos, outro que agrupava CIs e ofícios, e outro unindo relatórios e notas técnicas. Nitidamente, de um dia para o outro, aparentemente durante a noite, os grupos que eram organizados com apenas uma categoria de documento permaneciam inertes, enquanto que os grupos que juntavam duas categorias cresciam a olhos nus. Estranhei, mas minha formação cartesiana não podia ficar somente no “achismo”. No fim do dia me posicionei em frente à mesa com o celular e, enquanto simulava fazer uma ligação, fotografei discretamente as pilhas de papéis de vários ângulos, sem que elas se dessem conta. No dia seguinte, cedo, logo quando cheguei, repeti as fotos. Fui para o computador, calibrei a escala das fotos e medi pilha por pilha. Não deu outra, os montes cresceram em média doze milímetros durante apenas uma noite.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Aquele fenômeno que acontecia sobre a minha tutela me tirou as noites. Tinha que haver uma explicação para tal aberração. Passada a inicial confusão mental fui me consultar com os moderninhos pais dos burros, o casal Wikipédia e Google, mas ainda estava muito raso. Parti para as revistas científicas e os clássicos da literatura especializada, passeando por Darwin, e então as coisas começaram a fazer sentido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Identifiquei que as pilhas que cresciam uniam sempre documentos do gênero masculino - reprodutores - à documentos do gênero feminino - matrizes. Ou seja, o ofício à CI, o relatório à nota técnica, e assim por diante. Bastante sugestivo. A primeira providência foi separar por gênero. Não se tratava de u&lt;span id="goog_1086460783"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1086460784"&gt;&lt;/span&gt;m ato de repressão ao amor livre, mas uma etapa de verificações de possibilidades num estudo científico, com algum prejuízo para as partes envolvidas, admito. Durante uma semana a interferência surtiu nítido efeito, o acúmulo da papelada não aumentou mais do que o normal esperado pela produção de trabalho. Na segunda semana três ocorrências puderam ser notadas. Número um: a movimentação dos documentos, com troca de posições e aproximação dos gêneros. Número dois: onde não havia possibilidade de aproximação entre os dois gêneros, iniciou-se um processo de auto fecundação com o gradual desenvolvimento do hermafroditismo. Número três: o retorno gradual do aumento das pilhas. Era a vida procurando seus meios. Numa ação mais insensata, fiquei até mais tarde no trabalho e na hora de fecharem a empresa me escondi entre mesas e cadeiras para observar durante a noite. Até altas horas estava tudo um marasmo tão grande que acabei cochilando. Lá pelas quatro da madrugada acordei com um ki-ki-ki, ká-ká-ká geral. Os documentos conversavam, sussurravam e riam entre si, como uma festinha em &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;petit comité&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;. Quando começou a fase do roça-roça e do nheco-nheco catei minha bolsa e parti a mil. Curiosidade científica tem limite, já tinha visto o necessário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Não havia mais dúvida, o chamego entre seres aparentemente inanimados era, sim, bastante animado. A mesma linha de raciocínio e associações poderia ser aplicada no crescente aumento do mobiliário em nossa sala. Já havia notado um certo galanteio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;dos armários para cima das mesas, mas não dei importância. Contudo, depois de entrar para o seleto grupo da comunidade científica não pude mais ignorar o fato. Da união aparentemente casual crescia a imensa prole de pequenos gaveteiros, e a família não parou por aí. O amor deles frutificou em inúmeras cadeiras, arquivos e mesinhas, tumultuando o trânsito pelo setor.&amp;nbsp;Um desavisado que chegasse lá&amp;nbsp;jamais diria tratar-se de um renomado centro de produção de projetos de arquitetura e engenharia. Outro dia eu estava no computador trabalhando quando ouvi o armário sussurrando no ouvido da mesa: "- Meu bem, temos que começar a pensar num depósito maior. Aqui nossas crianças não têm espaço."&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;smallfrac m:val="off"&gt;&lt;dispdef&gt;&lt;lmargin m:val="0"&gt;&lt;rmargin m:val="0"&gt;&lt;defjc m:val="centerGroup"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Enfim encontramos a verdadeira razão para o amontoado de móveis na sala e de papéis na minha mesa. E eu, que durante tanto tempo fui difamada e injustamente rotulada como desorganizada, malucada e descabelada enquanto tentava me achar nos tortuosos caminhos do meu canto de trabalho. Mas a redenção chegou e da escuridão da incompreensão saí para a luz do reconhecimento de minha significativa contribuição para a ciência. Não, não, não quero louros, quero apenas gozar da paz da certeza que só cumpri com o meu dever: observei, registrei e relato aqui, agora, para o mundo, mais um capítulo do maravilhoso milagre da reprodução.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/defjc&gt;&lt;/rmargin&gt;&lt;/lmargin&gt;&lt;/dispdef&gt;&lt;/smallfrac&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-953658786690808268?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/953658786690808268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=953658786690808268' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/953658786690808268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/953658786690808268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/04/o-milagre-da-reproducao.html' title='O Milagre da Reprodução'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-TWHRz_1OF4c/TZYpcWPnGPI/AAAAAAAAAFg/Okqm3s04_TI/s72-c/%25C3%258Dndice.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-5181843063361554439</id><published>2011-03-02T12:00:00.286-03:00</published><updated>2011-11-15T15:13:52.969-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Panndora Surfistinha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-QDiG1Iy0SRM/TrG0FTSK8bI/AAAAAAAAAHg/Q88Its8P1s0/s1600/surfista_5340_1024x768.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-QDiG1Iy0SRM/TrG0FTSK8bI/AAAAAAAAAHg/Q88Its8P1s0/s320/surfista_5340_1024x768.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;Definitivamente estou no ramo errado. Enquanto o blog da Panndora tem uns&amp;nbsp;trinta visitantes por mês e em média três ou quatro comentários, o blog da Bruna Surfistinha batia fácil quase duas mil visitas e comentários em poucos dias. O quê que ela tem que eu não tenho? Não responda! Eu mesma sou capaz de imaginar uma lista de atributos que a garota tem com os quais não fui agraciada pela natureza. Mas não é só isso, tem um ingrediente a mais. A primeira vista a&amp;nbsp;pimenta neste caso&amp;nbsp;parece ser&amp;nbsp;o tema central do blog. Um tema excitante, estimulante, perturbador, quente, provocante, ardente, condimentado, incendiador, "tá" bom, "tá" bom, me empolguei. Recompondo-me, o papo que rolava era sexo, não sei se "do bom" ou se "do bem", mas era sexo, e sobre sexo (ou sob, ou ora um, ora outro) todo mundo quer falar, ouvir, comentar, dar opinião, contar piada, contar vantagem, enfim, participar. Se o problema todo&amp;nbsp;for esse minha gente, os problemas acabaram. Para colocar um tempero nesse blog é só jogar o assunto na mesa. Mas será mesmo o sexo a verdadeira azeitona desta empada?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;Para&amp;nbsp;investigarmos as reais motivações que levaram os internautas a tornarem-se seguidores fiéis do endereço na web, vamos passear no&amp;nbsp;universo do&amp;nbsp;blog e analisar os visitantes lançando mão de algumas hipóteses aparentemente plausíveis diante do contexto apresentado no longa metragem da Surfistinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;Verificando friamente os relatos da profissional obstinada imortalizados na telona, vemos que nem todos seus associados buscavam nela a satisfação sexual. Sim, havia uma latente carência afetiva que a moça sabiamente soube detectar e tirar proveito, cumprindo com louvor todos os papéis que lhe eram atribuídos. Tudo bem, não podemos ignorar as ardentes horas de puro prazer, as surubas apimentadas e as festas de luxúria, mas isso era só um detalhe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;Da mesma forma aconteceu com o site. O endereço já tinha&amp;nbsp;algum sucesso baseado no tema sexo e nas horas ociosas de quem não tinha uma companhia real e palpável, e nada mais proveitoso para fazer. Mas o lance bombou mesmo quando sua idealizadora teve a grande sacada: começou a conferir estrelas -&amp;nbsp;&amp;nbsp;de uma a cinco -&amp;nbsp;por desempenho dos seus clientes.&amp;nbsp;Nada mais sedutor para a vaidade masculina, nada mais estimulante para o instinto competitivo dos machões. Se o cara era bem sucedido, ele acompanhava o site com empenho para saber se seria superado, por quem seria, como aconteceria coisa tão improvável, quando tal tragédia&lt;span style="color: orange;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;assolaria este mundo&amp;nbsp;e por quantos&lt;span style="color: orange;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;infiéis. Se era mal sucedido, acompanhava atentamente para achar pelo menos um coitado&amp;nbsp;que tivesse sido mais infeliz, afinal, ele não poderia ser o pior de todos, ah,&amp;nbsp;isso não mesmo. Considerando que a moça tinha em média quatro "visitas" &amp;nbsp;(visitas reais, físicas, ao vivo e a cores) por dia,&lt;span style="color: orange;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;perfazendo&amp;nbsp;vinte e oito por semana e cento e vinte por mês, e supondo que os seus clientes acompanhavam o comparativo de desempenho pelo menos 20 vezes ao mês, durante pelo menos três&amp;nbsp;meses depois de sua curta estadia com a garota, isso totalizaria, depois de três meses de atividades ininterruptas, uma média de 7200 de visitas no site ao mês. Ai que inveja mortal.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;Resumindo, detectamos mole duas motivações regadas de testosterona que garantiram o sucesso internáutico da musa e a transformaram na mais celebre rameira&amp;nbsp;brasileira de todos os tempos.&amp;nbsp;Caso o atento leitor não tenha intuído, atinado ou percebido, o sexo atuou em tudo como um pano de fundo, apenas o cenário, a desculpa que justificava tanto interesse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;Por absoluta sorte do leitor, inspirada nas sábias palavras da Surfistinha, "eu hoje não estou dando, estou distribuindo". Distribuindo sapiência para concluir que, baseada nas pertinentes hipóteses, inteligentes suposições e sábias conjecturas aqui abordadas, para incrementar os acessos a este endereço internáutico é necessário apenas alguns poucos recursos que mexam profundamente com a vaidade&amp;nbsp;masculina,&amp;nbsp;ou outros instintos e sensações que não são&amp;nbsp;necessariamente nobres, mas que podem ser igualmente - e tão facilmente - explorados, além, é claro, de muita, muita sorte.&amp;nbsp;Porque, como diz a pop guru Rita Lee, "&lt;i&gt;sexo é escolha, amor é sorte&lt;/i&gt;". Bombar na net também.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Helvetica Neue',Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-5181843063361554439?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/5181843063361554439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=5181843063361554439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5181843063361554439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5181843063361554439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/03/panndora-surfistinha.html' title='Panndora Surfistinha'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-QDiG1Iy0SRM/TrG0FTSK8bI/AAAAAAAAAHg/Q88Its8P1s0/s72-c/surfista_5340_1024x768.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-4169697997185592962</id><published>2011-03-01T17:30:00.004-03:00</published><updated>2011-11-02T20:23:43.365-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Eu e minha sandália</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-t8rguAaDYt4/TW1RwgabdUI/AAAAAAAAAFc/uumahW2BIXU/s1600/A99NCA0V4OITCAEEUOS3CAXMJ6K3CAK30JU6CA99O1N4CA9XCVU0CA4ZKOWJCA5PX66BCAVDPRR3CANEG3I3CA21XCZLCA7CQLUHCAZJF5HXCA6FTKQJCAMN7EK0CAUJNMWLCAM7NUGVCAL3YN1A.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" l6="true" src="https://lh3.googleusercontent.com/-t8rguAaDYt4/TW1RwgabdUI/AAAAAAAAAFc/uumahW2BIXU/s200/A99NCA0V4OITCAEEUOS3CAXMJ6K3CAK30JU6CA99O1N4CA9XCVU0CA4ZKOWJCA5PX66BCAVDPRR3CANEG3I3CA21XCZLCA7CQLUHCAZJF5HXCA6FTKQJCAMN7EK0CAUJNMWLCAM7NUGVCAL3YN1A.jpg" width="117" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Isso vai, isso não vai. Esse talvez, aquele com certeza não. Mas aquilo, que vai, é tão específico, e talvez seja melhor não ir. E aquele outro, que não vai, é tão lindo, que mal há em levá-lo para dar uma volta? Fazer a mala é sempre um tormento, um problema que nem mesmo a matemática avançada atreve-se a por mão. Mais uma vez estava eu em reviravoltas com a bagagem. A meta era uma malinha compacta para três dias em Goiás, com a família. Quando na arrumação descobri que a sandália que usaria no evento de sexta seria perfeita também para a festa de sábado, comemorei. Menos um trambolho para carregar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Já em Goiás, na sexta à noite, calcei a sandália e circulei encantadora por um teatro lotado. No dia seguinte, pela manhã, tive que calçá-la novamente, pois havia deixado a mala na casa da prima Paula, mas acabei indo dormir na casa do primo Junior, sem nada na mão. Quando enfim reencontrei minha bagagem e troquei de roupa, verifiquei que a parte da frente dos dois pés da sandália estava começando a descolar, um contratempo popularmente conhecido como "boca de jacaré". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ai, ai, ai, pensa rápido, pensa rápido. Eu só tinha aquela sandália para a balada da noite. Sejamos objetivos, haviam duas opções. A primeira: sair e comprar outra. A segunda: improvisar. Veja bem, não era qualquer sandália, existia uma certa empatia entre nós. Éramos amigas há aproximadamente dois anos, mas só havia lançado mão de seus serviços umas cinco vezes. Tratava-se de uma charmosa sandália preta de salto alto&amp;nbsp;e de boa marca que, sem querer fazer merchandising, direi apenas que começa com "A" e termina com "rezzo". Então pensei: é uma boa menina e o problema é um detalhezinho de nada. Resolvido, opção improvisar! Vou sair, comprar uma daquelas colas que colam tudo e não largam de jeito nenhum e, quando voltar a Salvador, levo no sapateiro para os reparos necessários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Colei os dois pés do calçado e considerei o assunto encerrado. À noite, já toda pronta com um pretinho básico, calçava minha linda sandalhinha quando uma das tiras, sem qualquer comprometimento com nosso compromisso, soltou na minha mão. Espera aí, acho que esta&amp;nbsp;figura não está entendendo muito bem a situação. Alooouuu!!!! Às dez horas da noite não existe plano "B", e não havia chance de folga, day off, compensação e etc., era ela ou ela mesma. Catei a cola e mandei ver na tira desnaturada. Por via das dúvidas, levei a cola na bolsa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A festa era um baile de máscaras para comemorar os quarenta e cinco aninhos da tia Ângela. Minha tia estava feliz, o salão estava lindo e os convidados animadíssimos; e o que era bom, prometia ficar ainda melhor com a chagada da banda. Enquanto isso, ia dançando timidamente ao som do DJ, beliscando algumas iguarias e bebericando um espumante, para entrar no clima. Numa dessas, retornando à mesa, senti as passadas em falso. Olhei para baixo e constatei que em um dos pés a frente e a lateral tinham descolado e largavam para trás um discreto rastro de pedacinhos de sola. Hé, hé, disfarça! Olhei em volta para ver se alguém acompanhava a cena e acelerei o passo até a mesa. Com toda a calma tirei a pequena e operei uma restauração com precisão cirúrgica, um mosaico com cada pecinho em seu lugar. Enquanto desenvolvia o trabalho manual, ia conversando com ela. Usei toda a minha eloqüência para explicar o seu papel naquele momento, sua importância e responsabilidade, e enchi sua bola exagerando sobre seus atributos físicos. Falei emocionada como um treinador numa preleção antes do jogo decisivo. Dez segundos segurando e pronto: a sandália estava nova mais uma vez. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Voltei para o movimento e a farra só esquentava. Estava totalmente a vontade e entornava o espumante como há tempos não fazia. Quando a banda começou a tocar seus roques nacionais e internacionais a festa bombou e o salão ficou cheio de gente alucinada cantando e dançando. A bagunça era ótima. Eu pulava, dançava e cantava a plenos pulmões, abusando do meu inglês que fica fluente depois de várias taças. Nessa hora, justamente no melhor de tudo, aquela filha de uma rapariga da minha sandália acha de desmontar. Não tive dúvida, corri para a mesa e sem descalçar esvaziei o tubo de cola em cima dela sem dó nem piedade. Novamente, dez segundinhos e pronto. Pronto? Pronto o quê? Meu pé colou! Ai meu Deus! Puxa dali, empurra daqui e nada, a sandália grudou como uma sangue-suga faminta. Gritei meu irmão Renato, que estava por perto, e pedi a presença do primo Junior, o médico da família. Reunida a junta médica, o diagnóstico foi proferido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;- Você está ferrada! Isso só no hospital!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Quer saber, se o destino nos uniu, então vamos relaxar e aproveitar. Voltei para o salão e dancei como se nada tivesse acontecido. No início, pareceu que seria uma união feliz, mas aquela sandália era bipolar. “Tô” bem, “tô” mal. “Tô” bem, “tô” mal. Quem agüenta? A desgrama começou a desintegrar. Eu não disse descolar ou desmontar, eu disse de-sin-te-grar. Naquela altura, somente um exorcismo dos mais ortodoxos poderia expulsar do corpo da sandália o espírito maligno que a assediava. Haviam pedaços seus por todo o salão e não tinha mais como disfarçar ou fingir que não era comigo. Nossa tumultuada relação estava na boca do povo. Onde eu ia, lá iam atrás de mim funcionários do buffet com aquela vassoura grande de fazer faxina por atacado, varrendo os fragmentos que deixava para trás. A louca se desfez toda mas não largou do meu pé, premonizando que a separação seria traumática. Não obstante os contra-tempos, ficamos até o fim da festa. Em casa, tentei soltar com água quente, acetona e todas as receitas que me deram. Sem sucesso, me resignei e dormi coladinha com ela. Na manhã seguinte, a prima Paula me libertou cortando a pele presa com uma tesourinha. O que sobrou da desvairada foi para o lixo sem lamentações. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Mais tarde, no almoço que comemorou o aniversário do papai, comentávamos a odisséia quando tia Gê lembrou outra história. Uns dezoito anos atrás, no casamento da tia Ângela (novamente a tia Ângela), agredi com uma faca de cozinha uma sandália que estreava naquela noite. A agressão não foi despropositada, a sandália me provocou a noite inteira&amp;nbsp;esfolando meu calcanhar. Mas a lembrança me levou a concluir: festas da tia Ângela e minhas sandálias são incompatíveis. Na próxima, engesso o pé.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-4169697997185592962?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/4169697997185592962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=4169697997185592962' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4169697997185592962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4169697997185592962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/03/eu-e-minha-sandalia.html' title='Eu e minha sandália'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-t8rguAaDYt4/TW1RwgabdUI/AAAAAAAAAFc/uumahW2BIXU/s72-c/A99NCA0V4OITCAEEUOS3CAXMJ6K3CAK30JU6CA99O1N4CA9XCVU0CA4ZKOWJCA5PX66BCAVDPRR3CANEG3I3CA21XCZLCA7CQLUHCAZJF5HXCA6FTKQJCAMN7EK0CAUJNMWLCAM7NUGVCAL3YN1A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-827335116843661597</id><published>2011-02-23T15:47:00.005-03:00</published><updated>2011-03-01T17:39:48.541-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Será que ele liga?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-FtVvAEHxCRc/TWVViDeIigI/AAAAAAAAAFY/TIPdvaVrGdA/s1600/the-suicide-of-dorothy-hale-1938_39.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" j6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-FtVvAEHxCRc/TWVViDeIigI/AAAAAAAAAFY/TIPdvaVrGdA/s400/the-suicide-of-dorothy-hale-1938_39.jpg" width="332" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;O suicídio de Dorothy Hale - Frida Kahlo&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;i&gt;Ah... l’amour&lt;/i&gt;. O início de um amor é tão mágico que uma simples pernada até à padaria para comprar o pão da hora, ganha ares de um passeio às margens do Sena, sob a luz da lua, ao som de La Vie en Rose. E o nosso amado, o tão cobiçado objeto de desejo? Aos nossos olhos esse é irretocavelmente perfeito, agraciado com prendas e encantos sem paralelos na esfera terrestre. Não é fácil para um mortal segurar a pressão. Cada detalhe, cada gesto nosso é importante e pode selar definitivamente a sorte do romance. Na empreitada de fazermo-nos dignos de tal graça, vale tudo: camuflar, florear, exagerar, entre outros baixos subterfúgios, todos os recursos possíveis para nos aproximar dos moradores do Olimpo e sermos merecedores de sua atenção. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large;"&gt;Nesse embalo, lá estava eu, na ansiedade de um quinto encontro, preparando minuciosamente cada detalhe. O cabelo, a maquiagem, as unhas, a roupa, o sapato. Apesar de gastar em média vinte minutos com cada item, tudo tinha que parecer despretensioso e casual, tipo: "só tive tempo de tomar banho e vestir qualquer coisa". A programação era um cineminha, um filme de terror, e nada poderia ser mais propício como desculpa para apertar ele todo e me encolher protegida por seus braços.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large;"&gt;Tanta preparação não podia dar em outra: chegamos atrasados. O filme já havia começado há uns dez minutos e entramos na sala com as luzes apagadas. Um filme de terror, por si só, já inspira concentração e tensão. Um filme de terror com a chancela de Anthony Hopkins, por sua vez, remete a aficionados apreciadores da sétima arte. Nesse contexto, subimos as escadas correndo, eu um pouco a frente. Quando encontrei uma fila com dois lugares, parei e virei subitamente, cento e oitenta graus, ficando de frente para ele e para a tela. Mas o freio não estava lá muito em dia, e o eixo, um pouco desalinhado e desbalanceado pelo desgaste do tempo. Como conseqüência, perdi o equilíbrio e fui caindo lentamente, tentando alcançá-lo com a mão. Não alcancei e caí de bunda sem conseguir segurar o riso, com lampejos de gargalhada. Conseguimos logo na entrada quebrar o clima que o diretor do filme levou mais de um ano para construir. Sentados, ele, para minha surpresa e espanto, com a cara mais limpa, pediu ao desafortunado vizinho de cadeira que relatasse detalhadamente todos os acontecimentos da fita até aquele momento. Coitado do vizinho, ninguém merece. Será mesmo que isso é uma prática comum no distante Olimpo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large;"&gt;Saímos do cinema e fomos comer um sushi na praça de alimentação do shopping. Meu filme estava queimado com a queda, mas eu ainda tinha a noite inteira para remediar a situação e parecer uma deusa. Sentamos e o papo foi rolando entre cinema e arte, num nível de erudição e cultura totalmente incompatível com uma loura. Aprofundando as questões surgiu Frida Kahlo e seu estilo inconfundível de retratar fatos de sua vida e acontecimentos de seu tempo, quando comecei a descrever uma de suas obras. A obra foi encomendada por uma conhecida editora de revista da época, que pediu a Frida que pintasse um retrato de sua amiga que havia se suicidado recentemente pulando de um edifício. Frida, com a sutileza que lhe é peculiar, pintou como pano de fundo a mulher caindo do alto do prédio, e no primeiro plano, a suicida desfalecida no chão se esvaindo em sangue. A dona que encomendou o quadro achou uma aberração e não quis nem saber da tela. Eu, por minha vez, empolgadíssima com a vida (ou a morte) da obra, tentando descrever a queda com realidade, fui pendendo o corpo para a esquerda, lado oposto ao dele, até que perdi o controle e, pasmem, caí junto com a cadeira, eu e a cadeira com as pernas para cima. A cadeira teve um comportamento impecável. Ficou constrangida e calada, e agiu como uma dama num momento de infortúnio. Eu, é claro, ri, sem conseguir parar, sem conseguir levantar. Ele, primeiro sorriu, para mostrar a todos que assistiam que tudo estava bem, depois, vendo que eu continuava estatelada no chão, levantou-se para me erguer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif; font-size: large;"&gt;Não preciso nem dizer, era fim de linha para mim. Com essa compostura eu seria &lt;i&gt;persona non grata&lt;/i&gt; até mesmo num churrasco na laje. Terminamos o sushi e fomos embora. No trabalho, quando contei entre risos as aventuras do fim de semana, os amigos propuseram logo um bolão, apostando se ele ligaria novamente ou não. A imensa maioria das apostas era para "não liga". Ai que drama, drama, acabei com todas as minhas chances de entrar no Olimpo pela porta da frente. Contudo, contrariando todos os prognósticos e para a surpresa geral, ele ligou. Tem maluco para tudo nesse mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-827335116843661597?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/827335116843661597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=827335116843661597' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/827335116843661597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/827335116843661597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/02/sera-que-ele-liga.html' title='Será que ele liga?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-FtVvAEHxCRc/TWVViDeIigI/AAAAAAAAAFY/TIPdvaVrGdA/s72-c/the-suicide-of-dorothy-hale-1938_39.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-7470437409865323876</id><published>2011-02-09T12:01:00.011-03:00</published><updated>2011-03-11T17:14:24.083-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Representantes de quem?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TVLJ7XRwCjI/AAAAAAAAAFQ/9-FlaY6Bxt4/s1600/images+%252818%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TVLJ7XRwCjI/AAAAAAAAAFQ/9-FlaY6Bxt4/s1600/images+%252818%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Diz a sabedoria popular que um Governo é o espelho de seu povo. Numa democracia então, que elege seus representantes pelo voto direto, este dito deveria encontrar sua expressão máxima. Faz sentido. Em geral, buscamos afinidades na seleção de nossos representantes, seja de ideologia, propostas ou interesses. No Brasil, em especial, esta seleção ocorre muito mais focada nos candidatos, seu carisma, vida pregressa e promessas, do que nas legendas que representam, ignorando inclusive toda a bagagem associada aos partidos que os lançam.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Contudo, quando vemos na mídia a sucessão de escândalos de corrupção protagonizados por nossos representantes políticos, ignoramos o dito popular e somos realmente capazes de nos indignarmos, nos revoltarmos, como quem pensa: "quem colocou esse cara aí?" Mas pára por aí. Efetivamente não fazemos nada. Raramente levantamos o bumbum da nossa confortável poltrona para acionar Ministério Público, processar, protestar, bater panelas ou seja lá o que for para mostrar que não foi para isso que eles foram eleitos e que aqueles caras não nos representam; e o mais grave de tudo, não raro re-elegemos o "tal" cara.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Por vezes caímos na armadilha de nos conformar alegando que um povo que é capaz, entre outras coisas, de subornar ou tentar subornar quando é pego cometendo infração, de violar com desenvoltura a lei do silêncio, que faz das calçadas a extensão de sua propriedade, que faz "gato" de luz, de água, de tv a cabo,&amp;nbsp;e que topa qualquer coisa para furar uma fila, não pode esperar outra coisa. E no trânsito, nosso "calcanhar de Aquiles", sem cerimônia se estaciona em vagas exclusivas para deficientes, trafega-se pela direita nos acostamentos para fugir do congestionamento e dirigimos após consumir bebida alcoólica. Parece muito fácil concluir que esse povo merece os governantes que tem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Realmente não são atitudes nobres. Na verdade&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;são&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;irresponsáveis, egoístas, individualistas e nada, absolutamente nada, corretas do ponto de vista ético e social. Por vezes a justificativa e a absolvição vêm de uma&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;explicação de linha sociológica questionável&amp;nbsp;que associa a preguiça e falta de iniciativa à herança indígena, a esperteza e a pouca vontade de pegar no pesado à herança portuguesa, e a indisciplina e malemolência à herança africana, atribuindo a este coquetel molotov grande parte das mazelas de nossa sociedade. Que ótimo, parece que só herdamos o pior de cada um. Só esquecemos de mencionar que trata-se do pior de cada um revelado no pior contexto histórico possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Muito bem, os últimos acontecimentos na região serrana do Rio de Janeiro revelaram um outro cenário. As chuvas e enchentes que provocaram desmoronamentos e devastaram cidades como Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, com um saldo, até então, de mais de setecentos mortos e milhares de desabrigados, provocou nesse mesmo povo uma reação solidária que se alastrou como epidemia, amplamente divulgada na mídia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Da preguiça e da falta de iniciativa herdadas de nossos antepassados índios, vi&amp;nbsp;gente levantar bem cedo no sábado e domingo, seus dias de folga, e encarar duas horas de transporte público para, ao chegar, passar o dia separando e embalando doações até altas horas da noite. Da indisciplina adquirida dos escravos africanos vi uma divisão de trabalho organizada com funções definidas para cada faixa etária, possibilitando a participação de todos. Da malemolência, ainda raiz africana, vi corpos incansáveis, parceiros voluntários nas buscas e resgates dos bombeiros. Esperteza portuguesa vi sim. Vi um anônimo muito esperto ligado quarenta e oito horas seguidas ao lado de um rádio amador para receber pedidos de socorro, encaminhar os pedidos e prestar assistência. Vi, então, que as ações ou falta de ações governamentais que potencializaram os efeitos desta tragédia natural não encontram reflexo na sociedade civil que elegeu esse mesmo governo, e, por fim, concluí: nossos representantes políticos, definitivamente, não parecem representar essa nação. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-7470437409865323876?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/7470437409865323876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=7470437409865323876' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7470437409865323876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7470437409865323876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2011/02/representantes-de-quem.html' title='Representantes de quem?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TVLJ7XRwCjI/AAAAAAAAAFQ/9-FlaY6Bxt4/s72-c/images+%252818%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-7589289498924929899</id><published>2010-12-25T22:13:00.010-03:00</published><updated>2011-05-05T16:30:21.313-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Onde vende o espírito de Natal?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wu47VNMsA4w/TWUIOBK6d0I/AAAAAAAAAFU/9UPuwpVyk44/s1600/papai_noel_praia11406.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="208px" j6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-wu47VNMsA4w/TWUIOBK6d0I/AAAAAAAAAFU/9UPuwpVyk44/s320/papai_noel_praia11406.jpg" width="320px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Acordei oito e meia&amp;nbsp;a fim de&amp;nbsp;ter tempo suficiente para tomar café da manhã com calma e me arrumar. Era o dia vinte e três de dezembro e precisava estar pontualmente às dez horas da manhã na entrada do estacionamento do shopping, exatamente a hora que abria, para encontrar facilmente uma vaga de estacionamento&amp;nbsp;e ter tempo suficiente para comprar tudo até uma da tarde. Na minha lista de presentes de Natal haviam vinte e duas pessoas. Para alguns, era apenas uma lembrança; para outros, amigos secretos, os presentes tinham faixa de preço pré-determinada; e outros, estes muito especiais, os presentes precisavam ser igualmente especiais. Considerando que tinha três horas para a empreitada e vinte e duas pessoas para presentear, tinha então oito minutos e alguns segundos para cada presente. Entendam, quero dizer menos de nove minutos para procurar, avaliar, decidir, pagar e embrulhar lindamente cada regalo. Era praticamente um desafio olímpico, um pentatlo natalino. Tudo bem, eu estava animada e o astral estava ótimo. Muito nova assimilei com convicção o toque de sabedoria de Lewis Carroll, compartilhado em "Alice no país das maravilhas", e não raro costumo acreditar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã. Vamos às compras!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Na entrada do estacionamento já havia uma pequena fila, mas consegui entrar rapidamente e estacionei sem maiores problemas. No shopping, o movimento crescia visivelmente a cada minuto. Naquele ritmo, antes das cinco da tarde o prédio já teria explodido pressionado pelo acúmulo de milhares de corpos querendo ocupar exatamente o mesmo espaço no universo. Alguns presentes surgiam como mágica, um verdadeiro milagre de natal, enquanto outros escondiam-se como o diabo foge da cruz. Cada nome riscado na lista era comemorado como um prêmio num sorteio. Mas o tempo estava passando, e passando bem rápido, e ainda haviam tantos nomes. Meu otimismo estava cada vez mais tímido e o desespero já mandava torpedos pelo celular. Das oito lojas que entrei, seis tinham fila para pagar. Resolvi, então, trabalhar por atacado e numa única loja escolhi cinco presentes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Na fila, que era bem grande, teria tempo suficiente para re-avaliar a lista, fazer algumas ligações, planejar o dia e descansar. Como disse antes, "teria", mas o frenesi histérico de compradores desesperados e vendedores atordoados só conseguia inspirar em mim a angústia. Estava estática contemplando o movimento insano, um pouco selvagem, de clientes disputando produtos, vendedores e vaga na fila para pagar, quando pintou a curiosidade: "onde será que vende o tal espírito de natal?" &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Era véspera de Natal, data que comemoramos o nascimento de Jesus, nos confraternizamos fazendo votos de felicidade e vislumbramos a possibilidade de recomeçarmos, de fazermos melhor, seja lá o que for. Como é exatamente que isso funciona? Chego em casa, tiro a roupa de gladiadora impiedosa, a que saiu para disputar presentes a tapas, e visto a cândida roupa de "dias melhores virão". Assim? Simples assim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Por coincidência, havia assistido há alguns dias no noticiário da TV uma matéria sobre o aumento do estresse no mês de dezembro. A reportagem apresentou alguns eventos tristes de discussões despropositadas no metrô e no trânsito, que acabam em pancadaria, acontecidos justamente em dezembro, associando os contratempos aos distúrbios do período. Os psicólogos entrevistados atribuíram o estresse aos balanços de vida que costumamos fazer nesta época. Se os especialistas estiverem certos, os balanços de vida andam acusando um resultado bastante negativo. Contudo, todos os mortais entrevistados culparam as compras e festas de fim de ano, alegando que os gastos extras, o aumento do movimento, as expectativas em torno dos preparativos das festas e o tempo exíguo para resolver tudo, gera desconforto, ansiedade e nervosismo, entre outras sensações desagradáveis. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Como não sou melhor do que ninguém, também saí do shopping estressada. Demorei mais do que podia e não comprei tudo que precisava. No carro, ia ridicularizando o espírito de Natal, questionando o próprio Natal, achando papai Noel um velho gordo e capitalista, e mandando Lewis Carroll tomar naquele lugar, junto com suas pérolas de sabedoria. No auge de minhas elucubrações céticas e cítricas começa a tocar no rádio "O Bom Velhinho", cantada por Dominguinhos. Imaginem, eu querendo desmascarar "barba branca", que não compra nada, não faz nada, e leva todos os louros, e Dominguinhos cantando:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;"C&lt;em&gt;omo é que papai Noel não se esquece de ninguém, seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem&lt;/em&gt;". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Fala sério! A princípio entendi como uma provocação do "caba" e tive o impulso de desligar o rádio antes que começasse a desfiar sobre ele meu repertório de impropérios. Mas vocês sabem, o pernambucano com chapeuzinho de cangaceiro tem aquele jeitinho todo meigo e aquela voz doce como um doce de cupuaçu, que acabou operando em mim uma hipnose súbita, e não me deixou desligar. Fiquei lá, congelada, ouvindo ele cantar repetidamente: "&lt;em&gt;botei meu sapatinho na janela do quintal, papai Noel deixou meu presente de natal&lt;/em&gt;".&amp;nbsp;Devaneando, pensei: como pode? Dominguinhos é do interior de Pernambuco, cresceu na labuta e aos seis anos de idade já tocava sanfona com os irmãos em feiras e portas de hotéis de Garanhuns. Muito provavelmente papai Noel não era para ele um herói de natal e, no entanto, ele grava "O Bom Velhinho", conseguindo imprimir na interpretação tanta ternura. Claro, meu coração mole derreteu como um tablete de manteiga no asfalto do meio dia. Me senti o substrato do cocô do cavalo do bandido, uma ser sem coração e sem pátria, insensível, dura, a última das criaturas de Deus. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;Voltei para casa reflexiva. Ao longo do dia e meio que faltava para a noite de Natal reformulei as idéias e coloquei cada coisa no seu lugar: a mídia, o comércio, o papai Noel, o espírito de Natal e o Natal, com toda sua simbologia e todo o seu significado. Quanto aos presentes, saí para comprar mais alguns, sem estresse, longe do shopping, e tudo deu certo. Na festa, desejei a cada um que abracei sinceros votos de Feliz Natal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-7589289498924929899?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/7589289498924929899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=7589289498924929899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7589289498924929899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7589289498924929899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2010/12/onde-vende-o-espirito-de-natal.html' title='Onde vende o espírito de Natal?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wu47VNMsA4w/TWUIOBK6d0I/AAAAAAAAAFU/9UPuwpVyk44/s72-c/papai_noel_praia11406.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-1504474995800393172</id><published>2010-06-28T09:50:00.004-03:00</published><updated>2011-01-08T13:46:56.127-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Mas quem é ruivo na família?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbvUHdQ3zI/AAAAAAAAAEk/YK9STIMDu2Q/s1600/dicas-para-mulheres-de-cabelos-ruivos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="137" src="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbvUHdQ3zI/AAAAAAAAAEk/YK9STIMDu2Q/s200/dicas-para-mulheres-de-cabelos-ruivos.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbsYH5eIPI/AAAAAAAAAEQ/CyEQoGbvaXA/s1600/caue3.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbsYH5eIPI/AAAAAAAAAEQ/CyEQoGbvaXA/s200/caue3.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbsb4wHCSI/AAAAAAAAAEU/ijQoQdcXpi0/s1600/post-46-ruivos1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="131" src="http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbsb4wHCSI/AAAAAAAAAEU/ijQoQdcXpi0/s200/post-46-ruivos1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 21px;"&gt;Pois então, sou loura, meu ex-marido moreno claro e meu filho nasceu ruivo, ruivinho mesmo, com lindos cabelinhos cacheados cor de cenoura, que permanecem até hoje, aos seis aninhos. É uma coisa linda de ver, mas bastante difícil de explicar. Toda vez que ele é apresentado a alguém a conversa rola mais ou menos assim:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 130%;"&gt; &lt;br /&gt;- Mas que lindo ele é! Você era ruiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O pai é ruivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E quem é ruivo na família?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ninguém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do impasse, para quebrar o clima das inúmeras interrogações que ficam pairando no ar, eu geralmente completo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas nós tínhamos um vizinho ruivo que era um espetáculo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo ri e fica mais a vontade, mas permanece aquela idéia fixa sobre mim: "puladora de cerca".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história também me intrigava, mas não tinha nenhuma possibilidade de troca na maternidade, pois eu tinha visto ele sair de mim já ruivo depois de um demorado parto natural. Da mesma forma, não havia qualquer dúvida sobre a paternidade. Numa hora dessas somente a intervenção divina para explicar ou, quem sabe, alguma pegadinha da genética. Diante da dificuldade de comprovar intervenções divinas fui pesquisar a ciência dos genes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo consta, o fenômeno conhecido como "rutilismo" é provavelmente o resultado de uma mutação genética encontrada no décimo sexto cromossomo, o MC1R. Para que uma criança nasça ruiva é necessário que ambos os pais tenham a versão mutante do gene, e mesmo assim não existe nenhuma garantia que aconteça, visto que o gene é recessivo. Tente lembrar daquela aula de biologia do segundo grau, com os tais “azinho” e “azão”, heterozigotos e homozigotos, que metade faltou e a outra metade não prestou atenção. Falando de uma forma mais romantizada, o gene ruivinho não é muito eloqüente ao defender sua vez na fila, e só consegue se impor junto com seus pares. Ele pode ficar lá, escondidinho no organismo de indivíduos morenos ou loiros por várias gerações, esperando resignado a sua vez. Talvez por isso quando conseguem uma chance de surgir para o mundo são verdadeiras pimentas. Estão simplesmente tirando o atraso de gerações no silêncio e reclusão. Agora as coisas começavam a fazer sentido e reforçavam inclusive o depoimento de minha avó. Segundo ela, uma senhora de lindos olhos azuis piscina e cabelos que já foram castanhos claros, seu irmão e toda a sua descendência eram verdadeiramente ruivos ferrugem. E eu que sempre acreditei que ela havia carinhosamente inventado essa historinha para quebrar meu galho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente isso já me dava condição de respirar mais aliviada. Apesar de ser uma conversa comprida e um pouco técnica demais para abordar todas as vezes que precisasse apresentar meu filho, pelo menos podia dizer que havia uma explicação plausível. Mas já que estava com a mão na massa, envolvida com minha pesquisa, não parei, e resolvi conhecer um pouco mais sobre o mundo e as especificidades dessas criaturas avermelhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri, por exemplo, que podemos descender em grande parte de ruivos, pois o tal MC1R, o gene que ao sofrer mutação produz cabelos vermelhos, foi encontrado numa análise de fósseis do homem de Neandertal, mas achei que a informação não acrescentou muito na minha cultura rubra. Gostei mais de saber que apenas 4% da população mundial é ruiva, com maior incidência na Escócia, onde um a cada 10 habitantes é ruivo. Eu bem que procurei, mas não encontrei nenhum estudo que indique o percentual dessas criaturas no Brasil e, especificamente, na Bahia, mas a julgar pelo entusiasmo que causam, acredito ser um percentual baixíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por algumas ocasiões nesta década foi divulgada pela internet a provável extinção dos ruivos, talvez para aquecer o mercado de tintura para cabelos, com previsão para não haver mais nenhunzinho em 2060. Que absurdo, eu mesma sou a primeira a contestar, pois neste ano meu ruivinho estará com apenas 57 anos, na flor da idade e, mesmo que seus pêlos já estejam precocemente brancos sem possibilidade de identificação de rutilismo, ele, se Deus quiser, ainda estará aí com toda a disposição para perpetuar a espécie. Na verdade, o que acontece é que o gene, por ser recessivo, pode se tornar raro, mas não se extinguir, a menos que os ruivos ou portadores desta herança genética, desiludidos da vida, parem definitivamente de se reproduzirem. De qualquer forma a notícia, sem qualquer evidência científica sólida, não se sustentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, um grupo de atores ruivos, com o bom humor que nos é característico, aproveitou a deixa e reivindicou, entre outras coisas, o direito a meia-entrada em dermatologistas, a isenção de imposto de renda para quem tem mais de 283 sardas no rosto e o firme compromisso do governo de aumentar a taxa de natalidade de crianças ruivas no país. Muito justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao assunto da pimenta, busquei na pesquisa alguma explicação para a comum relação entre os pequenos ruivos e o temperamento hiper agitado, que quase sempre leva à carinhosa denominação de “pestinhas”. Nesta empreitada eu largava com uma ligeira vantagem, pois se fosse necessário um estudo de caso poderia lançar mão de meu exemplar caseiro e meus seis anos de observação muito próxima. Olhei, fucei, confrontei e nada. Não há qualquer fundamentação científica que ajude no desenvolvimento da hipótese. Poderia até afirmar que fiquei ligeiramente inclinada a dizer que tudo não passa de um mito criado pelo cinema, se minha experiência pessoal não gritasse justamente o contrário. Além de tudo, se não bastasse o talento natural para pegar fogo, o comportamento ainda é inflamado pelo famigerado apelido “cabelo de fogo”. Meu filhote mesmo adora o codinome, se sente o próprio e incorpora o personagem com absoluta desenvoltura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, de todas as curiosidades que encontrei o que mais me interessou e que realmente pode ter um rebatimento prático importante é que os ruivos têm mais resistência a sedativos, precisando, em média, de vinte por cento a mais da dose de anestesia. Uma explicação é que a mesma mutação que interfere na pigmentação também poderia estimular a produção de um hormônio relacionado à dor. A outra possibilidade é um pouco mais complicada. De acordo com esta, pelo funcionamento incorreto do gene a melanina não tem um ponto de recepção ao qual se combinar, levando os pigmentos a procurarem outros receptores assemelhados para conectarem-se, como receptores de sinais de dor no cérebro. A conexão falha entre os pigmentos e os receptores de dor pode ser responsável pelo estímulo excessivo às respostas cerebrais à dor, levando a maior necessidade de anestesia. Olha só, uma característica física aparentemente tão despretensiosa influenciando numa questão realmente relevante no funcionamento do organismo. De qualquer forma, antes de sairmos super dopando os vermelhinhos, vale a pena discutir com os médicos para sabermos como isso é tratado pra valer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que minhas horas de pesquisa foram bastante proveitosas. Agora sei que não posso divulgar que tenho em casa uma linda criatura em extinção, mas ainda posso afirmar tratar-se de um espécime raro, que também é muito chique. Além disso, conheci mais sobre as curiosidades do biótipo de meu pequeno, adquiri informações importantes sobre sua constituição genética e, melhor de tudo, me libertei definitivamente do rótulo de “puladora de cerca”. Hoje, quando ouço aquela maliciosa perguntinha “mas quem é ruivo na família?”, respondo tranquilamente sem me apertar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 130%;"&gt;- Veja bem, eu posso explicar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-1504474995800393172?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/1504474995800393172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=1504474995800393172' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1504474995800393172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1504474995800393172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2010/06/mas-quem-e-ruivo-na-familia.html' title='Mas quem é ruivo na família?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbvUHdQ3zI/AAAAAAAAAEk/YK9STIMDu2Q/s72-c/dicas-para-mulheres-de-cabelos-ruivos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-2326237710117427844</id><published>2010-06-09T14:50:00.003-03:00</published><updated>2012-01-14T21:36:43.620-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Crônicas de viagem IV: Cidade Maravilhosa, em família</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbw4OqdYvI/AAAAAAAAAEo/ZCqJxXedHY0/s1600/cristo-redentor-2007-08-26-081.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="234" src="http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbw4OqdYvI/AAAAAAAAAEo/ZCqJxXedHY0/s320/cristo-redentor-2007-08-26-081.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;i&gt;Cristo redentor,&lt;br /&gt;Braços abertos sobre a Guanabara...&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Dentro do avião, sobrevoando o Rio de Janeiro, é inevitável cantarolar mentalmente a canção de Tom Jobin e Vinícius, sabiamente chamada de "Samba do Avião". Não sou carioca, nunca morei lá e minha ascendência não tem nem um pezinho no Rio, mas sou brasileira e não obstante o distanciamento genealógico e geográfico a metrópole muito me emociona. Já havia passeado pela cidade outras quatro vezes, mas desde a última visita, lá se vão dezenove anos, e esta ida tinha algumas peculiaridades muito especiais. Levei meu pequeno, Cauê, com seis anos, e a viagem, com a desculpa de comemorar o aniversário de Karina, uma de minhas queridas cunhadinhas, reuniu toda a família mais próxima: papai, mamãe, meus três irmãos - Ricardo, Renato e Eduardo, minhas cunhadas - Lígia e a aniversariante, e minhas cinco lindas sobrinhas - Taíssa (16 anos), Amanda (quase 15), Camila (11), Luiza (11) e Duda (4).&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A programação era alugar três carros no aeroporto e ir direto para Búzios, onde ficaríamos quatro dias. E assim foi. Saímos no começo da tarde guiados por Ricardo, que além de ser naturalmente muito bem orientado, carregava com ele nosso único GPS. Esses aparelhinhos são ótimos, mas um tanto sistemáticos. Se não for tudo exatamente como eles querem a conversa desanda. Enquanto os satélites chegavam a alguma conclusão sobre a direção a tomar, Ricardo consultou um GPS alternativo na estrada. A morena, do alto dos seus um metro e oitenta, indicou o rumo certo e tudo voltou ao eixo. Na rota da região dos lagos chegamos à Búzios sem maiores contratempos. Já havia passado um carnaval no balneário e ao retornar tive novamente a mesma impressão: ô lugarzinho abençoado!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;br /&gt;Nos acomodamos na pousada ainda encantados com a paisagem, a cidade, as edificações, tudo um charme. Cauê estava excitado com a movimentação da hospedagem e queria ver tudo ao mesmo tempo, a cem kilometros por hora, sua velocidade habitual. Ainda com a memória de um ano atrás, quando hospedou-se numa pousada na praia de Jururê, próximo à Florianópolis, com seu quarto coladinho no quarto do tio Ricardo, saiu de nossos aposentos gritando tio Ricardo, tio Ricardo, e já foi abrindo a porta e entrando no apartamento junto ao nosso sem me dar tempo de avisar que não era lá. No mesmo pé que entrou, saiu, mudo e branco como uma vela. Pegou o vizinho gringo de cueca.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Antes de sairmos para o jantar, que ainda era o almoço, recebemos a visita de Willian, Paula e Felipe, amigos de Eduardo e Lígia, com quem aproveitamos o drink de boas vindas oferecido pela pousada apreciando a vista dos barquinhos coloridos ancorados na praia da Armação. O festivo barman, muito conversador e enturmado, contou vários casos e comentou comigo:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- As crianças são animadas, mas aquele ruivinho é “parada dura”.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Resignada, respondi: - O ruivinho é meu.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O primeiro passeio foi pela Orla Bardot, que percorre toda a praia da Armação. O nome é uma homenagem à atriz francesa Brigitte Bardot, que esteve em Búzios na década de sessenta. E passeando pela orla, quem encontramos? A própria: Brigitte. É verdade, ela estava um pouco indiferente, dura, fria. Nem ligamos, enquanto ela ficava lá, toda estátua apreciando a vista, nos aproveitamos de sua presença e tiramos muitas fotos. Mas com Duda a conversa foi diferente. Rolou empatia instantânea e a pequena pegou no maior papo com aquele duro metal. Contou sobre nossa viagem, perguntou sobre ela e a convidou para ir conosco. Diante do absoluto silêncio de sua interlocutora a baixinha foi embora, mas não esqueceu. De vez em quando perguntava pela Brigitte, se preocupava com ela sozinha na chuva e em todos os passeios lembrava: - e se a gente convidar a Brigitte?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;No dia seguinte, aproveitando o movimento do fim de semana fomos para a praia de Geribá e o anunciado passeio de barco ficou para a segunda-feira. Como combinado, na segunda nos mandamos para o píer e ficamos esperando Renato, que foi comprar o recarregador da bateria da máquina fotográfica. O recarregador ele não conseguiu, mas conseguiu deixar a gente esperando bastante. Por fim, considerando o tempo que estava nublado e um pouco instável, o comandante do barco sugeriu que deixássemos o passeio para o dia seguinte. Sem problemas.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Se na segunda o tempo não era promissor para um lindo passeio de barco pelas ilhas e praias de Búzios, na terça-feira era, no mínimo, desaconselhável. O dia amanheceu frio, chovendo e ventando. Mas não saímos dos quatro cantos do país para chegar lá e nos assustarmos com qualquer chuvinha. Comandante, queremos ir! Renato, para não fugir a regra, nos deu uma canseira novamente esperando ele que, desta vez, foi na farmácia. A mais distante que ele achou. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;br /&gt;Contrariando todos os prognósticos, o passeio, que tinha tudo para ser um desastre, foi maravilhoso. No barco era só a família e cantamos, dançamos, almoçamos e brindamos o aniversário de Karina, com ou sem chuva. Mauro, o comandante, carioca da gema, ia nos falando sobre o balneário. A aldeia de Armação de Búzios remonta aos mil e setecentos, quando era uma colônia de pesca de Baleias através de um mecanismo que eles chamam de armação, daí o nome do local. Apesar de hoje soar como um absurdo ecológico a pesca de baleias, era um processo artesanal de pouco impacto, que foi instinto ainda no século XVIII, quando chegaram na costa do Rio de Janeiro os navios baleeiros norte-americanos que, estes sim, quase extinguiram a espécie no período. Praias dos Ossos, Azeda, João Fernandes, das Virgens, da Tartaruga, ilha Feia, entre outros, percorremos o litoral recortado da península, repletos de enseadas protegidas pelo relevo, parando em vários lugares. A exceção de Renato e Karina, todos, não obstante o frio e a água geladíssima, caíram no mar. Papai e mamãe, fazendo bonito, chegaram a nadar até a ilha Feia, que nem é tão feia assim. Durante boa parte do passeio o comando do timão foi de Cauê, que se saiu muito bem. Além disso, nos atualizava constantemente sobre a existência e a profundidade dos peixes próximos, que ele checava a cada minuto pelo radar. Num momento coruja, fiquei observando minhas sobrinhas, já tão grandes e tão lindas, cada uma a seu jeito. Taíssa é a contestadora, Amanda a general. Camila tem um charme maroto e Luiza é pura meiguice. Sobre Duda, poderia dizer que ela é loura, e isso bastaria para ela, mas na verdade é muito mais. Contudo, o traço mais marcante de todas é que, mesmo sendo tão diferentes, são todas a minha cara. Fazer o quê?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na quarta-feira estava programada a volta ao Rio, para assistir à noite o Fluminense jogar contra o Vitória no Maracanã, pela sexta rodada do Brasileirão de 2010. Apesar da correria de três carros em comboio pelas vias expressas do Rio, foi tudo bem até a parada para o almoço, num restaurante no Aterro do Flamengo. O Renato, claro, nos deixou esperando novamente, desta vez uma hora, enquanto ele foi comprar o bendito recarregador da bateria. Quando saímos, já com o estado de nervos alterados, faltou combustível em um dos carros, especificamente o que eu guiava, e mal deu tempo de chegar para o acostamento. Resolvida esta etapa, fomos em direção ao hotel, com o horário começando a apertar para o jogo. Mas esse, definitivamente, não era o meu dia de sorte. Em uma das sinaleiras fiquei para trás. Aí começou: telefona para um, liga para outro, ninguém atende, os celulares descarregando, o único com carga perdido dentro do carro tocando insistentemente sem ser localizado, todos falando ao mesmo tempo, ninguém se entendendo e a tolerância atingindo o nível zero, completamente perdidos pela cidade. Quando nos encontramos novamente já estávamos perto do hotel. Mamãe que, toda desligada, já havia entrado em um quarto alheio na pousada de Búzios, novamente no hotel do Rio, procurando o banheiro do seu quarto, entrou no quarto do vizinho, que era conjugado e estava com a porta destrancada. Sorriso amarelo e muitas desculpas resolveram o imprevisto. Enquanto isso, no quarto que eu dividia com Cauê e Renato, estávamos encantados com a vista de frente para a baía da Guanabara. Cauê "futucando" todas as novidades que encontrava, me perguntou sobre uma caixinha que, a princípio, olhando por alto, também não identifiquei o que era. Daqui a pouco ele chegou com o mistério esclarecido:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Olha mãe, é para colocar na lanterna, para não molhar.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Peguei a embalagem para ver. Era um preservativo com instruções de uso ilustradas na caixa. Sobre a linda vista, depois descobrimos que o quarto de frente para a baía tinha sido especialmente reservado por Ricardo para papai e mamãe, e, por equívoco, nos mandaram para lá. Melhor relaxar e aproveitar.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Saímos para o Maracanã uma hora antes do jogo e aprendemos uma dura lição: nunca subestime um engarrafamento numa grande cidade. O trânsito não estava parado, mas estava quase. No carro que fui ficou logo clara a divisão dos grupos. Papai e Eduardo eram os pessimistas, mamãe e Taíssa eram as neutras e, no fundo do carro, Lígia, Duda e eu, éramos as otimistas, animadíssimas. Os pessimistas iam praguejando: “já perdemos o primeiro tempo”, “vamos perder o jogo”, “os carros não andam”, “vai chover”, “só falta alagar as ruas”. As neutras iam rindo dos dois grupos. As otimistas iam cantando: “O Maraca é nosso! Há, há, hu, hu! O Maraca é nosso! Há, há, hu, hu!” Depois do gol do Fred no primeiro tempo, que ficamos sabendo pelo rádio, adaptamos a música. “O Fred é nosso! Há, há, hu, hu! O Fred é nosso! Há, há, hu, hu!” E não tinha nada mais engraçado que ver Duda, aquele projeto de gente falando toda animada: “- Amiiiiga, o Fred é lindo!!!!” Para matar de raiva seu pai, um flamenguista doente.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Chegamos ao Maracanã no intervalo do jogo, com o placar 1x0 para o Flu. Encontramos com o resto da turma e Willian, o amigo do Eduardo, e fomos correndo para a arquibancada. Na entrada, uma bela surpresa. Tocava no som do estádio o hino do Fluminense. Foi de arrepiar. Papai, Amanda, Camila, Luiza, Ricardo, Renato e eu subimos a rampa que dava acesso à arquibancada cantando a plenos pulmões. Só para registrar, os únicos que desandaram e não são fluminense na família são os flamenguistas Eduardo, Ligia e Taíssa. Duda ainda está confusa.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Ao entrarmos na arena, que visão! O Maracanã é realmente tudo que sempre ouvi falar. Um templo apoteótico do esporte que mexe com as nossas emoções. Recomeça o jogo. Tudo que ficamos sabendo do primeiro tempo não se repetiu no segundo. O Flu, que havia começado o jogo com boa movimentação, toque de bola e ameaçador, voltou do intervalo com o pé no freio e não assustava ninguém. O resultado foi o crescimento do Vitória, que aos 39 minutos carimbou o gol: 1x1. Mas nosso otimismo não foi em vão e o sofrimento durou muito pouco. Três minutos depois Alan não desperdiçou sua chance e marcou: 2x1 para o Flu, placar final. E enfim pudemos conferir o estádio sacudindo as bandeiras tricolores ao maravilhoso som de gooooooolllll!!! Foi a primeira vez que fui ao Maracanã, mas a mamãe,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman'; font-size: 21px;"&gt;ao tirar por seus comentários,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'times new roman'; font-size: 21px;"&gt;foi a primeira vez que ela ouviu falar em futebol. Toda interessada, perguntou:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;br /&gt;- Almiro, quem é aquele homem de camisa amarela correndo no campo?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Um tempo depois, indignada, ela quis saber: - Por que o jogador do Flamengo não para de segurar o jogador do Fluminense?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mais na frente, assustada e preocupadíssima quando um jogador caiu: - Ai meu Deus, o quê vão fazer agora?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;E nós ficamos a nos perguntar: - Quem se candidata a explicar o impedimento?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Uma regra de quase todas as viagens é desregular completamente a rotina de alimentação, e nessa excursão não foi diferente. Mudaram os horários, as quantidades ingeridas e, principalmente, a qualidade dos alimentos. Experimentamos muitos peixes, mariscos e saborosos temperos exóticos. Em um desses almoços, num restaurante muito conceituado no Leblon, papai escolhia com todo o cuidado seu prato, pois apesar de muito apreciar peixes e mariscos, tem uma séria alergia a camarão e afins. Depois de olhar e analisar cuidadosamente, encantou-se com um prato à base de “cavaquinha”. Em dúvida, perguntou:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Elcy, cavaquinha é peixe ou marisco?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mamãe: - Acho que é peixe e pelo jeito deve ser delicioso. Prova Almiro!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Animadíssimo, ele pediu o “peixe”, e como o casal têm um rol de conhecimentos bem mais amplo que os nosso, ninguém questionou. Foi só acabar de comer, na mesma hora ele começou a sentir algo incomodando. Tomou imediatamente um ante-alérgico oferecido por Karina. O remédio deve ter diminuído os efeitos da reação alérgica mas não a impediu completamente. Em poucas horas sua boca fazia inveja em Angelina Jolie e os olhos não deixavam nada a dever para Rocky Balboa na derradeira luta de cada um dos episódios de sua saga. A cavaquinha, que agora sabemos tratar-se de um crustáceo de alto potencial alergênico, rendeu uma noite de cama para o papai e alguns dias com os olhos ainda um pouco inchados.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Durante a estadia fomos ainda no Jardim Botânico, nas pedras do Arpoador, na Lapa, na feirinha de Ipanema, assistimos algumas peças e passeamos de bondinho até o morro da Urca e o Pão de Açúcar. Nesta empreitada, do alto do Pão de Açúcar, contemplando com Cauê a grande cidade recortada por morros, vegetação e mar, cheguei próximo ao seu ouvidinho e sussurrei:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Olhe bem meu filho. Você ainda vai viajar muito na sua vida, mas acredito que não irá conhecer cidade mais linda no mundo.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A minha intenção não era sugestioná-lo, queria apenas que ele registrasse na memória aquele momento, que fotografasse mentalmente para comparar com tudo que ele ainda vai ver, e então tirar suas próprias conclusões. No futuro veremos se funcionou. Talvez para ele seja cedo ainda para formar qualquer conceito, mas para mim não. Ainda quero ver muita coisa e conhecer muitos lugares mágicos, mas por enquanto posso dizer que voltei do Rio com a impressão que tinha antes bastante reforçada: que Cidade Ma-ra-vi-lho-sa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-2326237710117427844?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/2326237710117427844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=2326237710117427844' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/2326237710117427844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/2326237710117427844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2010/06/cidade-maravilhosa-em-familia.html' title='Crônicas de viagem IV: Cidade Maravilhosa, em família'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbw4OqdYvI/AAAAAAAAAEo/ZCqJxXedHY0/s72-c/cristo-redentor-2007-08-26-081.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-2158253952227707149</id><published>2010-04-07T10:08:00.003-03:00</published><updated>2012-01-14T21:35:16.296-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Um filme de terror</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbzRdpF5WI/AAAAAAAAAEs/txomPdDHIGI/s1600/cara_pintada___www.thejacks.blog_.br_.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="422" src="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbzRdpF5WI/AAAAAAAAAEs/txomPdDHIGI/s640/cara_pintada___www.thejacks.blog_.br_.jpg" width="640" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Sabe aqueles eventos que os preparativos bagunçam toda a sua vida? Pois então, eu estava diante de um: o casamento da minha querida prima. Um casamento à noite por si só já tem sua pompa e circunstância, mas, se não bastasse, eu ainda era madrinha e as comemorações eram em outro Estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Além do planejamento da viagem, havia mais uma série de questões a serem cuidadosamente tratadas. Para começar, que roupa usar? É claro que eu não tinha nada no armário para isso. E o cabelo, o quê fazer? D&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;omar os cachos ou adestrá-los, eis a questão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; font-size: 21px;"&gt;Saindo do capítulo "cabelos", vêm o capítulo "acessórios": bijus, bolsa, sapato. Acessórios na vida de uma mulher é tudo e haviam muitas considerações e simulações a serem feitas. Mas, de todos os itens a serem resolvidos, o que mais me preocupava era a famigerada maquiagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Do alto dos meus quarentinha confesso um pouco constrangida que muito pouco, ou quase nada sei sobre a arte de empastar o rosto com aqueles produtos “carésimos” cujas melhores marcas é necessário um biquinho para pronunciar o nome. As desculpas são variadas e quase todas bem esfarrapadas, mas a dura verdade é que eu não tenho a menor idéia do que fazer com aquele monte de pincéis e pozinhos coloridos. Muito bem assessorada por minhas amiguinhas encarei os fatos e fui à luta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Depois de algumas pesquisas em sites especializados e um &lt;i&gt;workshop&lt;/i&gt; organizado pelas amigas, me lancei às compras, acompanhada de Del e Jó. No shopping, entramos numa loja especializada com várias cadeiras e espelhos para maquiagem no local. A vendedora, muito pintada, falou dos produtos e, gentilmente, perguntou se eu não gostaria de experimentar, tipo assim: uma maquiagem sem compromisso. Era tudo o que eu queria, vinte minutos toda relaxada, enquanto alguém delicadamente passava algumas coisinhas no meu rosto para depois eu sair linda e com todos os trâmites da &lt;i&gt;make-up&lt;/i&gt; dominados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;- Claro! Por que não? - Respondi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Sentei e começou. Se você é como eu, aproveite a mamata e anote a seqüência dos passos. Primeiro: limpeza. Água e sabão nem pensar, é totalmente &lt;i&gt;over&lt;/i&gt;. Use um produto específico que vai lhe custar algumas dezenas de reais. Segundo: tônico, para re-equilibrar o ph da sua pele. Nem parece eu falando. Terceiro: a preparação com corretivo, base e pó facial. Agora vamos parar com essa numeração que minha cabeça loura não consegue raciocinar num plano organizado. Até aí tudo estava indo muito bem. A moça exagerou um pouco em cada item, mas nada preocupante, ainda parecia equilibrada e eu ainda achava que ia ficar bonita. Então, começou o filme de terror.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Ela pegou uma brocha, parecida com aquelas de pintar muro, besuntou numa sombra dourada extravagante e passou na minha pálpebra sem dó nem piedade. A brocha não prima pela precisão, mas confere bastante agilidade. Com duas pinceladas meus olhos ficaram como duas pepitas de ouro. Del e Jó, que estavam até então boiando, acordaram assustadas e curiosas para saber onde ia dar aquilo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;- Bem, o evento é à noite, não é? – A louca enquanto me pintava ia conversando com ela mesma. – Então pode usar um tom mais escuro. O preto vai ficar ótimo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Encharcou outra brocha na sombra preta e mandou ver em torno dos meus olhos, próximo aos cílios. Arrematou com delineador e rimel, e pediu que eu conferisse. Para as circunstâncias, um exame de corpo delito seria mais apropriado. Mas ela continuava empolgada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;- Está ficando ótimo! Hora do blush. O blush é muito importante, ele levanta a maquiagem e dá um ar saudável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Neste caso levantava até defunto, porque ela pegou o rolo de pintar parede e passou do maxilar até as olheiras com a voracidade de um felino faminto. Na verdade, eu já estava com medo. Olhava para minhas amigas com os olhos compridos, suplicando ajuda, socorro, qualquer interferência sensata ou desesperada, que me tirasse das mãos daquela mulher perigosa. Mas nada, as duas moscas mortas continuavam impassíveis, com a boca aberta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;A artista, enquanto pintava, toda esbaforida com os movimentos e confusa com tantos pincéis e produtos, me falava como havia se destacado no curso de maquiagem que tinha feito. Acho que muito atarefada com a atividade, acabou esquecendo de mencionar que o curso foi por correspondência, em hebraico arcaico, sem fotos ou ilustrações.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Agora o toque final: o iluminador!&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Começaram, então, longos movimentos verticais, horizontais e diagonais, por todo o rosto, totalmente inspirados em Daniel Sam do memorável "Karatê Kid", na primeira versão, quando no seu processo de aprendizado dos mistérios das lutas marciais foi escravizado pelo Sr. Miyagi, lavando e pintando toda a área de seu deck com tais movimentos. Mas não, ela não se contentava em somente imitar um grande sucesso do cinema internacional, ela tinha que inventar, e introduziu também gigantescos movimentos circulares. Quando acabou, somente com a minha cara eu era capaz de iluminar uma cidade de vinte mil habitantes. No embalo, pegou um batom bem melequento, cortou um pedaço e colocou sobre os meus lábios, como uma fatia de goiabada sobre o queijo. Totalmente sem noção, largou a bomba:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Pronto! E aí, gostou????&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Na hora me pintou a dúvida: “me atraco com essa mulher, furo seus 'zóios' e quebro todos os dedos para nunca mais ela fazer uma sandice desta com mais ninguém, ou faço uma cara de deslumbrada dizendo que o local e hora não merecem tal obra prima, esfregando e lavando o rosto totalmente e imediatamente para não sobrar qualquer vestígio”. Como boa garota que sou, fiquei com a segunda opção, mas alguém precisa tomar uma providência sobre aquela moça.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Não preciso nem dizer que tive que suar muito ainda para equacionar o item "maquiagem" nos preparativos para o casório, bem como todos os demais itens para não fazer feio num dia tão especial para minha priminha. No final, deu tudo certo, mas o saldo não foi positivo. Desde então evito ir àquele shopping, ou quando é imprescindível, passo há léguas da bendita loja. Até hoje tenho pesadelos horríveis com aquela mulher, vestida numa camisa de força, usando uma focinheira, cheia de pincéis, correndo ensandecida atrás de mim pelos corredores do shopping.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-2158253952227707149?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/2158253952227707149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=2158253952227707149' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/2158253952227707149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/2158253952227707149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2010/04/um-filme-de-terror.html' title='Um filme de terror'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbzRdpF5WI/AAAAAAAAAEs/txomPdDHIGI/s72-c/cara_pintada___www.thejacks.blog_.br_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-3597054320591159264</id><published>2010-03-25T10:55:00.002-03:00</published><updated>2011-01-08T12:50:44.003-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>A pinça da ponta dourada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb1DkpAK4I/AAAAAAAAAEw/6qUqFo01OoQ/s1600/sombrancelhas_1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb1DkpAK4I/AAAAAAAAAEw/6qUqFo01OoQ/s320/sombrancelhas_1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Vamos falar agora de uma coisa realmente importante: a pinça. Sim, a pinça de tirar pêlos, um a um. Precisei da minha, que já estava comigo há uns quinze anos, para cuidar de um ferimento na pata da minha cachorra. Aos que dirão "eeecaaa!!!", devo informar que adoro este ofício de veterinária de fim-de-semana. Mas, voltando ao nosso assunto, fiquei sem pinça. Resignada, saí o quanto antes para comprar uma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Cheguei à loja toda displicente e pedi uma pinça. A atendente parou, me filmou da cabeça aos pés e, olhando-me com firmeza no fundo dos olhos, perguntou com um tom sóbrio e revelador:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;- A senhora quer “a pinça da ponta dourada”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Não foi uma pergunta qualquer, todo o contexto foi rodeado por uma aura tão especial que nesta hora o céu se iluminou de dourado ao som de uma linda melodia celestial. O quê seria “a pinça da ponta dourada"? Ainda perplexa, fui me dirigindo lentamente ao local onde ficavam as demais pinças. Neste momento a moça disse que não adiantava, “a pinça da ponta dourada" não ficava junto com as outras. Que ótimo! Uma pinça que não se mistura com qualquer um. Então ela foi ao caixa, pegou uma chave especial e andou até um armário lacrado. Destrancou o armário, abriu uma gaveta e sacou de lá um instrumento delicado, alongado e com deslumbrantes pontas douradas reluzentes que ofuscaram meu olhar. Ela colocou a relíquia na mão e esticou o braço para que eu pudesse pegar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Lentamente toquei com as pontas dos dedos na jóia, primando por um cuidado que não me é peculiar, segurando-a em seguida. Oh meu Deus, o que teria de tão especial aquela pinça? E o pior, quanto custaria? Provavelmente não seria para o meu bolso. Cheia de coragem, perguntei:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Quanto é?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;- Veja bem, é R$10,00, mas é para a vida toda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Eu sabia, enquanto as demais pinças não ultrapassavam os R$2,00, a pinça da ponta dourada era R$10,00. Tive que rapidamente fazer algumas considerações. Além de umas continhas básicas, pensei: se eu novamente precisasse da pinça para cuidar da patinha da minha cachorra, não teria coragem de usar a de ponta dourada para auxiliar na assepsia das feridas abertas. A pinça valeria a vida de minha cachorra? Acho que sim. Decidida, falei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;- Eu quero a pinça. Você divide no cartão?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Saí da loja segurando a bolsa como quem protege uma preciosidade e fui correndo para casa experimentar meu novo brinquedinho. Chegando lá me dirigi diretamente para o espelho para usar a sobrancelha como cobaia, e devo reconhecer, não é propaganda enganosa. A ponta dourada se encaixa com precisão cirúrgica na base, juntinho da raiz do pêlo, puxando o cabelo inteirinho. A raiz sai todinha e o percentual de pêlos quebrados cai a zero. Me empolguei e sai arrancando os cabelinhos enquanto no espelho revelava-se uma nova mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;Amigas, acreditem, é um verdadeiro milagre. O alto investimento inicial é integralmente recompensado pela inestimável satisfação de olhar aquela pele lisinha e livre de fiapinhos indesejáveis ao redor de uma sobrancelha de contornos perfeitos. Sem falar de outras partes do corpo que podem adquirir também contornos perfeitos. Mas fiquem muito atentas para não levarem gato por lebre. A pinça da ponta dourada é uma pinça longa, de design limpo, toda prateada, somente com as pontas douradas e brilhantes, uma verdadeira obra de arte. Concluindo, valeu os R$10,00 parcelados e o risco de vida permanente ao qual condenei minha cachorra. E São Francisco de Assis que me perdoe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-3597054320591159264?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/3597054320591159264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=3597054320591159264' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3597054320591159264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3597054320591159264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2010/03/pinca-de-ponta-dourada.html' title='A pinça da ponta dourada'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb1DkpAK4I/AAAAAAAAAEw/6qUqFo01OoQ/s72-c/sombrancelhas_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-7348633623265224671</id><published>2010-02-01T10:33:00.000-03:00</published><updated>2010-11-07T13:57:26.825-03:00</updated><title type='text'>Assédio sequiçual</title><content type='html'>&lt;p align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; "&gt;&lt;span style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;Olá amigos! Novamente (segunda vez) estou publicando um texto que não é de minha autoria. Por uma incrível coincidência, a autora selecionada foi a mesma da primeira vez. Estou começando a desconfiar do júri destas seleções. Seja como for, desfrutem deste texto by Nice Bahia, em um dia de inspiração literária.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; "&gt;&lt;span style="font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há três verdades universais.  Quer dizer, há muitas, mas essas verdades são mais verdadeiras:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;ol type="1" style="font-family:arial;"&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os homens preferem as loiras.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O pão sempre cai com o    lado da manteiga para baixo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As mulheres preferem os    amigos gays.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A primeira remonta ao início dos  tempos, quando só existia a Serpente, Eva-e-Adão. Eva, originalmente  morena, queixava-se muito no seu blog porque Adão passava o dia inteiro  brincando com a cobra e não lhe dava  atenção. Até que, um  belo dia, ela encontrou boiando no rio uma caixa de tintura loiro-hebe  e resolveu experimentá-la. Isso deu origem à primeira loira do Planeta!  Logicamente, depois dessa transformação, Adão só queria saber da  sua loira. A Cobra, enfurecida, numerou todas as árvores do Paraíso  e lançou-lhe um desafio: para manter a dieta, Eva só poderia comer  os frutos da árvore que tivesse o resultado da seguinte equação:  x&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; + 4xy -  ∫286(333∂x2175) + √28,914. Claro que Eva  acertou (o resultado é 8,17⅔), mas ela era muito gulosa e quis comer  a maçã de outra árvore mais bonitinha, então lenhou tudo. O Criador  se retou de vez e jogou uma praga que valeria para todas as loiras do  mundo: “Serás desejada por todos os homens do Universo, porém só  saberás contar até 1+1.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A segunda foi comprovada cientificamente  pelos Caçadores de Mitos no Discovery Channel. Eu mesma já tentei  lá em casa várias vezes, claro que com pão estragado, porque pão  está muito caro hoje em dia e meu auxílio-refeição é só R$7,50.  Também já tentei pão com margarina Becel, requeijão cremoso, geléia,  patê e todos confirmaram a teoria do pão-com-manteiga, que deveria  mudar para pão-com-qualquer-coisa-que-&lt;wbr&gt;você-goste-e-que-seja-&lt;wbr&gt;melequenta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A terceira verdade também foi  comprovada pela minha pessoa. Sempre gostei de fazer amizade com gays,  porque eles são mais alegres, desencanados e coloridos – a minha  cara. No primário, lembro-me de um coleguinha meu que dizia ser a reencarnação  de Marilyn Monroe. Eu, como nunca havia tido um amigo(a) famoso(a),  me orgulhava em dizer que conhecia uma celebridade. Mas, ao contrário  da sua versão passada, nesta vida ele só fez sucesso como cabeleireiro  num salão de quinta. C’est La vie.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na faculdade, também tive alguns  amigos gays, principalmente na Escola de Belas Artes (não sei o porquê,  mas tinha uma meia dúzia de entendidos por lá). Um deles afirma até  hoje que teve um caso com Reinaldo Gianechinni, coisa que eu duvido,  pois o cara (o Giane) é muito macho, eu acho. E também tive uma amiga  gay, mas felizmente ela não gostava de loiras, o que confirma a 1ª  verdade universal, que os HOMENS preferem as loiras.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quer mais depoimentos pessoais  dessa 3ª e última verdade? Clodovil, depois de Carla Perez, sempre  foi o meu guru espiritual. Tirei foto com Léo Kret e achei que teríamos  sido BFF (Best Friends Forever), se tivéssemos chance. Meu Big Brother  preferido é o Dicesar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bom, fiz todo esse “prefácio”  para deixar bem claro que eu não sou uma pessoa preconceituosa, muito  pelo contrário. Mas tem certas coisas que eu não admito, como assédio  sexual, por exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nós cinco estávamos todas muito  felizes. O plano era perfeito: sexta-feira à tarde, assistir Avatar  no cinema ao meio-dia e comer um balde enorme de pipoca com Coca Zero.  Depois ainda daria tempo de assistir malhação, pois a gente iria filar  o trabalho. Maravilha. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No entanto, o plano só era bom  em teoria, porque, na prática, já começava a dar indícios que não  tinha nada perfeito. Primeiro, porque alguém teve a infeliz idéia  de convidar Chefinha, sinal de que a 2ª parte do plano – não voltar  ao trabalho – já estava furada. Ela deixou isso bem claro, ao afirmar  que ninguém iria almoçar pra não voltar tarde. É uma carrasca! E  segundo, porque saímos com meia hora de atraso, ou seja, perdemos o  começo do filme. A nossa cara, isso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enfim, às 12:35h nos acomodamos  na 2ª fileira, munidas dos nossos óculos Rayban high-tec em 3d.  Devo confessar que ficamos meio abaladas quando disseram que teríamos  de devolvê-los ao final da sessão, pois tínhamos feito planos para  usar os nossos óculos poderosíssimos na praia, literalmente pra tirar  onda. Mas tudo bem, alegria de pobre dura pouco, mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Procurei me concentrar no filme,  apesar de já tê-lo visto anteriormente (na versão 2d). Sob ameaças,  resisti bravamente à tentação de sair contando o que ia acontecendo  nas cenas. Mas eu, que me orgulho da minha inteligência superior, sempre  tinha algum comentário espirituoso do tipo: “essa vaca da Neytiri  está de TPM”, “Jake Sully até que é bonitinho, mas as pernas  parecem dois gravetos”, “a galinha da Neytiri só ta de olho no  Jake por causa do passarinho amarelo em que ele está montado, mulher  interesseira”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;ul style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi no meio de um desses comentários  inteligentíssimos que a coisa aconteceu. Chefinha, que, pra variar,  estava sentada ao meu lado, abaixou-se para pegar uma pipoca que caiu  do chão (“o chão tá limpo, basta dar uma sacudidela que dá pra  comer, não vou desperdiçar comida!”). Eu toquei o seu ombro para  dizer que as mulheres muito altas têm gênio ruim, tal qual Neytiri,  quando, ao invés de virar-se lentamente para ouvir o meu comentário,  ela virou-se de vez e praticamente caiu em cima de mim, encostando os  seus óculos nos meus. Em choque anafilático e sob os olhares atônitos  das minhas amigas, consegui me desvencilhar do seu ataque homem-sexuálico,  não sem antes ouvir dela um “hehehe, beijinho de esquimó”. Ó  céus, o que eu fiz para merecer isso! Senti que o meu nariz, antes  virgem, havia sido molestado, e rapidamente saquei o meu álcool-gel  para limpá-lo, até que quase o arranquei. Ficamos naquela saia-justa  até o final do filme, eu me afastando da cadeira o máximo que podia  e ela querendo saber qual era mesmo o comentário que eu queria dizer.  Na saída, as meninas, assustadas, nada comentaram, mas senti que elas  estavam se afastando deliberadamente em direção oposta à de Chefinha,  e não posso culpá-las, já que eu também estava fazendo o mesmo.  Comecei a refletir sobre o que havia acontecido e me lembrei que ela  já havia dado indícios antes, ao roubar o meu celular e passar uma  mensagem pra si mesma dizendo: “chefinha é fofinha”. O que levaria  uma criatura a fazer tal coisa, senão uma tara incontrolável??&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/ul&gt; &lt;span style=";font-family:Calibri;font-size:130%;"&gt;Enfim, estou pensando em mudar  de setor. Já passei do estágio probatório, e meu salário minguado  não inclui assédio sexual de nenhuma espécie. E, só por precaução,  quando eu for ao cinema com minhas amigas da próxima vez, levarei uma  trena para medir a distância de 60cm dos dois lados da minha cadeira.  Vai que a moda pega!!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-7348633623265224671?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/7348633623265224671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=7348633623265224671' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7348633623265224671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7348633623265224671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2010/02/assedio-sequicual.html' title='Assédio sequiçual'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-7007611991234036312</id><published>2009-10-14T17:13:00.001-03:00</published><updated>2011-01-07T17:50:25.949-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>O perigo mora ao lado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 180%;"&gt;Ai “Jisus”! Não quero fazer alarde, nem muito menos bancar o “cavaleiro do Apocalipse”, mais me sinto impelida por minha responsabilidade social a dividir com o maior número de pessoas possível as informações que recentemente entraram em minha vida como uma avalanche.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente estou lendo, interessadíssima, uma publicação sobre os "sociopatas", ou podemos chamar também de "personalidades anti-sociais", ou "personalidades psicopáticas", ou outras tantas identificações, mas que referem-se à mesma coisa: os terríveis, assustadores e enigmáticos "Psicopatas". O livro é uma publicação séria, talvez um pouco sensacionalista e repetitiva, de uma psiquiatra que nos últimos tempos caiu nas graças da mídia. Em seu trabalho ela aborda os traços mais característicos da personalidade destes seres, a forma como costumam agir e o elevado potencial destrutivo inerente à sua natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a autora, os psicopatas são indivíduos que têm suas funções cognitivas em perfeito estado, mas são desprovidos da capacidade de sentir afeto genuíno, ou, como ela mesma afirma, incapacitados de amar. Conseqüentemente, lhes faltam ética, moral, solidariedade, compaixão e por aí vai. Em geral são pessoas inteligentes, articuladas, sedutoras e agradáveis, mas não se iludam, para atender às suas ambições mais fúteis são dissimuladas e capazes de atos sórdidos, insensíveis e cruéis, planejados em detalhes e executados com precisão. Em geral, temos a tendência de associar a palavra psicopata àqueles “miseravões”, matadores sanguinários, tipo serial killer, mas a maldade pode ser bem mais sutil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aí, tudo ótimo, afinal, informação nunca é demais. O problema é que, involuntariamente, alheia ao prudente distanciamento crítico, às vezes as informações começam a associarem-se a fatos da vida real, de nosso cotidiano, correndo o risco de extrapolar o limite da razoabilidade e criar um universo paralelo onde tudo e todos atingem facilmente a categoria de suspeitos, com sérios sintomas de psicopatia. Desde que iniciei a leitura, transformei meus ambientes de convívio em laboratórios e meus amigos, colegas e conhecidos em estudo de caso. Contrariando os que dirão que como psiquiatra sou uma excelente arquiteta, nas próximas linhas não vou me ater apenas a relatar fatos verídicos, e preocupantes, de pessoas que fazem parte do meu convívio. Instrumentalizada com os fundamentos recém adquiridos, vou me aventurar por terrenos movediços para uma leiga, analisando os desvios de caráter dos envolvidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, para qualquer pessoa com o mínimo de clareza e de bom senso, qual é o candidato número um a psicopata frio e calculista? O chefe, sempre, é claro! E quanto mais imediata for a chefia, mais elevado tende a ser o grau de psicopatia. A minha chefinha é um caso clássico. Ela é bonita, muito articulada e bem relacionada. Sorrindo, submete com requintes de crueldade seus subordinados às tarefas técnicas mais estapafurdias. As jornadas de trabalho propostas são absolutamente insanas, chegando a mais de trinta horas semanais, vampirizando todos até a última gota de sangue. Em geral, consegue manter a fachada de profissional equilibrada, mas quando a máscara cai, aos berros revela sua verdadeira face: ciumenta, possessiva e controladora. Em seu ambiente de trabalho é inadmissível reunir mais de duas pessoas sem sua presença, ou a confraternização é caracterizada como motim de cunho altamente subversivo, com sanções severas. Desconfio de suas ambições, mas pela frente ela vai se deparar com outro chefe, igualmente suspeito: o diretor do departamento. Alicerçado na inteligência privilegiada, na leitura dinâmica e no raciocínio extremamente célere, congrega rapidamente as informações manipulando-as conforme suas conveniências. Letrado em direito e na área um, usa sua habilidade com as palavras para justificar suas alterações comportamentais que culminam em rompantes de fúria, quando suas orientações expressas são sumariamente ignoradas. Se um sozinho é uma grave ameaça, os dois juntos constituem o prenúncio de problemas de dolorosas implicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma característica constante nos elementos com esse distúrbio psíquico é buscar ocupar posições estratégicas para suas pretensões. Nesta linha de pensamento, uma função bastante almejada é a de secretária, que tudo ouve e tudo sabe. Na empresa que trabalho temos um exemplo. Ela secretaria os assessores da diretoria do departamento e, vamos considerar, “ô baixinha sangue ruim”. Essa pessoa não pode ser considerada exatamente uma psicopata. Pela estatura, ela poderia ser enquadrada, no máximo, como uma psico”patinha”. Para um olhar desavisado pode passar por uma mulher sã, desembaraçada e simpática, apesar de temperamental. Mas, determinadas atitudes denunciam sua perversidade sórdida. Por exemplo, sua recusa doentia em assinar por mim meu ponto de freqüência quando me atraso, negando o favor com absoluta frieza e insensibilidade. Isso não pode ser um comportamento normal de uma criatura que tem a capacidade de nutrir afeição, ainda mais porque o favor é suplicado com tanto carinho e emoção. Considero ela um perigo iminente para o grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê dizer, então, de meu namorado? Por algum tempo aquela conversa mole me envolveu de uma maneira que impediu a compreensão racional dos fatos. Agora, começo a ter um entendimento melhor. Ele é capaz de atingir o êxtase em caloradas discussões travadas com call centers dos mais diversos produtos e serviços, em embates diários que chegam a durar horas, preterindo, inclusive, uma deliciosa companhia feminina. Além disso, um companheiro que não aparece com mimos surpresa em datas improváveis e que não leva café da manhã na cama para a sua amada, não pode ser boa coisa. Tecnicamente, poderia ser considerado como um psicopata de grau elevado, pelas conseqüências nefastas de suas ações, ou falta delas, num coração sensível. Mas vou enquadrá-lo inicialmente num grau moderado, pois os danos podem ser remediados caso ocorra uma imediata mudança de atitude, tipo um presentinho hoje mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro indivíduo exacerbadamente suspeito é o síndico do meu condomínio. As tais taxas extras só podem ser coisa de quem não tem uma gota de sentimento e afeto por nossos rendimentos. E a frieza e a indiferença com que somos avisados reforça minha tese. Geralmente são correspondências impessoais, como quem dialoga com uma caixa registradora, que fazem rodeios e mise-em-scène de motivos para no final nos golpear duramente. Esse senhor me preocupa e deve ser vigiado de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da inquestionável eloqüência dos relatos e argumentos acima expostos, que baseiam minhas suspeitas quanto ao caráter patológico dos estudos de caso, devo registrar que o diagnóstico está numa etapa clínica bastante inicial, sujeito ainda a retoques. Contudo, já é possível constatar, mesmo sob a tutela do inseparável otimismo que me caracteriza, que o mundo é sim um lugar perigoso para passear, trabalhar e viver, e a natureza humana pode ser, por vezes, surpreendentemente desagradável. Portanto, concluo este aprendiz de laudo clínico afirmando que a palavra de ordem deve ser “cautela”, pois o inimigo espreita e o perigo pode estar ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-7007611991234036312?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/7007611991234036312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=7007611991234036312' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7007611991234036312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7007611991234036312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/10/o-perigo-mora-ao-lado.html' title='O perigo mora ao lado'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-2009813283215910732</id><published>2009-10-02T16:19:00.002-03:00</published><updated>2011-01-08T12:47:44.328-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Brinquedinhos imprevisíveis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb2439D-KI/AAAAAAAAAE0/fBcxX4XipcM/s1600/1242089272739_bigPhoto_0.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb2439D-KI/AAAAAAAAAE0/fBcxX4XipcM/s1600/1242089272739_bigPhoto_0.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 21px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Quanto mais a hora da partida aproximava-se, mais aquela bendita "lista de coisas a fazer antes da viagem" atormentava a sua paz. No início, nada menos que 90% das coisas resolvidas eram admissíveis, depois passou para 75%. O tempo correu e 40% já eram negociáveis. Agora, a poucas horas de entrar no avião rumo à BH, qualquer coisa em torno de 7,5% era completamente aceitável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Havia alguns meses que a viagem estava sendo minuciosamente planejada, junto com uma turma de quase trinta pessoas. O motivo? Uma amostra internacional de teatro na capital mineira. Ela, como uma das protagonistas do grupo, não poderia ficar de fora desta. Aproveitando a oportunidade, convidou o maridão para acompanhá-la, afinal, nenhuma oportunidade de quebrar a rotina de um casório de 29 anos pode ser desperdiçada. Antes de fechar a mala, o toque final: escondeu lá no fundo o brinquedinho surpresa que estava levando para o seu amor. Ele não perdia por esperar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O apetrecho estava comprado há algumas semanas, aguardando a hora certa para ser usado. A compra em si já foi uma festa a parte. Uma senhorita em cima de um belo salto chegou em seu local de trabalho carregando uma maletinha rosa choque, tão inocente como os acessórios da doce Barbie. Enquanto passava pelas mesas do escritório falava com uma e outra, até chegar ao fundo da sala, onde sentou, cruzou as pernas, descansou a maleta sobre o colo e abriu o recipiente como quem abre "as portas da esperança". Daí para frente ninguém pode conter aproximadamente 10 mulheres enlouquecidas beirando o estado de luxúria. Da malinha saíram várias preciosidades, entre elas óleo comestível de massagem, calda quente de menta, pasta de uva, pomadinha picante, canetas com tinta comestível, peças íntimas de vestuário e joguinhos eróticos. Ela encantou-se com tudo. Inicialmente pensou em levar a calda de menta e a pasta de uva, já pensando no slogan de propaganda "senta que de menta e chupa que é de uva". Depois resolveu comprar o baralho de posições e uma caneta sabor doce de leite. Como não segurou a onda, inaugurou o baralho logo no fim de semana seguinte e esforçou-se bastante para executar com precisão os contorcionismos propostos, ignorando inclusive os efeitos lombares e cervicais que, com toda certeza, perdurariam por vários dias. Agora era hora de inaugurar a caneta de doce de leite, e só de pensar lhe dava água na boca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tudo em relação à viagem foi decidido entre o grupo de teatro: o local da estadia, as peças a serem encenadas e as apresentações imperdíveis. O item "hotel" foi um parto a fórceps. Uns achavam caro demais, outros achavam ruim demais, outros, longe demais. Depois de muito "trololó" e pesquisas na internet chegou-se ao consenso quanto a um simpático hotel três estrelas, localizado no centro da cidade. Chegando lá, a conclusão que pareceu mais obvia era: as fotos expostas na internet não eram daquele lugar, ou as mesmas tinham sofrido uma séria intervenção no Photoshop. De qualquer maneira, a propaganda foi enganosa. O hotel era velho, feio e sujo, muito sujo. As três estrelas prometidas eram, possivelmente, as que podiam ser vistas ao cair da noite, pelos três buracos da cortina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os compromissos do evento internacional eram puxados, com apresentação todos os dias, não sobrando muito tempo para namorar. No penúltimo dia, os dois já na loucura por um momento a sós, deram um "zig" no grupo e se mandaram mais cedo para o hotel. No apartamento, tentaram abstrair-se do ambiente e concentrar-se no ritual. Ela procurou algo para vendar os olhos dele. Como naquele hotel não havia nada que pudesse ser chancelado pela vigilância sanitária, tirou a parte de baixo de seu babydoll e amarrou na cabeça do marido. A sorte é que de olhos vendados ele não podia conferir o resultado, mas era um armengue de dar dó. O short ficou todo contorcido, com metade da renda para cima e a outra metade para baixo, como um tapa-olho caído até a bochecha. Se não fosse pela cor da peça, verde cana, ele poderia até ser confundido com o capitão gancho fantasiado de baiana do acarajé, claro, depois de um arrastão dos mais violentos. Mas isso tudo não tinha a menor importância, ela ainda estava excitadíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidadosamente, ela o despiu e pediu com uma voz de seda para que ele se deitasse. Sacou a caneta e iniciou os desenhos pelo rosto, para percorrer todo o corpo em direção aos pés. Timidamente, começou com o básico: uma bola representando a cabeça e cinco tracinhos representando o corpo. Mais a vontade, deu asas ao romantismo, com coraçõeszinhos e uma casinha no alto do morro. Depois ousou com flores, bichos exóticos e tribais. Na coxa esquerda anotou a receita da pamonha mineira que havia experimentado naquela tarde e, não contendo seus impulsos profissionais, rabiscou uma planta baixa, dois cortes e uma fachada frontal. Já que estava empolgada e com tempo sobrando, aproveitou para arquitetar as soluções do projeto pendente do necrotério estadual. A essa altura ela estava na canela, com o doce se misturando nos pêlos da perna. Curiosa para apreciar sua obra, deu uma olhada geral no conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando viu, não pôde acreditar. Não era possível enxergar um centímetro da pele do seu amor. O doce de leite virou uma calda melequenta que escorreu por todo o corpo fazendo com que ele parecesse um boneco de lama se desmanchando. Se a agonia da meleca não bastasse, ainda havia o risco de morte pelo fato dele ter alto nível de diabetes. Ele lá, de olhos vendados, todo deitadão, não entendia muito bem o que acontecia, mas estava apreciando tudo. Assustada, mas sem querer estragar o momento, partiu para cima dele com meio metro de língua, lambendo tudo que encontrava pela frente. Ele, evidentemente, foi à loucura. Já enjoada de tanto açúcar, buscou no banheiro uns pedaços de papel higiênico, que no primeiro contato com o doce, se desfizeram ficando pregados no corpo. Beirando o desespero, molhou a toalha e começou a esfregar nele com movimentos pesados, explicando tratar-se de uma técnica oriental de estimulação. Cansada, propôs logo os finalmentes. Tirou o babydoll que tapava os olhos dele e a brincadeira ficou animada, não obstante o prega-prega da coreografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo, ela não podia ver ou sentir a kilômetros o cheiro de doce de leite, e a idéia de um banho lhe pareceu a coisa mais excitante da tarde. Quando chegou no banheiro, ao olhar-se no espelho teve vontade de chorar. Seus cabelos estavam em pé em pequenos grupos, como se tivesse sido vítima sem defesa de uma descarga elétrica de alta voltagem. Mesmo depois do banho, a cabeleira nunca mais voltou a ser como antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento acabou e, enfim, chegou a hora de voltar. O hotel, para se redimir dos muitos contra-tempos, ofereceu para cada quarto um brinde surpresa, embalado para presente numa caixinha. Ele, muito feliz com a experiência, planejava ansioso a próxima viagem. Ela, um pouco enjoada ainda, ia precisar de um tempo maior para se animar. Já no avião, voltando para Salvador, ela resolveu conferir o mimo oferecido pelo hotel. Quando abriu quase caiu para trás. Era meia dúzia de tabletes do mais autêntico doce de leite mineiro. Com o estômago embrulhando, exclamou apressadamente em alta voz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Comissária, por favor, um saquinho urgente!!!&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-2009813283215910732?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/2009813283215910732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=2009813283215910732' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/2009813283215910732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/2009813283215910732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/10/brinquedinhos-imprevisiveis.html' title='Brinquedinhos imprevisíveis'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb2439D-KI/AAAAAAAAAE0/fBcxX4XipcM/s72-c/1242089272739_bigPhoto_0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-8504466090075331983</id><published>2009-09-29T16:47:00.003-03:00</published><updated>2012-01-14T21:31:17.559-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>E você, também vai dançar?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb5zjKrNAI/AAAAAAAAAE4/OQsTKqE7N5w/s1600/images+%284%29.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb5zjKrNAI/AAAAAAAAAE4/OQsTKqE7N5w/s1600/images+%284%29.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 21px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Então atire a primeira pedra quem nunca passou pela solitária experiência de, na beira de uma pista de dança, ao som de uma convidativa melodia, sentir por dentro todo o seu corpo e alma dançando enquanto externamente, estático, estampa um sorriso amarelo de "eu hoje estou cansado". Os motivos podem ser os mais variados. Absoluta falta de habilidade, paralisante timidez, desconcertante escassez de par ou, pior, "enraivante" constatação de que o objeto de seu desejo está muito bem ocupado. Não importa, seja como for, é frustrante. Quase todo mundo tem uma história engraçada, "ou não", como diria o filósofo Caetano, para contar sobre suas aventuras na pista de dança ou na beira desta. Já ouvi algumas, mas tem uma, em especial, que me diverte mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Tenho um amigo e colega de trabalho sergipano que é conhecido na empresa como pé-de-valsa. Sempre impecavelmente bem vestido, com uma fala grave, pausada e em tom moderado, vive escondido atrás de uns óculos, mas quando se espalha no salão ninguém junta. Segundo ele, quando era jovem, ia para as festa com os amigos e enquanto a música rolava ficavam todos parados, as meninas de um lado e os rapazes de outro. De vez em quando os garotos sorteavam um mártir, que com muita coragem e resignação atravessava o salão como quem vai para a guilhotina e arriscava convidar a dama, quase sempre levando um toco que o deixava desconsertado pelo resto da noite. Revoltados com tantos mal-tratos, os garotos articularam-se e bolaram um plano no mínimo maquiavélico. Elegiam as mais "patricinha", a bem sebosa mesmo e, em revezamento, viravam uma sarna atrás da vítima até que ela, para se livrar daquela moléstia, topava dar, para qualquer um que fosse, a honra de uma dança. Então os outros se posicionavam nas proximidades. A dança começava e quando a coitada já estava mais relaxada, talvez até gostando, o seu algoz a segurava firmemente pelos dois braços afastando-a uns dois palmos e dizendo em alta voz: - Você peidou!!!! - Depois disso o descarado saía sem mais explicação deixando a garota petrificada no meio do nada. Foi mais ou menos nessa época que o mercado de trabalho para psicólogos e psicanalistas bombou em Aracajú. Muitas garotas conseguiram recuperar-se e levam hoje uma vida normal. Mas outras, atualmente senhoras, deixam pomposas somas nos consultórios de psicanálise até os dias de hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Não faz muito tempo que as aulas de Dança de Salão popularizaram-se como a redenção para as famigeradas timidez e falta de habilidade. A atividade alcançou a mídia, virou argumento de filmes, pano de fundo de novelas e, no Brasil, até competição em instrutivo programa domingueiro de variedades, onde o educado apresentador, conhecido pela sutileza que mataria de inveja qualquer rinoceronte, nos brinda com apresentações de famosos dançando variados ritmos, e não posso negar que me delicio com o quadro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Quanto à telona, Fred Astaire já fazia babar gerações anteriores, e aquele sim, sabia o que fazia. Mais recentemente, outros &lt;i&gt;superstars&lt;/i&gt; não tão hábeis no bailado, mas muito mais talentosos no &lt;i&gt;sexy appeal&lt;/i&gt;, como Antonio Banderas e Richard Gere, protagonizaram fitas que também giravam em torno do tema. O filme estrelado por Gere em 2004, por exemplo, que foi traduzido como "Dança Comigo", foi um &lt;i&gt;remake&lt;/i&gt; de um filme japonês homônimo, de 1996, e trata de um advogado de meia idade um tanto entediado que encontra na dança de salão um sopro de alegria para sua vida. A versão americana desenrola a trama em torno dos dramas pessoais do protagonista. Já a versão original, a japonesa, propõe um elemento a mais, tendo em vista que no contexto nipônico tem-se também o paradoxo entre a introspecção da cultura oriental e a natural exposição da dança. No mais, tem aquele jeitinho todo especial das produções japonesas, que conseguem dizer tudo sem precisar falar nada. Seja como for, nas duas versões, bem como no “Vem Dançar” de Banderas, a dança quebra tabus e une diferentes tribos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Como todo mundo, também já estive algumas vezes paralisada na margem da pista, mas quase sempre, por pior que seja o resultado, prefiro me arriscar nos rodopios. Sendo do Pará, adorava jogar os cabelos pra lá e pra cá ao som da lambada de Beto Barbosa, isso sem contabilizar o carimbó, o brega, o tecnobrega e por aí vai. Para um olhar mais especializado devia parecer uma afronta à boa dança, mas quem liga? Além disso, a herança genética me empurra para o meio do salão. Meus pais não podem ouvir uma música com um pouco mais de dois metros quadrados de área disponível que levantam-se e saem girando abraçados. Nesse embalo, são parceiros de dança há mais de quarenta anos e conseguiram disseminar por toda a prole o gosto pela brincadeira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;De olho nas benesses físicas, psicológicas e sociais que a atividade pode promover, empresas investem nas aulas como programa de valorização dos recursos humanos, e o órgão que trabalho embarcou nessa também. Contratou um casal de professores que com extrema paciência nos ensinam os segredos dos primeiros passos. Fácil não é, mas é gostoso. Alguns têm mais ritmo, outros mais coordenação e outros, bem, tem vontade, pelo menos. Não acho que chegaremos à uma companhia de dança, mas tenho certeza que vamos nos divertir bastante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Na nossa turma tem um colega, aquele mesmo do "você peidou!", que adora tirar uma onda de Richard Gere em "Dança Comigo". Ele freqüenta as aulas no turno da noite e não perde uma oportunidade de mostrar seus talentos, mas não falou nada em casa para a mulher sobre o curso. Num dia desses, um canal aberto da TV exibiu o citado filme. Ele fez de tudo para dispersar a esposa, mas não conseguiu tirá-la da frente do televisor no horário marcado. Enquanto o filme ia se desenrolando ele puxava outros assuntos, mas a patroa parecia hipnotizada pela fita e enquanto assistia, comentava: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Mas olha o papelão que esse homem está fazendo, dançando por aí escondido da mulher e da família. Não vê que isso é um absurdo? Ah se fosse comigo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Ele, cada vez mais encolhido na poltrona, tentava convencê-la: - Veja bem, ele não está fazendo nada de mais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Não tenho dúvidas que a atividade proporciona muitas coisas salutares, que vão além de uma boa oportunidade de exercitar o jogo da sedução ou dar um “zig” inocente na mulher. Fisicamente favorece o equilíbrio, a coordenação, o ritmo e até a queima de algumas calorias. Contudo, acredito que os maiores benefícios são relativos a auto estima. Numa sala espelhada você se vê mais, melhora uma postura aqui, dá um jeitinho no cabelo ali, observa seu movimento, sua silhueta, se conhece, se aprecia. De modo geral, com espelhos ou não, temos a oportunidade de vivenciar um conjunto de situações que nos torna mais íntimos com nós mesmos. São detalhes, às vezes coisas que passam despercebidas, mas que ajudam a transpor o muro da timidez e fortalecer a autoconfiança. Paralelamente, num movimento antagônico ao da percepção de si mesmo, também faz o favor de nos expor, com direito a alguns deslizes, propiciando uma descontraída integração com os demais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Dançar sincronizado com vasto repertório de passos, dançar o feijão com arroz levando umas pisadas aqui e ali. Dançar rápido, dançar lento, dançar para dar show, dançar para consumo próprio, acompanhado ou desacompanhado. Não importa muito, o importante é dançar para se divertir, para ousar, para transpor, para se permitir. Ei, e quanto a você que está aí muito bem acomodado nesta cadeira, também vai dançar?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-8504466090075331983?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/8504466090075331983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=8504466090075331983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8504466090075331983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8504466090075331983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/09/e-voce-tambem-vai-dancar.html' title='E você, também vai dançar?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb5zjKrNAI/AAAAAAAAAE4/OQsTKqE7N5w/s72-c/images+%284%29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-608875630738148543</id><published>2009-09-23T16:27:00.002-03:00</published><updated>2012-01-14T21:28:13.894-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Negro Gato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb7opajaFI/AAAAAAAAAE8/ZDbT4kiwHrY/s1600/negro+gato.jpeg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb7opajaFI/AAAAAAAAAE8/ZDbT4kiwHrY/s1600/negro+gato.jpeg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;"Eu sou um negro gato de arrepiar &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Essa minha história é mesmo de amargar &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Só mesmo de um telhado, aos outros desacato &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Eu sou um negro gato &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Eu sou um negro gato". &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 18px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Lá ia ele cantando. Na verdade a afinidade ia além do gosto pela melodia. Um negro gato era exatamente o que ele era: um bichano de pêlo curto e negro, estatura mediana para a espécie e uma soberba em nada compatível com a realidade. Falador, articulador e muito hábil no network , há algum tempo era considerado como um procurador dos interesses da comunidade “miante” do bairro, apesar de estar longe de ser uma unanimidade. Recentemente havia tomado para si a responsabilidade sobre a reforma do "beco da PGE". Nada a ver com a prestação de um serviço comunitário ou algo semelhante, ele pensava no upgrade que isso poderia render em seu status. Assim, tornou-se o maior militante da causa.&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O beco da PGE era o mais freqüentado ponto de encontro da turma do bairro. Um local para altos conchavos, cantoria, por o papo em dia e conhecer quem de novo pintava no meio da gataiada. Ficou conhecido como beco da PGE por conta de Mafalda, uma gata malandra, típica vira-lata, que andava por aqueles arredores em épocas passadas. Ela costumava dar golpes nos colegas, além de provocar a ira dos humanos, roubando quitutes deixados a vista por qualquer janela entre aberta. Certa vez, Francesco, um cozinheiro italiano de uma cantina do beco, conhecido por sua pouca paciência com os bichanos, deixou uma almôndega de isca sobre o balcão da cozinha, enquanto fervia um caldeirão de água. Quando Mafalda apareceu, não deu outra, despejou sobre ela a água fervente que, por sorte, pegou de banda. Desta vez não teve malandragem certa, Mafalda ficou “cheia de cheios e vazios”, parcialmente pelada. A bicharada, que não engolia muito a senhorita, não perdoou, e batizou o beco: "beco da &lt;b&gt;Pobre Gata Escaldada&lt;/b&gt;", que mais tarde foi abreviado para "beco da &lt;b&gt;PGE&lt;/b&gt;". &lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A empreitada da reforma era realmente grande. O beco precisava de tudo: reorganização do lay-out dos latões de lixo, penumbra adequada, isolamento acústico para possibilitar as serestas até altas horas e por aí vai. O Negro Gato contava com algumas parcerias. Tinha Tássio, um gatinho mestiço, rechonchudo, muito boa praça, que fazia o meio de campo com a comunidade, já que o Negro Gato não contava com a simpatia da galera. Os dois juntos lembravam Manda-Chuva e Batatinha, um sempre mandando e o outro sempre obedecendo, mesmo que a sabedoria notadamente não residisse na fonte do comando. Contudo, sua maior aliada era Sandra Espatódia, uma gata refinada, quase legítima angorá que, por qualquer contra-tempo, descia do salto e armava um barraco. Diziam as más línguas que ela tinha vivido um romance tórrido com o Negro Gato, que acabou com bate-boca e pancadaria de fundo passional, deixando o Negro Gato em recesso para reabilitação física durante algum tempo. Verdade ou não, o fato era que ele demonstrava um certo medo da dona. Apesar do grande interesse e empenho do trio, nenhum deles entendia nada do ofício. Tássio, bem relacionado, propôs que pedissem ajuda, e foi ele mesmo que sugeriu o nome: - Por que não falamos com Anita?&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Anita era uma gata tímida, moradora da rua de cima, que nada investia em marketing pessoal, mas reconhecida pela extrema competência na área. Entre outras coisas, foi a mentora intelectual da reorganização do lay-out do "Beco das Flores", a projetista da reforma da "Esquina da Pata Suja" e a principal responsável pela revitalização da "Baixa do Corre do Tamborim", com o trabalho premiado pela UNICAT e destaque na revista Felino's News.&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A idéia foi prontamente aceita, apesar das desconfianças de Sandra Espatódia. Tássio se incumbiu de agendar uma reunião. No dia marcado, lá estavam os três esperando quando surgiu Anita do outro lado da rua, com os sedosos pêlos brancos no balanço da leve brisa que soprava. Aquilo para o Negro Gato foi a visão do paraíso, seu queixo caiu alguns centímetros e foi impossível evitar a baba. Era como se tudo em volta estivesse congelado e só existisse Anita, atravessando a rua em movimentos lentos e graciosos. Acordando do transe, se recompôs rapidamente, reorganizou a postura, estufou o peito e partiu em direção à visitante, cheio de clichês, patas e dedos. Aquilo de cara assustou Anita que, apesar de simples, tinha o comportamento de uma "aristogata".&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;As reuniões foram sucedendo-se com muitas indefinições e algumas contribuições da comunidade. Mais latas de lixo ou menos latas? Ia ser prevista a circulação de roedores, com algum entretenimento relacionado, tipo pegue-e-pague, ou não? Já se falava até em erguer um monumento à Mafalda, a "Pobre Gata Escaldada". Neste ínterim, o Negro Gato, cada dia mais encantado, não perdia qualquer oportunidade de roçar os pêlos em Anita e ronronar próximo aos seus ouvidos. Ela, com total asco, fugia "como o diabo foge da cruz", mas a situação já estava chegando num ponto insustentável, agravada ainda mais pelas escancaradas demonstrações de ciúmes de Sandra Espatódia. O Negro Gato sacava tudo e com habilidade atiçava a discórdia que massageava seu ego doentio. Tássio, com excelente humor e senso de oportunidade, amenizava o clima e o trabalho ia se desenrolando. Aparentemente a situação parecia equilibrada, mas Sandra Espatódia era ardilosa e, enquanto forjava uma atitude mais calma, armava um plano para atingir sua arqui-rival. &lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Anita, apesar de circular livremente pelas ruas, era a queridinha de uma madame moradora de um dos mais tradicionais edifícios do bairro. A senhora mantinha em seu luxuoso apartamento uma almofada confortável de penas de ganso, sempre limpinha, para o deleite de sua pequena. Por conta disso, Anita carregava no pescoço uma medalhinha de identificação, o que liberava sua passagem nas dependências do prédio e lhe dava um ar ainda mais distinto. Contudo, já haviam alguns dias que a tal medalha andava perdida, e isso deixava a gata angustiada.&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Quando chegou o primeiro dia de lua cheia do mês, uma turma de gatos não identificados armou na frente da residência da madame uma algazarra sem precedentes. A cantoria e bateção de latas perdurou até altas horas da madrugada. A viatura da polícia esteve no local duas vezes, tentando dispersar o movimento, sem obter sucesso. Ao amanhecer o cenário era catastrófico. As latas de lixo estavam reviradas e havia resíduos de natureza diversa espalhados pela rua, passeio e até entrada da portaria. No meio de tudo, foi achada a medalhinha de Anita. A sentença do síndico e conselheiros do prédio foi imediata: Anita estava terminantemente expulsa daquela Maison. Enfim o mistério que tanto lhe preocupava foi esclarecido, sua medalha desaparecida estava com Sandra Espatódia, que soube usá-la muito bem. Desolada, a gatinha saiu meio sem rumo, cantarolando em murmúrios melancólicos:&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"De manhã eu voltei pra casa&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Fui barrada na portaria&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sem filé e sem almofada&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por causa da cantoria" &lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;i style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Ainda fragilizada, ela levantou a cabeça e tocou a vida, mergulhando fundo na reforma do beco da PGE. Conciliou interesses, harmonizou propostas e fez questão de cuidar sozinha do tão esperado monumento à Mafalda. No dia da inauguração estavam todos lá: a gataiada do bairro, os amigos, a imprensa e até algumas autoridades. O beco estava irreconhecível, sofisticadamente lindo e original. O Negro Gato não podia conter-se de tanto orgulho. Todos o congratulavam apesar de terem absoluta convicção de que a mente pensante por trás de tudo era a de Anita. A inauguração do monumento à Mafalda, que estava coberto por um manto encarnado, era o momento mais aguardado da festa, e seria uma surpresa para todos, já que Anita providenciou tudo sozinha. Na hora marcada, o Negro Gato pegou o microfone e, após um enfadonho discurso de auto-promoção, anunciou com toda a pompa e circunstância a homenagem à gata que deu o nome ao beco, puxando com um movimento brusco o manto que cobria a escultura. Foi quando ouviu-se um longo "oooohhhhh!!!!!", seguido de risos e muitas gargalhadas. &lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Para o espanto geral, a escultura retratava com impressionante perfeição a imagem do Negro Gato vestido com uma ceroula, na fisionomia uma expressão de dor e medo, encolhido numa postura ultrajante para o gênero masculino, tentando se proteger de Sandra Espatódia. Esta, na obra de arte, estava em posição ameaçadora, com os olhos explodindo em ira, trajando um babydoll dois números abaixo do seu, com os pêlos enrolados em bobs e segurando um rolo de macarrão, que usava para espancar o Negro Gato. A imagem era grotescamente real. Aproveitando o burburinho e galhofada que a surpresa gerou, Anita saiu à francesa com um doce gostinho de vingança na boca, enquanto ensaiava timidamente alguns passos e cantava:&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-style: italic; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Nós gatos já nascemos pobres&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Porém, já nascemos livres&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Senhor, senhora, senhorio&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Felinos, não reconhecerás" &lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;O beco da PGE continua um sucesso incontestável, divertido, polêmico e formador de opinião. Dizem até que foi em suas noitadas que foram lançados pelo menos dois dos principais candidatos ao mais alto cargo do Estado. Contudo, a sigla do aclamado beco, com todo respeito à memória de Mafalda, sua musa inspiradora, tem novo significado em homenagem a suas mais recentes celebridades, sendo hoje, então, "o beco do &lt;b&gt;Pobre Gato Espancado"&lt;/b&gt;.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 21px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-608875630738148543?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/608875630738148543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=608875630738148543' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/608875630738148543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/608875630738148543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/09/o-negro-gato.html' title='O Negro Gato'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNb7opajaFI/AAAAAAAAAE8/ZDbT4kiwHrY/s72-c/negro+gato.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-1655087102288637116</id><published>2009-09-02T17:32:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T21:27:16.852-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>Atividade Alternativa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Recentemente, num curso de pós, a professora de "Sistemas das Organizações" foi categórica em afirmar que devemos ter uma atividade alternativa à nossa atividade oficial, e que, de preferência, esta atividade deve ter pouco ou nada a ver com nossa profissão. Segundo ela, o mercado de trabalho hoje é muito dinâmico e ninguém está seguro onde está, podendo vir a ter que se adaptar à funções pouco afins com as que exerce atualmente. Além disso, atividades diferentes oxigenam nosso cérebro e sempre abrem novas possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande barato do estudo continuado é justamente esse, permanecer disposto a sacudir nossas idéias e paradigmas, mas esse toque não foi exatamente uma revelação para mim. Profissionalmente abracei a carreira de arquiteta, apesar de hoje muito pouco arquitetar e exercer mais uma função de gestora de projetos da área. Mas como alternativa profissional nunca almejei paisagismo, &lt;i&gt;design&lt;/i&gt;, decoração ou qualquer coisa que passasse perto da arquitetura. Na verdade, me entreguei a delírios muito diferentes e nada ortodoxos. Sonho ser patinadora de supermercado, aquele pessoal que fica agilizando o vai e vem de produtos pelos corredores da loja. Imaginem, ser paga para passar o dia inteirinho deslizando sobre patins num piso lisinho como uma peruca depois da chapinha, desviando de uma prateleira aqui, de um cliente ali. É a glória! Também considero com carinho a idéia de ser bailarina de banda de música de grande sucesso. Tenho uma certa intimidade com a dança e, sobretudo, adoro o ofício. Então, nada melhor do que unir o agradável ao rentável. Acordar pela manhã com a dura tarefa de ter que dançar por horas ensaiando, concluindo o dia com uma apresentação para alguns milhares de pessoas gritando enlouquecidas pelo show. Se não bastasse tudo isso, ainda ter que viajar em turnês pelo país e até pelo exterior. Parece um sonho. Por mais bizarro que possa parecer, quando entro neste transe só me vem à cabeça a banda "Calypso" com seu frenético tecnobrega. Cada um tem o sonho que merece. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;Contudo, os fatos têm revelado que não sou a única acalentar o sonho de atividades desconexas com a oficial. Vejam o caso daquela professorinha de Salvador, que durante o dia dedicava-se candidamente ao magistério para a primeira infância em uma escola particular da capital baiana, e à noite, ao apagar das luzes, se liberava ao som do pagode "todo enfiado" na picante casa de shows Malagueta. Reconheço que seus remelexos estavam longe de ser um inocente ofício, mas nesta história não consegui ainda identificar o que é mais deplorável. Se é a própria coreografia ou se é a nojenta hipocrisia da mídia e da sociedade, que ora festeja o estilo musical e suas coreografias vulgares e ora, sedentos de notícias sensacionalistas e seus respectivos "Judas", aclamam a mulher como inimiga pública número um, num uníssono "joga pedra na Gení", adormecendo no esquecimento escândalos políticos muito mais ofensivos para a moral e os bons costumes. Opiniões a parte, a gente tem que reconhecer: a moça tinha um certo talento para o &lt;i&gt;show business&lt;/i&gt;. Com a celebridade alcançada depois do &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; no "You Tube" e as mais de cem mil visitas, acho que a garota considerou a possibilidade de tornar esta a sua atividade principal, fazendo a extravagância de atuar paralelamente, na surdina, quem sabe, como docente do ensino infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem, contudo, aquelas atividades que não são programadas, nunca foram objeto de desejo e não tem nenhum glamour, mas quando menos se espera o talento bate a porta de uma forma tão contundente que fica difícil ignorar. Assim aconteceu com uma amiga. Ela estava indo muito bem na sua vida profissional no serviço público, com o trabalho reconhecido e grandes perspectivas de crescimento. Dinheiro também não era o problema, e a vidinha seguia seu curso de forma muito tranqüila, beirando o enfadonho. Em um belo dia, quando chegava para a labuta, se deparou com alguns colegas de trabalho cumprimentando outro colega. Alegre e solícita como sempre, de longe veio pulando e cantando:.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- "&lt;i&gt;Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida&lt;/i&gt;".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Quando alcançou nosso amigo, pulou sobre ele com um forte abraço e alguns beijos. Não contente, sem dar tempo para o cara sequer respirar, emendou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "&lt;i&gt;A chuva cai, a rua inunda, ô fulano eu vou comer seu bolo. É vatapá, é carurú, ô fulano eu vou comer o seu bolo&lt;/i&gt;."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acabou, ofegante com tanta felicidade e diante dos olhares estupefatos dos demais, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sabia que era o seu aniversário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é! - Respondeu ele, continuando: - foi meu pai que morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do absurdo da situação, o mico quebrou o clima e relaxou inclusive nosso colega em luto. A história correu os corredores da empresa e, tratando-se de uma pessoa tão sensível e inteligente, pensamos todos que ela havia, a duras penas, aprendido a lição. Como a gente se engana com as pessoas. Poucos meses depois, novamente quando chegava para o trabalho, ao abrir a porta viu duas colegas de trabalho abraçadas. Sem pensar duas vezes, já saiu gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amiiiiiga, não sabia que era seu aniversário. "&lt;i&gt;É big, é big, é big, é big, é big! É hora, é hora, é hora, é hora, é hora! Ah! Tchim! Bum! Êêêêêê!!!!!!!"&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;A louca foi tão segura nas suas afirmações que acabou confundindo todo mundo. A que estava sendo abraçada virou para a que estava abraçando e perguntou: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;- É seu aniversário?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;- Não! - Respondeu ela. - É seu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Não!&amp;nbsp; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;Foi só então que a desvairada resolveu perguntar: - Então qual é o motivo de tanto abraço?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;A abraçada respondeu: - Foi meu irmão que morreu!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;A trapalhada foi tanta que a história chegou a mim por nossa colega que havia perdido o ente querido, confessando que, apesar de tudo, também deu suas risadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Diante da repercussão dos "causos" e os consecutivos comentários e incentivos, minha amiga começou a vislumbrar a possibilidade de lucrar com seus talentos naturais. Não demorou e apareceu logo uma candidata à sócia que, com talentos semelhantes, costuma atrapalhar-se nos cumprimentos das cerimônias fúnebres, distribuindo parabéns para todos os parentes do defunto. As duas abriram uma empresa que tem a finalidade de animação de velórios, enterros, missas de sétimo dia, cerimônias de cremação e semelhantes. Os negócios vão de vento em pôpa e as empresárias já estão estudando a possibilidade de abrir franquias com a venda do &lt;i&gt;know-how&lt;/i&gt;. São realmente garotas empreendedoras. Admiro a criatividade e atitude, mas peço a Deus não ter a oportunidade de prestigiar seus serviços tão cedo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-1655087102288637116?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/1655087102288637116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=1655087102288637116' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1655087102288637116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1655087102288637116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/09/atividades-alternativas.html' title='Atividade Alternativa'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-4817939277723270154</id><published>2009-07-22T15:36:00.001-03:00</published><updated>2011-01-08T10:42:35.230-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Corta o cabelo de onde?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 21px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Todo mundo passa por aqueles dias que é melhor não abrir a boca. Com a maior parte das pessoas isso acontece um dia ou outro. Comigo é mais freqüente. O problema maior é que a gente nunca sabe quando acordou com esta pré-disposição. Tanta tecnologia disponível e ninguém se tocou de bolar um alarme no celular para nos prevenir nesses dias sombrios. Ou talvez "os céus" pudessem nos proteger das derrapadas com inspirados presságios. Seja como for, alguém precisa tomar uma providência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não me dou muito bem com os celulares e não costumo ser abençoada com tais revelações divinas, lá vou eu toda serelepe e desavisada para mais um dia de trabalho. Passei o dia até bem e parecia que ia voltar para casa sem nenhuma seqüela. Era o quê parecia. Lá pelo final da tarde, conversava com minha chefona, que é mais ou menos um feitor dos tempos modernos. Quando trocávamos algumas figurinhas chegou Aragon, nosso colega de trabalho. Só para ilustrar o tamanho da trapalhada que vem pela frente, vou descrever nosso personagem. Aragon é um engenheiro de segurança de cinqüenta e poucos anos, sério e muito tímido. Para termos uma idéia, ele fala de boca fechada. Quando está muito nervoso e alterado chega a abrir a boca cinco milímetros e meio e, se chegarmos a dez centímetros da fonte emissora do som, é até capaz que a gente consiga ouvir 70% do que ele fala. É um bom profissional, mas bem mais eloqüente na escrita. A “chefa” tinha alguns assuntos pendentes com ele e na mesma hora tirou o chicote do cinto e começou a cobrar os desdobramentos dos serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois seguiram debatendo os assuntos de trabalho. Na argumentação, Aragon, que normalmente é muito contido, gesticulava com as mãos na altura do baixo abdômen e região pubiana, com movimentos curtos e lentos. Como a conversa não era mesmo comigo, me permiti abstrair perdida nos meus pensamentos. Isso, para uma mente intelectual, significa absorver-se entre assuntos relevantes para a humanidade. Para uma cabeça loura, como é o meu caso, significa "só pensar besteira". Então, comecei a viajar nas mãos de Aragon, observando que seus dedos eram bem cabeludos, o que me lembrou um lobisomem ou, talvez, Tony Ramos, que é mais ou menos a mesma coisa. Era meramente uma observação, que faço questão de registrar que não me remeteu a nenhuma fantasia. Aprofundando-me mais na questão de alta complexidade, notei que, em uma das mãos, os dedos indicador e médio tinham os cabelos menores, como se tivessem sidos aparados. Totalmente alheia ao ambiente e às circunstâncias e, pior, no auge do meu surto delirante, usando um papel tipo ofício que tinha na mão, apontei para as mãos de Aragon, que nesta hora estavam na altura da região pubiana, e perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você corta o cabelo daí?????&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora você, caro leitor, com todo o seu poder de imaginação, realize a cena. Imediatamente percebi o fora que tinha dado, mas a besteira já estava feita. Minha chefe, que estava de lado, como se estivesse em um filme em câmera lenta, virou a cabeça na minha direção e levantou o mais alto que pôde a sobrancelha de apenas um dos olhos. Sobre sua cabeça surgiu instantaneamente um balão com uma enorme interrogação mãe, rodeadas por inúmeras "interrogaçõeszinhas" filhas, brincando de roda em volta da genitora. Aragon, coitado, um pouco tonto ainda, lentamente baixou a cabeça e levantou a camisa, dando uma averiguada em sua calça. Sou capaz de apostar que ele pensou que estava com o zíper aberto. Quanto a mim, não me contive, desabei numa crise de riso, sem conseguir pronunciar uma palavra que pudesse explicar o ocorrido. Cinicamente, a chefona ainda teve o desplante de perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês querem que eu saia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma amiga dessas, quem precisa de inimigos? Continuei tentando pronunciar alguma coisa que pudesse ser entendida, mas os risos não deixavam, saindo apenas palavras cortadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nã-nã-não! - Dizia eu enquanto apontava as mãos dele, mas acho que isso só fazia piorar tudo. Meu colega, sem entender nada e expressando um certo medo de mim, já dava alguns pequenos passos para trás. Por fim, ainda sem parar de rir, consegui falar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou falando dos dedos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chefinha saiu rindo e Aragon, assombrado pelo terror de ficar sozinho comigo, bateu em retirada com passos largos e apressados. Fiquei enxugando as lágrimas da crise de riso, mas ainda sem conseguir parar de rir. No carro, voltando para casa, ia pensando uma maneira de esclarecer o mal-entendido, antes que os demais técnicos do órgão, avisados sobre minha excêntrica curiosidade, viessem todos me falar sobre seus hábitos higiênicos e seus cortes de preferência.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-4817939277723270154?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/4817939277723270154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=4817939277723270154' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4817939277723270154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4817939277723270154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/07/corta-o-cabelo-de-onde.html' title='Corta o cabelo de onde?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-456339652949728328</id><published>2009-07-17T10:07:00.001-03:00</published><updated>2011-01-07T17:46:58.451-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Talento para pular a cerca</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 180%;"&gt;Tudo na vida é uma questão de talento. Talento para a música, para representar, para cozinhar e até talento para "pular a cerca". Algumas pessoas trazem esse talento nato; outras conseguem desenvolver ao longo da vida. Por outro lado, existem aquelas que, coitadas, é melhor nem tentar. No meu caso, não posso reclamar, este é um talento que não me falta. Ei, antes que as mentes maliciosas comecem a fazer mau juízo, vou esclarecer. Estou falando daquela cerca com um monte de pauzinhos enfileirados, ligados por arame, só isso. Quanto a algumas amigas, não posso dizer o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um belo dia desses, minha querida chefinha, Helen, me pediu carona na saída do trabalho. Helen é uma mulher alta, de um porte "mais ou menos" atlético, mas com uma desenvoltura física equivalente a de um lutador de sumo aposentado. Como o carro estava um pouco longe, sugeri que pulássemos uma pequena cerca para cortar caminho. Isso foi um processo. Levei alguns minutos para convencê-la que era uma ação segura, rápida e que podia, inclusive, ser divertido. Claro, tive que jurar que não havia, na história daquele estacionamento, nenhum registro de acidentes mortais com a bendita cerca. Quase convencida, ela topou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro fui eu. Passei por umas "agaves", uma plantinha que parece um ouriço do mar, sem maiores prejuízos, pulei a cerca rapidamente e fiquei do outro lado esperando-a. Entre tantos "uis", "ais" e "ai meu Deus", saiu um longo "eu acho que não vou conseguuuuuiiiiiir!!!!!!" Para socorrê-la, segurei todas as suas tralhas, abaixei a cerca e apoiei sua mão. Com a ajuda, a atleta foi até ágil e não demorou mais do que dez minutos para transpor seu obstáculo. Para incentivar, falei só uma mentirinha: - você foi muito corajosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um suspiro aliviado e cheio de orgulho, Helen saiu andando ao meu lado. Achei que o assunto estava encerrado, mas enquanto íamos pelo passeio, ela me olhou com uma cara de choro, de dar pena, e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquela planta me furou e tem alguma coisa escorrendo na minha perna. - Já aos prantos, ela continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que é saaaangue!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é isso minha gente? Uma mulher com quase um metro e oitenta e mais os quinze centímetros de salto chorando porque se espetou numas plantinhas? Achei um exagero tremendo, mas para não parecer completamente insensível com suas lágrimas, fiz uma fingida cara de preocupada e, pegando em seu ombro, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, deve ser impressão sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entramos no carro, ela levantou a barra da calça e, para a minha surpresa, a perna estava toda desgraçada e o sangue escorria. Que miséria era aquela? Como a criatura conseguiu esta proeza é um mistério que deixaremos para o universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos no carro com ela choramingando e reclamando. A minha vontade era de mandá-la engolir o choro e manter a compostura, mas, como uma boa amiga solidária, ia dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma Helinha, já passou, já passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais que uns três minutos depois que havíamos saído, Helen, completamente transtornada e fora de si, deu um berro e começou a se saculejar toda gritando: - ai! ai! ui!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei morrendo de medo. Não fazia idéia de seu elevado grau mediúnico e das inesperadas incorporações de espíritos comunicantes. Em fração de segundos a mulher arrancou a roupa ficando só de sutiã dentro do carro. Para mim, era a visão do inferno, mas uma platéia masculina até apreciaria a dona de sutiã se remexendo como uma dançarina indiana, até que, enfim, ela conseguiu pronunciar algo inteligível:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem um bicho na minha roooooupa!!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, realmente, o que faltava. Eu já havia pulado a tal cerca algumas dezenas de vezes e nunca tive qualquer surpresa. Com Helen, tudo aconteceu. Ela continuou sacudindo a roupa até que conseguiu pegar o inseto. Nesta hora os dois atracaram-se numa luta bárbara, misto de um espetáculo de gladiadores e um evento de "Vale tudo". O bicho, no alto dos seus dois centímetros e meio, levava uma pequena vantagem, mas Helen, guerreira, não desistia. Preocupada, falei qualquer coisa que desviou a atenção do coitado. Aproveitando-se da situação, numa ação não muito leal, ela desfilou o golpe fatal, vangloriando-se com uma gargalhada mais aterrorizante do que a da madrasta da Branca de Neve, quando enfim conseguiu que a pobre menina comesse a maçã. Agora estava eu em um carro com uma mulher seminua, toda descabelada, e um defunto. Se não bastasse toda a situação, a louca ainda ia me acusando de arriscar sua vida expondo-a em aventuras no mato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem muito escrúpulo, desovamos o cadáver num matagal e fui deixa-lá. Por fim, ficou a moral da história: se tem uma criatura que pode deitar a cabeça no travesseiro e dormir como um anjo é o companheiro de Helen, porque a dona não tem o menor talento para "pular cerca". Já o meu amor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-456339652949728328?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/456339652949728328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=456339652949728328' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/456339652949728328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/456339652949728328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/07/tudo-e-uma-questao-de-talento.html' title='Talento para pular a cerca'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-1556852962336690722</id><published>2009-07-14T17:04:00.001-03:00</published><updated>2011-01-09T10:08:41.143-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Buzu</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;Oi, oi, oi. Esse texto não é meu. Como um espaço aberto e democrático, abro o blog, pela primeira vez, para a publicação de um texto de terceiros. Após uma rigorosa seleção, com inúmeros participantes, foi escolhida a crônica da autora anônima "&lt;strong&gt;Nice Maria&lt;/strong&gt;". Aproveitem.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;Era mais um daqueles dias de trabalho estressantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Estávamos todos atarefados, com o nosso ritmo incansável, recebendo e despachando processos, analisando projetos, entrando em contato com Secretarias, enfim, mais um dia onde o stress sucabiano reinava. Até que recebemos um e-mail que mudaria a nossa rotina para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa querida coordenadora de pesquisa Marly, sempre tão atenciosa, nos escreveu, informando de maneira muito sutil, que "tinha um buzão que passava por aqui todo dia na hora do almoço pra pegar o povão pra bater perna no Shopping". (para manter o sigilo da informação, não citarei o nome do shopping, apenas direi que fica na Paralela). Na hora não demos muita atenção, pois estávamos todos muito absortos no nosso trabalho. Porém, no decorrer da manhã, a notícia foi se espalhando tal como gripe suína, até que a secretária Martha nos deixou mais animados com uma notícia importante: "o buzu tem ar condicionado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, já estávamos organizando uma pequena excursão para o local. Já tinha até gente cobrando passagens ("É R$4,00 em pé e R$9,00 sentado, e não aceito vale transporte"). Meia hora antes do combinado para a saída do coletivo, já estávamos enfileirados na saída do departamento. A secretária, sempre muito solícita, cumpriu a sua missão de guia turística e nos aconselhou a correr e ficar na frente da CERBE, do outro lado da rua, para pegarmos o ônibus mais vazio. Na ânsia de sentar nos melhores lugares, saímos a 40 km por hora (de escada, porque o elevador estava demorando) e nos pusemos de pé no nosso posto, ou melhor, no nosso ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte e cinco minutos depois, já achando que havíamos perdido o ônibus, eis que surge o tão esperado objeto de nosso desejo: enorme, reluzente sob a luz do Sol, e com um letreiro vermelho escrito: "Shopping //" - o Buzu. Subimos a escada que daria acesso ao magnífico exemplar automotivo, e fomos andando bem devagarinho para saborear a sensação de ter um ônibus leito só nosso. Chegando ao interior do automotivo ficamos extasiados com a maciez dos assentos, ao som de "olha que lindo, dá até pra tirar um cochilo aqui ó". Tínhamos até televisores - tá certo que não funcionavam, mas estavam lá, e eram da Sansung. Maravilhada com a experiência, nossa colega Ana Maria tirou várias fotos para postar no Orkut. Após percorrermos toda a rota do Centro Administrativo para captar mais servidores públicos para o shopping, finalmente o ônibus seguiu o seu destino. Chegamos ao local em menos de 15 minutos, ainda comentando a maravilha que seria se todo o sistema de transporte coletivo fosse assim, e lamentando as perdas financeiras que as montadoras de carros iriam sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almoço foi muito produtivo: comemos uma gororoba rápida, porque já era meio-dia e meia e só tínhamos pouco mais de 1 hora para arrastar o sári (senão perderíamos o buzu). Porém, passamos a maior parte do tempo comprando bijuterias economicamente viáveis em uma loja "chiquerésima". Lição nº1: nunca dê menos de 1 hora para um funcionário público estressado fazer compras. Cinco minutos antes do horário combinado, já estávamos todos amontoados na entrada do shopping, atentos a qualquer movimento suspeito. A essa altura, a movimentação de pessoas saindo era grande. Até que nossa colega Joana solta uma expressão no tom mais alto da sua voz de soprano: "GENTEEE, O NOSSO BUZÃO TÁ LÁ FORA, TÁ SAINDOOOOO!!". Evidentemente, todos os olhares se voltaram em nossa direção. Discreta como sou, procurei ignorar o acontecido, mantendo o passo numa cadência constante, tal como aconselharia Glorinha Kalil no Fantástico ("aconteça o que acontecer, nunca saia do salto"). Porém, Joana pareceu não entender direito a gravidade da situação, pois continuou dizendo "BORA, GENTE, O BUZÃO VAI SAIR E VAI NOS DEIXAR AQUI!!!". Nossa querida coordenadora Helen, sempre uma pessoa tão moderada e sensata, de repente pareceu sentir o peso da idéia de ficar presa no shopping eternamente, até que o próximo ônibus viesse no dia seguinte para resgatá-la. Por isso, com essa idéia fixa na cabeça, começou a correr e gritar histericamente: "VAMOS CORREEEEEEER, VAMOS LOGOOOOOO", enquanto Joana corria logo atrás e acenava para o motorista: "Ô MOTOR, NÃO SAI NÃO, A GENTE TÁ SAINDOOOO". Era uma visão do inferno aquela mulherada correndo, gritando e se descabelando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muita classe, consegui chegar primeiro à porta do coletivo. Elegantemente, fui subindo as escadas, até que algo atrás de mim caiu no chão como um gigante saco de batatas. Era Helen, no alto de seu 1,85m de altura (se somado o salto 15 que usava), despencando na escadaria de acesso ao buzu. Sacolas de compras voaram, óculos Pierre Cardin da 25 de Março foram se estilhaçando pelo chão. Todos nos entreolhamos, assustados, pensando que algo terrível tivesse acontecido. Após alguns intermináveis segundos, nossa amadinha levantou a cabeça lentamente, sussurando: "eu e-estou b-bem... caí..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém em sã consciência poderia imaginar a vergonha que sentimos naquele momento. Milhares de pensamentos passavam pelas nossas cabeças: "vou fingir que não a conheço", "se eu tivesse filmado isso, mandaria pro Faustão", "ela não deve ter tomado o seu remedinho hoje". Constrangidos, passamos toda a viagem de volta sem dar um pio, refletindo até que ponto uma pessoa poderia cair - literalmente. Logicamente, a meliante em questão fingiu estar dormindo o tempo todo, até voltarmos ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, a nossa odisséia pareceu ter uma ótima repercussão. Estranhamente, até o nosso coordenador Emanuel, que nem sabe o que é um ônibus, já se comprometeu a ir conosco na quinta-feira. Talvez até o diretor queira ir também, afinal de contas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, fica somente uma lição: espírito de pobre e de louco, todo mundo tem um pouco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-1556852962336690722?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/1556852962336690722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=1556852962336690722' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1556852962336690722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1556852962336690722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/07/o-buzu.html' title='O Buzu'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-1433475151347201978</id><published>2009-07-05T19:13:00.000-03:00</published><updated>2010-06-28T13:29:28.108-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Memórias de viagens III: em trupe para Gramado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Se o casal de paraíbas viajando sozinhos protagonizam uma lista razoável de mancadas, imagina quando decidem sair em família. Foi o que aconteceu no último feriado de São João.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A turma, bastante eclética, tinha um grupo de crianças com três meninas, Gabi (8 anos), Cacá (6) e Lulu (6); os adolescentes e jovens adultos, com Nathália (14), Bruno (16), Paulinha (20) e Nanda (22); e os adultos, que acho desnecessário identificar as idades, com o casal Lula e Wilma, Luíza, a matriarca do grupo, e o casal de paraíbas. Ele, o paraíba, como sempre, elegeu-se o chefe da excursão, através de processos não muito legítimos. Ela, a paraíba, foi de curtição. O destino: uma semana em Gramado-RS. Mas essa aventura tem muitos capítulos, e para facilitar, vamos fatiá-la. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:180%;"&gt;Capítulo I: Chegando Lá. Opção: "com emoção"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O grupo viajou dividido em dois. Passada a rotineira agonia do embarque, com os atrasos costumeiros e um congestionamento de gente no aeroporto de Salvador como eu nunca tinha visto antes, nos acomodamos no avião, ocupando nossos lugares marcados, a exceção de Paulinha, que conseguiu uma permuta com outro passageiro para ficar junto com Nathália e Bruno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;No vôo, com destino Porto Alegre, era programada uma escala em Sampa. Quando a aeronave pousou, o paraíba logo levantou-se e foi dar umas voltas para esticar o esqueleto. Neste meio tempo, três rapazes, jovens e muito educados, chegaram junto do trio Bruno, Nathália e Pulinha, e disseram, tranqüilamente, que aqueles assentos eram deles. Nossa ala jovem, completamente avoada, não se deu o trabalho sequer de verificar as passagens. Levantaram-se imediatamente e amontoaram-se no corredor, com umas carinhas de "o quê eu faço agora?"A paraíba, com uma calma que não lhe é peculiar, desconfiou do equívoco e foi checar os bilhetes de embarque. Na verdade, as poltronas dos rapazes realmente eram naquela fileira, mas do outro lado do corredor. Apenas um, o que sentou no lugar de Paula, estava totalmente certo. A paraíba explicou para eles a confusão e os dois, sem qualquer objeção, levantaram-se, permanecendo no lugar apenas o que estava correto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Tudo tinha sido resolvido na mais completa ordem até que o paraíba, vendo tudo de muito longe e sem entender absolutamente nada, chegou intimando os rapazes, inclusive o pobre coitado que permanecia sentado no assento que era seu por direito. Nathália, totalmente sem graça, disse: "mas pai, esse lugar é dele!" A situação já estava um tanto constrangedora quando o garoto que era alvo da fúria do paraíba, mesmo estando todo certo e com uma gentileza incomum largou o golpe fatal, dizendo ao paraíba: "vocês querem ficar com esse lugar?" O paraíba, com um sorriso mais amarelo que suco de cajá, respondeu: "você faria isso?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Novamente, todos acomodaram-se nos mesmos lugares do início da viagem, mas, provavelmente, aquele "tapa com luva de pelica" ficou latejando silenciosamente no rosto do paraíba pelo resto do trajeto. Quando chegamos em Porto Alegre, o tal rapaz, todo sorridente, com uma atenção no mínimo suspeita, se deu o trabalho de ir até Paulinha, que também o recebeu com um sorriso de orelha a orelha, para perguntar se a viagem tinha sido boa. Tanta gentileza estava, enfim, explicada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Apesar de doido, o paraíba tem lá suas qualidades e, cheio de providência, tinha reservado o hotel e perdido algumas noites estudando o percurso no interativo "&lt;em&gt;google earth&lt;/em&gt;". No aeroporto, ainda se achando o dono da excursão, tratou de pesquisar o táxi e acertar tudo, e, vamos combinar, considerando que seus serviços saem por custo zero, os mesmos são até satisfatórios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Antes de sairmos em dois carros, os motoristas conversaram algo só entre eles. Quando os táxis pararam em frente ao hotel, o paraíba perguntou quanto era a corrida e começou a travar com o motora uma pequena discussão sobre o valor. Enquanto o embate inflamava-se, Wilma sentou na porta do hotel com uma fisionomia desolada e quase era possível ler num balãozinho sobre sua cabeça: "de novo não...". Lula assistia a tudo achando um pouco exagerado e Paulinha dizia: "ai meu tio".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;De modo geral, ninguém estava entendendo muito a questão. A paraíba perguntou discretamente a Lula quanto tinha sido a corrida no carro deles e, para sua surpresa, Lula respondeu: "o taxista não disse o valor, falou apenas que era o mesmo de vocês". Então, caiu a ficha: o paraíba tinha toda a razão. Os dois motoristas combinaram para arbitrar um valor conforme o nível estimado de patetice dos turistas e, pelo jeito, fomos considerados de alto nível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Antes de entrarmos no carro, o motorista havia informado que o valor não passaria de "x".Quando chegamos no hotel, o taxímetro informava um valor 25% menor que "x", e o motora teve a cara de pau de cobrar 30% a mais que "x", ou seja, quase o dobro do registrado pelo taxímetro. Deixando os tais "xis" para lá, em português claro, estávamos sendo roubados. Assim, a paraíba e Lula também entraram na discussão em incondicional apoio ao paraíba. Aos poucos, os gaúchos perceberam que não seria tão fácil e recuaram, cobrando o valor correto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Ficamos nos instalando no hotel enquanto, em Salvador, o restante da turma embarcava rumo a Porto Alegre, com Luíza, Nanda, Lulu e Cacá. Para as pequenas, o avião era uma grande novidade. Logo que a aeronave decolou, Cacá informou que precisava urinar e Lulu apressou-se em anunciar: "ih, o motorista vai ter que parar o avião para Cacá fazer xixi."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;No desembarque, longe de casa mais de 3.000km, um rosto familiar era como um oásis, e Luíza logo acenou de longe, quando veio a pergunta:&lt;br /&gt;_Vó, para quem a Sra. está dando tchau? - perguntou Nanda.&lt;br /&gt;_ Não é o seu pai ali? - respondeu Luíza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Não era, mas deixa para lá. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo II: Turismo em Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;É claro que os paraíbas ainda não tinham reservado, alugado ou programado nada em relação a carro ou qualquer outro transporte para o deslocamento de Porto Alegre para Gramado, e, diante da dificuldade em conseguir qualquer coisa no domingo, a subida para a serra teve que ser adiada para o dia seguinte. Tudo bem, vamos explorar a capital gaúcha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Saíram todos muito arrumados, entre lã, couro e materiais com efeito térmico, com pelo menos quatro camadas de roupa, cada um, prevendo uma nevasca de surpreender o Alaska. Lula, um incansável atleta de maratonas, lamentou ter que ficar de pernas para cima no hotel o dia todo, mas submeteu-se a tal sacrifício para acompanhar Nanda, sua filha, que não se sentia muito bem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Mapa na mão, lá se foi o restante do grupo em direção ao centro da cidade. Na caminhada até o metrô, o paraíba, com um senso de direção apurado e uma rara habilidade em leitura de mapas, tomou a frente e, mesmo sob o protesto da paraíba, elegeu o caminho. Não demorou para perceberem a furada que haviam entrado. O passeio para pedestres logo acabou. Dividindo a rua com os carros, atravessaram túnel e entraram numa via expressa. Diante do perigo da empreitada, resolveram enfrentar o matagal, resquício da Mata Atlântica, que margeava a pista. Mas o que era uma mata selvagem, a lama nos sapatos e alguns carrapichos na roupa diante da vontade louca de curtir o passeio. Vendo tanta animação, o sol não quis ficar de fora, e nos presenteou com um calor inesperado. Com o suor escorrendo, aos poucos, como cebolas perdendo as camadas, fomos arrancando as roupas. Andamos, andamos, e nada. Não avistávamos qualquer sinal de estação de metrô, de passeio para pedestre ou mesmo de gente, a não ser as que passavam por nós a oitenta quilômetros por hora, dentro dos carros. Por mais estranho que possa parecer a cena, aquilo estava hilário, e continuamos até que Luíza, tomando a frente, declarou: "eu vou voltar!" Na mesma hora, todos a seguiram, mesmo sob o protesto do paraíba, que insistia em dizer que a estação estava logo ali na frente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Enfim na estação, chegou o metrô que nos levaria até a parada do Mercado. No rítmo baiano, começamos a ingressar no vagão um a um, até que a porta se fechou, para nossa surpresa, deixando Nathália de fora. O paraíba não contou conversa, desceu na estação seguinte para ir resgatar a filha, enquanto a outra filha, Gabi, em prantos, chamava pela irmã, achando que nunca mais a encontraríamos. O restante seguiu até a estação do mercado, para aguardar lá. Se não fosse pela preocupação e tristeza de Gabi, a situação inusitada, novamente, inspirava o riso. Apesar de tudo, como bons brasileiros, tínhamos esperança de conseguirmos passear na cidade ainda naquele dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Reunidos novamente, andamos pelo centro, fomos à Praça da Alfândega, onde entramos no Museu de Artes do Rio Grande do Sul; visitamos a praça da Matriz, passamos pelo Theatro São Pedro, o Palácio Piratini, sede do Governo, a Assembléia Legislativa, e conhecemos a Catedral Metropolitana, com uma enorme cúpula; depois, almoçamos no Galpão Crioulo. Uma parte do grupo debandou e foi conhecer também o Estádio Beira Rio e o mirante da TV. Por fim, depois de muito andar e de 327 registros fotográficos de Bruno e suas performances, terminamos o dia na Usina Gasômetro, antiga termoelétrica da cidade, à beira do rio Guaíba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Por hora, já estava de bom tamanho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Capítulo III: A Odisséia de Subir a Serra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A segunda-feira prometia ser gloriosa. Acordamos empenhados em alugar os carros, arrumar tudo e se mandar. Luíza, cheia de aitude, não esperou ninguém. Ligou para algumas empresas, escolheu a sua e alugou um Palio preto, que rapidamente foi levado até o hotel. Lula e o paraíba decidiram-se por outra locadora e tiveram que atravessar a cidade de ônibus para ir buscar o carro. Enquanto isso, ficamos todos os demais aguardando no hotel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Considerando o horário limite para o &lt;em&gt;check-out&lt;/em&gt;, fechamos a conta e ficamos com a bagagem aguardando em um pequeno estar ao lado do &lt;em&gt;hall&lt;/em&gt; do hotel. Gabi, Cacá e Lulu, que de santas não tem nada, estavam soltas, dando nó em pingo de éter. As três mexeram no computador destinado a utilização dos hóspedes e conseguiram desconfigurar absolutamente tudo. Como se não bastasse, Gabi achou no banheiro um frasco de lavanda com burrifador, para ser utilizado moderadamente dentro do próprio banheiro. Ela se encantou com o brinquedinho e borrifou lavanda em todo o hotel. Devo adimitir que ficou tudo muito cheiroso, mas a dona do hotel, que circulava por lá, pirou e saiu despejando desaforo em todos que estavam por perto. Pronto, nosso filme já estava queimado naquele hotel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;TEXTO EM ELABORAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Depois de mais de três horas de espera, chegaram os dois. Lula com um Fiat Uno vermelho, e o paraíba com um branco. O grupo se dividiu em três carros. A turma jovem não abriu mão de ir com Luíza. As pequenas foram com Lula e os paraíbas saíram sós. Tudo arrumado, fomos em direção a Gramado. No caminho, os paraíbas na dúvida entre qual rumo seguir, estacionaram o carro atrás de uma viatura de polícia em Novo Hamburgo e desceram para perguntar. A recepção foi ótima e a conversa começou a ficar animada, com gesticulações exageradas e tal. Os outros dois carros só se aproximaram depois&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Bateu o carro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Quando chegaram à Gramado, todos os contra-tempos foram compensados. A cidade é linda, realmente mais do que o esperado. Os três carros em comboio percorreram a cidade apreciando o estilo das edificações, a harmonia do urbanismo, a iluminação. Luiza, no carro com o grupo jovem, se encantava com todos os detalhes:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;- Olha, que linda aquela casa! Oh, que graça aquele restaurante. Gente, que beleza é o paisagismo. Vejam as ruas, tudo tão limpo, iluminado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Enquanto observava tudo, se afastava do centro seguindo o carro do Paraiba. Este, por sua vez, foi preciso. Com o &lt;em&gt;google earth &lt;/em&gt;decorado, deu uma volta de apresentação na cidade e seguiu para o endereço da pousada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Aguarde o restante do capítulo ...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-1433475151347201978?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/1433475151347201978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=1433475151347201978' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1433475151347201978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1433475151347201978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/07/memorias-de-viagens-iii-em-trupe-para.html' title='Memórias de viagens III: em trupe para Gramado'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-3465847062240317676</id><published>2009-06-30T11:17:00.001-03:00</published><updated>2011-01-07T17:35:13.190-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><title type='text'>Mensagem Póstuma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 180%;"&gt;Ele entrou na minha vida quase que por uma imposição. Nossos caminhos provavelmente espreitaram-se em muitas oportunidades, mas aguardaram o momento certo, mágico, para enfim, cruzarem-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheia de expectativas, iniciava uma nova página na minha vida profissional, em uma nova empresa, quando fomos apresentados. Confesso, não ouvi badalar de sinos, não senti calafrios e, posso supor, meus olhos não brilharam. Sua aparência não me atraiu e seu modo seco, impecavelmente profissional, que deu o tom de nossos primeiros contatos, não davam qualquer prenúncio da cumplicidade e afeto que alcançaríamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, como que tateando na penumbra, fomos relaxando. Eu, mais tímida e insegura no ambiente, limitava-me a assuntos de reuniões, troca de materiais técnicos e informações corriqueiras da empresa. Ele, querendo aproximação, arriscava temas sócio-políticos e piadas bizarras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, fomos nos chegando. Às vezes, com curiosidades e imagens de lugares longínquos e deslumbrantes ele me conduzia em viagens maravilhosas. Tinha também seus pontos fracos - todo mundo tem. Conseguia me tirar do sério com a insistência em me envolver em pirâmides e correntes e, pior, com a fixação em me evangelizar nos mais variados credos. Ainda assim, sua característica mais marcante era o humor. Amo quem me faz rir, quem com graça leva a vida e transforma infortúnios em momentos divertidos. Ele era assim, comigo e com todos. Extraía com perspicácia a comédia de nossa política, condição social e sexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, por falar em sexualidade, nessa área nunca houve nenhum igual. Parecia não ter medo, não ter limites. Explorava, revelava, com sutileza e sensualidade, escorregando, por vezes, também na vulgaridade. Múltiplo, contraditório, diverso, polêmico. Esse era ele, assim éramos nós. Me perdi descobrindo todos os seus mecanismos e possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, sua saúde era precária, sua estrutura genética desprivilegiada e seu sistema imunológico traiçoeiro. Como um ímã amaldiçoado atraía para si todos os vírus transeuntes. Já andava lento, disperso e, com freqüência, não estava acessível. Então, veio o golpe fatal. A liberdade de sua voz e seus pensamentos incomodou. A censura instalou o silêncio orquestrado pelo temor. Ele não resistiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, minha voz presa despede-se. Nossos amigos, em uníssono, choraram a limitação de nosso contato e agora choram a ruptura definitiva, com a imposição de sua substituição que culminou em sua morte sofrida. Descanse, sereno e convicto de que enquanto esteve entre nós foi um elo de integração e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, querido Lotus Notes, valoroso sistema amigo de intra e internet, nosso mensageiro remoto corporativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-3465847062240317676?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/3465847062240317676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=3465847062240317676' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3465847062240317676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3465847062240317676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/06/mensagem-postuma.html' title='Mensagem Póstuma'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-117493778086882750</id><published>2009-06-02T17:37:00.001-03:00</published><updated>2011-01-05T17:59:33.412-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>A Revolução depois da Pílula</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; font-size: 130%;"&gt;Outro dia eu estava em um setor da empresa que trabalho, onde também estavam mais nove colegas, todos arquitetos ou engenheiros. Analisava, concentradíssima, um projeto junto com um amigo, quando, de repente, ouvimos de uma colega:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: courier new; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"_Que bom seria se a gente, quando estivesse com muita vontade de fazer xixi e não pudesse se aliviar, tivesse a opção de entregar nossa "perseguida" para alguém fazer o favor de levar no banheiro." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho desnecessário dizer que nossa interlocutora é completamente tresloucada e autora de pérolas divertidíssimas, e que, por isso, ninguém se espantou. Contudo, a declaração teve um impacto instantâneo no ambiente. Imediatamente, os abnegados colegas da ala masculina prontificaram-se a ajudar conduzindo a "senhorita" ao toilete, mas não obtiveram sucesso. Diante da elocubração filosófica, não houve quem não quisesse participar e colaborar na tese inédita no meio acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, vamos esclarecer: não se trata, propriamente, de uma mutilação. A ação seria mais elaborada e nada dolorida. Poderia ser, por exemplo, um simples processo mecânico de "desatarraxamento", algo como rosqueamento ou fixação por pressão. A princípio, imaginar aquilo me pareceu terrível, mas o pensamento é livre, o debate estava divertido e todos sentiam-se bastante a vontade para opinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que sempre tem gente para querer se aproveitar e o instrumento poderia ser usado para propósitos menos práticos e muito menos nobres. Por exemplo, aquela classe dos maridos descontroladamente ciumentos obrigaria violentamente suas mulheres a deixarem suas perseguidas sob a permanente guarda do cônjuge. Por outro lado, a mulher, vitimada e cansada de tanta opressão, poderia alugar uma perseguida alheia para deixar sob os cuidados do marido e fazer livre uso da sua, enquanto o parceiro imagina controlar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as mulheres, solidárias como são, usarão o recurso para colaborar umas com as outras. Uma amiga bem descolada poderia levar a perseguida de outra amiga, encalhada e entediada, para dar umas voltas e quebrar a rotina. Ou talvez uma senhora, casada, em dificuldades para explicar onde deixou a "sua menina", poderia contar com a ajuda de uma amiga de fé, que juraria de pé junto que a senhora deixou a mesma com ela para ser depilada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não ficou muito claro e suscita uma cuidadosa pesquisa científica é de quem seriam as sensações proporcionadas pela "dita cuja". Seria da proprietária ou da portadora? Complicado. Se for sempre da proprietária, não importando onde a perseguida se encontre, poderia ser prático em alguns aspectos, mas, ocasionalmente, poderia também promover algumas "saias justas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos: você está numa reunião formal de trabalho. Com o modelito impecável e uma retórica eloqüente, está causando a "maior boa impressão". Empolgada, você começa a utilizar toda aquela sua lista de palavras que ninguém sabe o que significa, mas que causam o grande impacto, quando, repentinamente, enquanto sua perseguida é utilizada indevidamente em algum canto da cidade, seus "zoinhos" começam a revirar. Muita calma nessa hora. Pode-se alegar ter um alto grau de mediunidade e estar recebendo um "espírito de porco". Seja como for, o melhor é pedir licença e tratar de resgatar o que lhe pertence. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, se a sensação é da portadora, o que seria até muito justo pelo ônus de ter que carregar, cuidar e etc.,dificilmente atingiríamos aquela relação de parceria e cumplicidade que geralmente nutrimos com nossa "amiga íntima".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podemos ver, o assunto é realmente polêmico. Longe de querer encerrar o debate, transcrevo aqui apenas alguns dos comentários que ouvi e outras observações pessoais, mas frisando que é uma tese aberta, em fase de desenvolvimento. De qualquer maneira, deixo claro que, quando chegar na fase dos experimentos com cobaia humana, a vaga não me interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-117493778086882750?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/117493778086882750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=117493778086882750' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/117493778086882750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/117493778086882750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/06/revolucao-depois-da-pilula.html' title='A Revolução depois da Pílula'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-8986694610713919516</id><published>2009-05-16T08:30:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T21:25:55.307-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Memórias de viagens II: os paraíbas entre "los hermanos"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Sim, os paraíbas desta vez foram mais ousados. Passaporte na mão, atravessaram a fronteira, enfrentaram o desafio do idioma e foram dar uma banda nos parceiros do Mercosul: Argentina e Chile. Ele se achando o chefe da excursão, ela se achando a intérprete do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saída de Salvador com um pit stop no Rio de Janeiro, rumo à Buenos Aires. Era para ser uma breve parada na Cidade Maravilhosa, tipo desce, apresenta a documentação, despacha alguma coisa e vai embora, mas eles conseguiram o improvável: perderam o avião. Ele diz que foi ela. Ela diz que foi ele. Não interessa, ficaram os dois. Tudo bem, quatro horas depois eles embarcaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 18px;"&gt;Como bons paraíbas do Norte e Nordeste, o frio era um desafio. No Brasil conseguiram descolar uns casacos emprestados. Ela, se deu bem, chegou desfilando um esportivo Paco Rabanne de couro marrom. Ele, bem, desceu do avião parecendo um esquimó crescido além da conta. Era, também, um bonito casaco, mas talvez fosse mais adequado para "A Era do Gelo I", ainda quando o gelo não tinha nem começado a derreter. Vamos trocar dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;No primeiro câmbio encontrado: - quanto é? - A moça é simpática, mas fala um pouco enrolado. &lt;i&gt;Pero que sí, pero que no!!?!&lt;/i&gt; Saíram com os pesos na mão. Quanto foi mesmo? O quê? Fomos roubados! Vamos logo para Bariloche!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Que graça é Bariloche, a porta de entrada da Patagônia argentina. A cadeia de montanhas cobertas de neve, o centro cívico, a catedral, o lago Nahuel Huape, as tonalidades do céu ao entardecer. Mal podiam esperar para esquiar! O quê? Não tem neve? Esqui só daqui a dois meses? Mas como ninguém falou nada? Tudo bem, eram inúmeras opções de passeios mais ou menos radicais nas proximidades da cidade. Foram conhecer as cavernas "Los Leones", há uns 30km de Bariloche, com direito, segundo as propagandas, a vistas maravilhosas, pinturas rupestres, trechos de difícil acesso, lago no interior da gruta, breu total. Vistas maravilhosas sim, mas a caverna era curtinha, o lago pequenininho, o breu era olhando só para um dos lados da caverna e a pintura rupestre, tinha que usar muito a imaginação. Quanto ao trecho de difícil acesso, se você tem mais de 95 anos, é melhor não ir. De modo geral valeu, mas para quem anda pela Chapada Diamantina, o passeio parece um pouco aquém das expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de andar o dia todo, o chuveiro quentinho do hotel era uma tentação. Também tinha uma água bem quentinha no bidê, diria até "água escaldante", e ele descobriu isso da pior maneira possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A montanha "Tronador", aparentemente a mais alta da região, tinha muita neve. Então, vamos conhecer. Passeio contratado, saíram com máquina fotográfica em punho, sonhando com a batalha de bolas de neve. Os argentinos sabem mesmo valorizar suas atrações turísticas. Um galho atravessado na estrada transforma-se em um "fragmento vegetal centenário testemunho de civilizações pré-colombianas digno de parada para registros fotográficos". Os paraíbas embarcaram nessa. Fotografa isso, fotografa aquilo, e a bateria da câmera acabou antes da metade do passeio. Não tem problema, o importante era viver o momento. Várias paradas depois chegaram ao pé da montanha, realmente linda, mas, como é? Não pode subir? Não pode por quê? Adiada a batalha de neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o idioma, uma delícia. Entende-se tudo. Pararam para fazer algumas ligações internacionais, comprar jornal e etc. Depois de muito blá, blá, blá no telefone, o Sr. que os atendia entregou a conta comentando: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;- ¿Muchas novias, heim?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Tradução: "Muitas namoradas, heim?"&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Ele não ouviu, não entendeu e deixou para lá. Ela, muito entendida de espanhol, largou a pedrada:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;- Si, muchas novidades.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;O Sr. continuou:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;- ¿Es muy celosa?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Tradução: És muito ciumenta? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Ela, sem entender muito bem o por quê da pergunta e completamente desnorteada, responde: -&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;Si, muy celosa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif; line-height: 18px;"&gt;Tradução do que ela entendeu e pensava estar falando: "Sim, muito cheirosa".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Por hoje está bom, pega o jornal e &lt;i&gt;adios!&lt;/i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Não dá para visitar a região sem pensar em saborear os vinhos, mesmo para os que não são exímios apreciadores, como os paraíbas. Acompanhado de parrilla, fondue ou truta, sempre ia bem. Mas foi num pequeno barzinho underground, intitulado Che (do Guevara, só para esclarecer), ainda em Bariloche, em parceria com uma pizza bem mais ou menos, que rolou o momento mais descontraído e prazeroso do vinho, talvez o mais agradável momento a dois da viagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Sem rumo certo, foram parar em San Martin. Pura sorte. Trata-se de uma pequena cidade linda encravada num vale no fim dos "Sete Lagos", com gabarito de no máximo três pavimentos e arquitetura dos Alpes. Optaram por uma exploração by bike. O "tur" rendeu bons momentos, lindas vistas, lindas fotos e, para ele, dores na região dos "países baixos". De San Martin, agora, para o Chile. Destino: Pucon. Foi de lá que saíram para a expedição no vulcão Vila Rica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Neste dia tudo estava perfeito. Os paraíbas estavam se falando, o céu estava claro, sem previsão de chuva ou neve, e o frio não chegava a ser assustador. A subida não é só para profissionais, mais está longe de ser uma empreitada fácil, basta dizer que muita gente não se atreve a ir e outros tantos ficam pelo caminho. A cidade fica 800 metros acima do nível do mar, subiram mais 600 metros de carro, 400 metros de teleférico e 847 longos metros andando até o cume, de onde puderam ver a cratera do vulcão, com 600 metros de profundidade. No grupo haviam dois chilenos (os guias), uma australiana, um inglês, dois franceses, uma colombiana, um tchecoslováquio e os dois paraíbas, os autênticos representantes do Brasil. Também haviam pelo menos mais uns três pequenos grupos explorando o vulcão naquele mesmo dia. Entre português, espanhol, inglês, portunhol e outros dialetos improvisados, entenderam-se todos. Durante a caminhada, aos poucos, as pessoas iam se distanciando, ficando algumas para trás, voltando a se reunir novamente a cada parada. Cada trecho vencido era uma vitória da vontade de estar lá, de chegar, de vivenciar tudo aquilo. De cima, sacudidos intensamente pelo vento, entre a fumaça e um forte odor de enxofre, víamos a cratera, e ao redor do monte, um imenso deserto de nuvens. Foi, sem dúvida, um desafio recompensador e o momento mais emocionante da viagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;No Chile, ainda foram conhecer Santiago, depois voltaram para a Argentina, passaram por Mendonza e finalizaram a viagem em Buenos Aires, apreciando um elaborado espetáculo de tango. Tirando o que não prestou, foi tudo ótimo. De qualquer maneira, viajar é mesmo sempre bom. Só para registrar: na volta, chegaram no horário e não perderam o vôo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman',serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-8986694610713919516?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/8986694610713919516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=8986694610713919516' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8986694610713919516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8986694610713919516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/05/os-mesmos-paraibas-entre-los-hermanos.html' title='Memórias de viagens II: os paraíbas entre &quot;los hermanos&quot;'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-5889104729651726125</id><published>2009-03-11T10:50:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T21:23:57.181-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Por que não eu?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SlESWPsJtCI/AAAAAAAAACE/nIlcYMTU8vU/s1600-h/o-assalto-ao-bandido.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355081605298369570" src="http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SlESWPsJtCI/AAAAAAAAACE/nIlcYMTU8vU/s320/o-assalto-ao-bandido.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 320px; margin: 0pt 10px 10px 0pt; width: 235px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves/&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:DoNotPromoteQF/&gt;  &lt;w:LidThemeOther&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;  &lt;w:LidThemeAsian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;  &lt;w:LidThemeComplexScript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;   &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;   &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;   &lt;w:SplitPgBreakAndParaMark/&gt; 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Nossa heroína almoçou apressadamente e saiu para pegar oônibus de volta para o trabalho. Naquele dia, por ironia do destino, ela haviasaído com um discretíssimo modelito "vestida para matar". Toda depreto, com calça comprida e uma camisa de fino cetim de seda, mangastrês-quartos e um laçarote no pescoço que chegava a esconder o queixo,contrariando um pouco as leis naturais do verão baiano. Antes de continuarmosnossa aventura, faremos uma breve pausa para uma nota. A fim de proteger aidentidade da intrépida protagonista, adotaremos para ela o singelo pseudônimode "Nice Maria".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo chegou o ônibus e ela entrou naquele veículo sem imaginar que embarcavanuma incerta viagem, mistura de "Velocidade Máxima" e "Expressodo Oriente". Sentou mais próximo da frente e ficou apreciando a paisagem.Não demorou e entraram dois ladrões, que doravante chamaremos por meliante nº1e meliante nº2, para não criar afinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armados até os dentes com duas facas de cozinha cegas e enferrujadíssimas, de aproximadamente10cm cada uma, o meliante nº1 foi para frente, enquanto o outro procurava umavítima na parte de trás da condução. De repente, Nice Maria é surpreendida, apassageira na sua frente é duramente ameaçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meliante nº1: - Minha senhora, fique calma, mas isto é um assalto. Porgentileza, a Sra. poderia me entregar todos os seus pertences ou terei que serindelicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nice Maria arregalou os olhos. Aquilo estava realmente acontecendo com ela.Finalmente ela faria parte daqueles números estatísticos sobre a violênciaurbana. O evento, se bem conduzido, renderia histórias para rodas de amigas eganharia um destaque especial no livro de suas memórias. Ela esticou-se nacadeira, arrumou os cabelos e esperou ser notada. Mas não foi o que aconteceu.O meliante nº1 continuava empenhado em convencer a passageira abordada aentregar qualquer coisa que fosse. Nice Maria já estava perdendo a paciênciacom a mulher, pensando com seus botões: "ô minha filha, libera o rapaz aíque eu estou na fila". Diante do impasse, ela falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô moço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que ela concluísse, o meliante nº1 respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por favor senhorita, eu estou no meio de uma discussão, tenha um pouco depaciência! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paciência? Aguardo uma chance como esta há 34 anos e ele me pede paciência, pensouela. Numa atitude intempestiva, ela jogou a bolsa no chão, tentando fazer comque parecesse um acidente. O marginal não tomou conhecimento. Ela, entãoindignada, levantou-se e foi tentar a sorte com o outro assaltante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meliante nº2 teve mais sucesso que o nº1. Abordou um fortão sentado no fundodo ônibus:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por obséquio, o Sr. poderia me passar a sua carteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz hesitou, mas diante da violência da intimação, não resistiu e entregou.O assaltante então foi em direção a outra moça. Nesta hora chegou Nice Maria,se posicionou próximo ao mesmo e esperou um contato. Joga cabelo pra lá, jogacabelo pra cá, e nada. Desesperada, pensava: "eu, linda, loura, comestonteantes olhos azuis, estou invisível por acaso?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura do campeonato a classe estava indo embora e a Xêpa já queriabaixar. Parecia que só um barraco bem armado resolveria a questão. Mas acaboutendo uma idéia melhor. Exímia dançarina de pagode, frevo, tecnobrega e axé,com especialização em "É o Tchan", foi para o centro do corredor ecomeçou um solo que mataria de inveja Carla Perez. Os meliantes se olharam comcumplicidade e apressadamente bateram em retirada. Enquanto os dois saíam, NiceMaria, muito nervosa, esbravejava em alta voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou funcionária pública concursada, servidora do Estado, eu tenho dinheiroporque não é nem meio do mês ainda. Qual é o problema de vocês, heim? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os outros passageiros tentavam, inutilmente, acalmá-la. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, no recesso do lar, gozando o descanso merecido, os meliantes nº1 e nº2conversavam: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É companheiro, nossa atividade laborativa não está fácil, a cada dia ficamais perigoso esse ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então irmão, você viu aquela louca de hoje? Um transporte público que seconsidere "de qualidade" deveria exigir atestado de sanidade mentaldos usuários. A mulher frustrou nossa ação, pôs em risco a nossa integridadefísica e a de todos os passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, ando pensando em investir em outra carreira. Na política, talvez, para nãofugir muito desse ramo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-5889104729651726125?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/5889104729651726125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=5889104729651726125' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5889104729651726125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5889104729651726125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2009/03/por-que-nao-eu.html' title='Por que não eu?'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SlESWPsJtCI/AAAAAAAAACE/nIlcYMTU8vU/s72-c/o-assalto-ao-bandido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-4608166573471809183</id><published>2008-09-04T22:17:00.001-03:00</published><updated>2011-01-07T17:26:39.751-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Em tempos de transição lingüística</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt;Recentemente li um artigo de Miguel Sanches, na edição especial da revista Nova Escola, sobre a nova ortografia da língua portuguesa, o qual me fez atentar para algumas questões. Fui à banca de revista para comprar apenas um jornal e lá estava ela, a tal revista, acenando para mim como se não pudesse mais viver – ou escrever – sem suas preciosas orientações. Tudo bem, o assunto tratado merece mesmo atenção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança proposta é o resultado de um acordo para unificar a ortografia oficial dos países de língua portuguesa, a fim de aproximar as nações que falam e escrevem o português (Brasil, Portugal, Angola, Timor-Leste, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Moçambique) e fortalecer mundialmente o idioma. No Brasil, a mudança está em vias de ser confirmada por um decreto do Presidente, para entrar em vigor em 2009. A partir daí, todos os textos impressos deverão seguir a nova gramática. Nas demais manifestações escritas, as duas regras conviverão pacificamente até o fim do ano de 2011, quando então a tolerância – pelo menos acadêmica e/ou oficial – será zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No artigo de Sanches, ao qual me referi no início, ele vislumbra que os cuidadosos escritores de hoje, que se esmeram em tantos acentos, hífens e tremas, serão rotulados como “os do tempo da trema”. E olha nós aí, no meio desse bolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curso atualmente uma especialização nas áreas de arquitetura e de engenharia civil, na qual, na fase de conclusão, terei que produzir um artigo técnico de aproximadamente quinze páginas. Escrever não me assusta, até gosto. O que me deixa, no mínimo, insegura, é escrever em tempos de transição lingüística, mais precisamente no início de 2009, primeiro semestre dos três anos do processo de mudança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei matutando, se escrever conforme as novas regras, qualquer coisa entre 80% e 90% dos leitores iniciais pensarão: “a toupeira que escreveu isso não se deu o trabalho sequer de acionar o corretor ortográfico do Word”. Se escrever como hoje fazemos, meu querido artigo, daqui a três anos, será visto como uma coisa “do tempo que se escrevia 'jiboia' com acento” (porque não será mais assim). Não quero parecer nem mais burra, nem mais velha, do que realmente sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, a coisa não é muito simples. Podemos nos preparar para alguns anos de dúvidas e muitas consultas aos manuais práticos, de preferência, de bolso. Para ter uma “idéia” (que perde o acento) a “saída” (que continua com acento) será “agüentar” (que perde a trema) algumas investidas na gramática para lembrar dos ditongos, hiatos e outros companheiros. Se o português, não o da padaria da esquina, mas sim, o idioma, já é confuso por sua enorme riqueza e algumas incoerências, então, o que esperar do futuro? O jeito (que é com “j”, e continua assim, apesar de ter som de “g”) é relaxar (que é com “x”, mas bem que poderia ser com “ch”) e, talvez (com “z”, mas por que não com “s”?) usar (com “s”, mas com o som descaradamente de “z”) a transição lingüística (que perde a trema) como desculpa para nossos deslises (que, pelo amor de Deus, é com “z”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-4608166573471809183?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/4608166573471809183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=4608166573471809183' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4608166573471809183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4608166573471809183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2008/09/em-tempos-de-transio-lingstica.html' title='Em tempos de transição lingüística'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-8389137325903868980</id><published>2008-03-07T17:45:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T21:18:21.355-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>Longe de ser uma crônica esportiva</title><content type='html'>&lt;div align="justify" style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Acho que uma das qualidades da crônica deesporte é a de ser praticamente instantânea. O jogo ou a competição rolou anoite, no outro dia pela manhã lá está ela, estampando as percepções docronista nas páginas do jornal. Quando tem o prazo mais estendido é no máximosemanal. Esta crônica é um pouco diferente, também foi motivada por um eventoesportivo, mas que rolou em novembro de 2007. Trata-sedo jogo de futebol Bahia x Vila Nova, que encerrou a participação do EsporteClube Bahia no campeonato brasileiro de futebol da série C, resultando naascensão do time para a série B. Comecei a escrever algumas linhas logo depoisdo evento, mas tempo passou e os pensamentos ficaram esquecidos na gaveta, pelomenos até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de qualquer coisa, vamos esclarecer: não sou Bahia desde criancinha. Meuprimeiro time foi o Fluminense do Rio, paixão que herdei de meu pai. Já tivecamisa, boton e saía pelas ruas de Belém com bandeira em punho para comemoraras conquistas do clube. Contudo, crescendo no Pará, quando comecei a meentender como gente, achei que tinha que ter um time na terrinha. Novamente fuiinfluenciada por papai, e não foi para puxar o saco, somente achava que ele erao maior conhecedor de futebol que existia e, se eram suas escolhas, era porquedeveriam ser os melhores. Assim, optei pelo Paysandu, o conhecido Papão daCuruzu. O envolvimento com o Papão cresceu e acabei esquecendo um pouco oprimeiro amor - o Fluminense. Estava no campo do Mangueirão com amigos quando oPaysandu, vencendo o Guarani por 2x0, foi campeão da Taça de Prata em 1991,subindo para a primeira divisão. O estádio estava lindo coberto de branco eazul calçola.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Quandome mudei para Salvador, me envolvi ainda mais com meu clube paraense.Acompanhava apaixonadamente os campeonatos e "batia boca" com osbaianos sobre jogos e resultados. Comemorei a nova conquista do Papão na sérieB e a subida para a primeira divisão em 2001, a conquista da Copa dos Campeões em 2002, a participação na Libertadores das Américas de 2003 e sua histórica vitóriasobre o Boca Juniors dentro de La Bombonera por 1x0. Este episódio merece um breve comentáriopela raça e bravura do feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Paysandu, sou loura, mas não sou burra. Sei que meu time, apesar dasconquistas relevantes em âmbito regional, não tem grande expressão nacional, emuito menos internacional. Por outro lado, o Boca, ainda mais na Bombonera, éuma lenda. O mito da "panela de pressão" faz tremer qualqueradversário e, justiça seja feita, poucos são os desafiantes que lá se saem bem.Com o Papão foi um pouco diferente. O estádio fervia e logo no primeiro tempo,no calor dos acontecimentos, perdemos Robson com um cartão vermelho, nossoartilheiro conhecido como "Robgol". Para completar, no segundo tempotivemos que engolir outro cartão vermelho, desta vez para o volanteencrenqueiro Vânderson, que, como disse uma crônica da época, era "o maisargentino dos jogadores do time". Resumindo: o prognóstico era sombrio.Mas os paraenses, com muito açaí nas veias, não se entregam facilmente, e comnove jogadores em campo foram atrás do resultado. Foi dos pés de Iarley quesaiu o gol que nos deu a vitória e levou à loucura os torcedores do Paysandu edo Boca que lá estavam, claro, por motivos diferentes. Naquela noite descemosquadrados goela abaixo de &lt;em&gt;nostros hermanos porteños&lt;/em&gt;. No ano seguinte oBoca, reconhecendo o talento de nosso atleta, contratou Iarley para jogar naArgentina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Mas os dias de glória ficaramdistantes e fazia tempo que o Paysandu não me dava nem um motivozinho dealegria. Neste meio tempo comecei a namorar com um "baheea", oumelhor, um baiano torcedor do Bahia, e como coisa boa é namorar, iniciei tambémuma paquera com o time tricolor que, vamos reconhecer, tem lá seus encantos. Oquê melhor que a Fonte Nova tremendo para seduzir uma pretendente à Bahia. Foia tática utilizada pelo meu consorte para me envolver. Fomos, em plenaquarta-feira, assistir Bahia x Nacional da Paraíba pelo octogonal final dasérie C, na Fonte Nova. O time disputava a vaga para a série B e vinha dealguns resultados não muito favoráveis. Pé-quente que sou, não perco a viagem,nas poucas vezes que fui ao campo saí com resultado favorável. Desta vez nãofoi diferente, o Bahia ganhou por 3x0, com superioridade indiscutível. Tudo bemque o adversário não era lá essas coisas, a metade do time era roda-presa e aoutra metade era deficiente visual. Não importa, o Bahia brilhou e ficou muitobem na foto. No campo devia ter em torno de quarenta e cinco mil pessoas, e foisuficiente para colorir e balançar a arquibancada. Como profissional daconstrução civil, não pude deixar de observar o estádio. Mesmo velho e malconservado, o templo do futebol baiano cumpre sua função como arena. Quaselotado, me remeteu aos filmes épicos que revivem os gladiadores ou os jogos daantiguidade clássica, mas, que pena, sem Russell Crowe. De qualquer forma, oambiente era realmente envolvente. Ponto para o Bahia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Quatro rodadas depois, com o Bahia capengando no sobe-não-sobe para asegundona, lá vamos nós novamente para o campo assistir o duelo contra o VilaNova de Goiás, no penúltimo jogo do campeonato. Se ganhasse, não dependeria deninguém para subir e, claro, faria explodir a Fonte Nova. Se empatasse, estariaquase dentro, mas ainda dependendo de outros resultados. Se perdesse, aí meufilho, “só Jesus salva!” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Aos 44 minutos do primeiro tempo, Elias entra na grande área determinado adeixar seu nome registrado naquela tarde de domingo, mais o goleirão do Vilanão deixa por menos e manda o afoito jogador para o chão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;_É pênalti! É pênalti seu juiz, não "tá" vendo não?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;E o árbitro confirmou.Convoca-se, então, o matador do time para a cobrança. Apresenta-se Nonato, comsua atlética silhueta de barril, para carimbar o passaporte do tricolor. Oestádio mudo, todo de pé, esperava a hora de gritar com o peito aberto:goool!!!! Lá vai ele, com uma convicção de dar sono e então... filho da “P”, ocara perdeu o pênalti. Como ele conseguiu essa proeza? Não sei! Só sei que foiassim, e fim do primeiro tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;O segundo tempo foi aquela maravilha. O jogo estava tão interessante que nãoconseguia desviar minha atenção do gordinho sentado dois degraus abaixo naarquibancada. Acho que ele não sabia quem estava jogando, ou sequer quemodalidade esportiva estava sendo celebrada. Seus olhos, cabeça, tronco emembros percorriam ansiosamente todo o estádio procurando qual seria a próximaguloseima que iria mastigar. Churrasquinho, pipoca, amendoim, sorvete, balinhae por aí vai. Era um filme engraçado de assistir. O fulano não parou de comer ojogo inteiro e consumiu tudo que podia ser comprado no local.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Fim de jogo: 0 x 0. Com os outros resultados do dia, o Bahia pôde comemorar:estava na segundona. Dá-lhe “Baheeeea”! O campo foi invadido e completamentetomado pelos torcedores. Mas não posso deixar de registrar o acontecimentotriste da tarde. Ainda no segundo tempo, sem que a grande maioria dos presentesno local percebesse, parte da arquibancada do anel superior desabou de umaaltura aproximada de 15 metros, matando sete pessoas. Sete torcedores que, comonós, saíram de casa para assistir um jogo e se divertir. Lamentamos! Algunsdias depois o Governador deu uma entrevista anunciando que iria demolir a FonteNova.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Morando em Salvador, desejei por muito tempo conhecer o famoso reduto do Bahia.Demorou bastante, mas a chance chegou, e por uma ironia do destino, naquele diapresenciei, justamente, o último jogo do histórico estádio da Fonte Nova.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-8389137325903868980?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/8389137325903868980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=8389137325903868980' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8389137325903868980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/8389137325903868980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2008/03/longe-de-ser-uma-crnica-esportiva.html' title='Longe de ser uma crônica esportiva'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-7774125196039878803</id><published>2008-02-16T15:07:00.001-03:00</published><updated>2011-01-07T17:18:42.793-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Era indizivelmente bom</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeAdfyXOEI/AAAAAAAAABE/olU5weE0lWU/s1600-h/brindadeira+de+roda"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194761939432454210" src="http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeAdfyXOEI/AAAAAAAAABE/olU5weE0lWU/s320/brindadeira+de+roda" style="cursor: hand; float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBd_nfyXODI/AAAAAAAAAA8/N3xP9jrv7eI/s1600-h/brindadeira+de+roda"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Não há nada, para mim, mais iluminado que o sorriso do meu filho, um menino de quatro anos. O sorriso, o riso, a gargalhada. Ele é uma dessas crianças que tem o riso fácil, que ri com a boca, com os olhos, com o rosto e o corpo inteiro. Temos nossas brincadeiras costumeiras, endereços certos para chegarmos a boas doses de riso, mas, o mais legal é quando eles surgem por acaso, imprevistos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas noites qualquer, de meio de semana, estávamos o pequeno, Eliane - que trabalha na nossa casa - e eu, no recesso de nosso lar . No semestre anterior, ele havia desenvolvido com sua turminha da escola um projeto relacionado às brincadeiras infantis. Amarelinha, pega-pega, boca-de-forno, essas coisas que nossos avós já brincavam em seu tempo. O trabalho rendeu além de muitas horas de deliciosa diversão entre eles, num caderno onde cada página traz a descrição de uma brincadeira escrita pelas próprias crianças. Que coisa linda que ficou! Aquelas mal traçadas linhas, letrinhas irregulares, palavras inacabadas. Com o caderno na mão, começamos aleatoriamente a investigar as brincadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pega-pega, esconde-esconde, vamos de amarelinha. Improvisamos a brincadeira dentro de casa, com as divisões da cerâmica do piso. O pequeno, radiante, explicava em detalhes como se brincava, enquanto eu e Eliane fingíamos nunca ter visto ou ouvido falar do joguinho. Uma peça de lego funcionou como pedrinha e pulamos um bom tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é a vez de três-três passará. Confesso que demorei um tempinho para entender como brincava, pois não tínhamos gente suficiente para fazer pra valer. Eliane, que participava de tudo, tem vinte e três anos, mas juro, olhando ela brincar ninguém daria mais do que sete. Que tal boca-de-forno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boca de forno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Forno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Faz tudo que eu mandar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Faz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Se não fizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bolo!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O líder tem que determinar a tarefa e o restante se esforçar para cumpri-la, se não leva bolo. Pega aquilo, vai até não sei onde. As ordens não podem ser questionadas. Bolo pra cá, bolo pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, então, experimentar a corrida de caranguejo. Sentados no chão, anda para trás com os pés e mãos no piso, e não pode sentar. Eliane tropeçou, o pequeno caiu de tanto rir e eu pude, enfim, atravessar a linha de chegada com folga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu menino não parava de rir. Ele estava tão empolgado e feliz com aquela movimentação que as gargalhadas se sucediam por qualquer coisa que fosse. O pequeno rostinho alvo, contornado por cachinhos cor laranja, brilhava como uma luz de fonte inesgotável. "&lt;strong&gt;Era indizivelmente bom&lt;/strong&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa frase, que adoro, não é minha; é de Vinícius, que escreveu para descrever na crônica "Menino da Ilha" suas experiências quando criança na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A li por volta dos vinte e cinco anos e não esqueci mais. Acho que esperei por todo esse tempo para, olhando no rosto de meu filho, naquela noite, ter exatamente essa sensação: algo indizivelmente bom. Não falei nada, somente pensei com os meus botões, saboreando cada segundo. Valeu a pena esperar todos esses anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-7774125196039878803?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/7774125196039878803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=7774125196039878803' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7774125196039878803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7774125196039878803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2008/02/era-indizivelmente-bom.html' title='Era indizivelmente bom'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeAdfyXOEI/AAAAAAAAABE/olU5weE0lWU/s72-c/brindadeira+de+roda' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-3437625903809732161</id><published>2007-10-23T17:42:00.005-03:00</published><updated>2011-01-07T17:12:54.456-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Memórias de viagens I: dois paraíbas na cidade grande</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt;Ele, não exatamente um paraíba. Um baiano, da capital, muito tirado a esperto. Ela, veio de mais longe, do norte, quase da selva. Aparentemente desligada, imagem ainda reforçada pelos longos cabelos dourados, mas era apenas um equívoco gerado pela aparência. Os dois, ele e ela, em São Paulo, por nove dias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A programação era extensa. Muitas indicações de amigos, lugares que eles queriam rever, lugares novos para conhecer, eventos com data e hora marcadas. Nove dias dá para muita coisa. Mais ou menos. Se o horário médio para acordar não fosse 10:00h da manhã; se o percurso, em geral, não fosse uma pernada, um ônibus, metrô, troca de linha, metrô, pernada novamente (só num trecho); se não fosse o trânsito, as indecisões, as mancadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá! Começaram pelo Museu do Ipiranga. Descolaram uma carona e ótimas companhias. Que bom! Era mesmo longe. O edifício, imponente, com três pavimentos, foi construído entre 1885 e 1890 para ser um monumento à Proclamação da Independência. Ele e ela arquitetos,"entendidos", investigaram o estilo arquitetônico, as ordens construtivas, a divisão espacial. Tinha acervo para várias horas de visitação. O cotidiano, a sociedade, o trabalho na grande São Paulo da virada do século 19 para o 20. Maravilha, se o museu não fechasse às 18:00h e eles não tivessem chegado às 16:30h. Corre, entra em sala, sai de sala. Olha, mas não lê, que não dá tempo. No fim, a cada ambiente que saíam apressadamente, as portas fechavam-se atrás. O passeio no jardim, a volta no parque, nem pensar. Não havia tempo, nem luz natural. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisavam ir na 25 de março. Muitas encomendas, muitas coisas para comprar. Relógios, brinquedos, lanternas, sutiãs, canetas, baterias. Olha, experimenta, pergunta o preço, pechincha, olha em outro lugar, pergunta, negocia, chora, deixa para outra hora. Saem com nada nas mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao MASP, conhecido dos dois. Exposição "Da Bauhaus aos dias de hoje"; arte conceitual. Diante de um bastão de aproximadamente 60cm, com anéis articulados e colorido como um berimbau do Mercado Modelo, definido como arte móvel, estabeleceu-se o silêncio. Se a intenção era provocar o deleite, não os tocou. Se era incomodar, eles poderiam sugerir algumas utilizações para o mesmo. Mas deixemos por conta da imaginação de cada um. Sentaram para assistir um vídeo, igualmente conceitual. Analisaram a composição, o ritmo, o vestuário, os personagens, as interpretações, a marca dos carros que protagonizavam as cenas, mas o quê dizer sobre o conteúdo do vídeo? Sobre a alma da obra? Não captaram. Tudo bem, é conceitual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam muitas recomendações para visitarem o Mercado Municipal. O prédio de época, o burburinho do movimento, o imperdível pastel de bacalhau. Ela, louca para ir. Ele, doido para sabotar o passeio. Vamos hoje. Não tem tempo, está fora da rota. E o que é que tem de bom lá mesmo? Não interessa! Vamos porque vamos! Que horas são? 13:30h. Fecha às 15:00h. Corre, pergunta, anda mais rápido. Onde fica? Logo ali. Chegaram. Por fora, não era bem o que ela esperava. Por dentro, é só isso? Era tudo o que ele queria, e o comentário foi imediato: “vim de Salvador para ver cebola, tomate e batata?” Realmente a Feira de São Joaquim – em Salvador – era mais pitoresca. O prédio era feio e sujo, o movimento era nulo e o pastel de bacalhau não existia. Saíram decepcionados. Ele tripudiando. Ela “P” da vida. No dia seguinte, ao ver numa galeria comercial a foto de um lindo mercado, ela reconheceu a imagem que já havia, em algum momento, visto pela TV, e perguntou: “essa foto é do Mercado Municipal?” A resposta foi positiva. Eles tinham visitado o mercado errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos à 25 de Março. Olha mais um pouco. Pesquisa preço, garantia. Este “zafira”? Este “nô zafira”! Depois a gente volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa leva só, visita à Estação da Luz, Museu da Língua Portuguesa e Pinacoteca do Estado. A secular estrutura de ferro da estação, a tecnologia e exposição interativa do museu, o bonito prédio e rico acervo da pinacoteca. Ela já conhecia a pinacoteca. Ele não conhecia e ficou encantado. Lá pelas tantas da visitação, depois de várias obras e artistas de projeção nacional e internacional, ele conclui: “gostei de tudo, mas realmente identifiquei-me com essa tela”, apontando para a mesma. Ela ficou chocada. Tratava-se de um óleo sobre tela de aproximadamente 2,50m x 2,00m, de Cândido Portinari. Na obra, datada de 1948 e intitulada “Floresta”, via-se dois veados estáticos no primeiro plano, contemplando a pasmaceira da mata, vários outros veados saltitantes no segundo plano, e diversos outros animais mimosos espalhados pelo quadro. O quê exatamente ele quis dizer com “identifiquei-me”? Vamos embora, que é melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrida no Parque Ibirapuera, sushi, shopping center, pizza, Jóquei, barzinhos, lojas de fantasias, outra pizza, festa. É ótimo ir a Sampa. E, antes do avião rumo à Salvador, para finalizar, só mais um pulinho na 25.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-3437625903809732161?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/3437625903809732161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=3437625903809732161' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3437625903809732161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3437625903809732161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/10/dois-parabas-na-cidade-grande.html' title='Memórias de viagens I: dois paraíbas na cidade grande'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-3720076130186752882</id><published>2007-10-23T17:42:00.004-03:00</published><updated>2011-01-07T10:40:48.252-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>É preciso saber viver</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBXkFPyXOCI/AAAAAAAAAA0/s5NwHlJiMbg/s1600-h/%C3%83%C2%A9+preciso+saber+viver"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194308524029982754" src="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBXkFPyXOCI/AAAAAAAAAA0/s5NwHlJiMbg/s400/%C3%A9+preciso+saber+viver" style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; font-size: 130%;"&gt;São inevitáveis, com o passar dos anos, as reflexões sobre o tempo vivido, o tempo a ser vivido, as avaliações diante do espelho, os balanços de vida. Hoje, a poucos anos de emplacar os quarenta, me pego às vezes divagando sobre o tema. Claro que em âmbito nacional e mundial temos muitos exemplos de pessoas que souberam viver muito bem os anos que lhe foram concedidos, e outras tantas que, por outro lado, passaram por aqui, ninguém sabe para que. Mas não quero falar de grandes feitos, e nem preciso recorrer a figuras públicas. Tenho em mente vivências mais simples, pessoas comuns, pessoas que fazem parte de minha vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucos dias estava em Sampa. Minha amiga, minha irmã, Simone Carol, para mim somente Rocqueira, que mora na super metrópole, completou quarenta anos de vida em outubro e festejou a data com uma balada. Catei o namorado e fomos juntos dividir com ela esse momento. Lelé, nosso xodó de longa data, que divide o AP com Rocqueira e muitas histórias conosco, já estava arquitetando as comemorações desde o início do ano. A festa foi ótima, embalada por uma banda que colocou todo mundo para dançar. A aniversariante reuniu em torno de 60 pessoas. Como diz ela, todas queridas, especiais. Não tenho dúvidas da recíproca do sentimento de quem lá estava por ela. Alguns, como eu, saíram de longe, da Bahia, de Belém, do Rio, especialmente para o evento. Não é para menos, Rocqueira é uma dessas pessoas que não passa despercebida por quem cruza o seu caminho. Aquela figura que ama demais, odeia demais, se é para rir, morre de rir, se é para chorar, espero que saiba nadar. Segundo ela, tem múltiplas personalidades. Quando doce e meiga, quer dizer, "doce e meiga" ela nunca é. Corrigindo, quando calma, paciente e mais cordata, é Simone. Quando "sobe nas tamancas", é Carol. Quando equilibrada, é Simone Carol. Pergunto-me, então, quem é a tal da Rocqueira? A que é minha alma gêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, nos conhecemos na escola quando tinha 15 anos. Ela não chegava a ter dois anos a mais, mas estava anos luz na minha frente. Era descolada, namoradeira, atleta de destaque e extremamente popular. Eu não era exatamente uma completa idiota; já era falante, extrovertida, de muitos amigos, mas a questão é que, aparentemente, não tínhamos muito em comum. Mesmo assim, a empatia foi instantânea. Em pouco tempo nos tornamos parceiras no estudo (eu estudava e ela pescava), nos esportes (ela jogava e eu torcia), nas baladas, viagens e projetos. Quando chegou o vestibular, coube a mim a responsabilidade de definir seu destino profissional. Escolhi seu curso superior, e acho que me saí bem, até melhor do que na minha própria escolha. O tempo passou e, em alguns momentos, foi padrasto com minha amiga. Mas o grande lance é justamente esse: dos limões que caíram em seu colo, ela soube espremer e fazer uma limonada, nem sempre doce. Hoje, ela vive um delicioso momento profissional e pessoal. Nada caiu do céu, foi construído pedra por pedra, com alegria, lágrimas, questionamentos, parcerias e muita determinação. Ela tinha mesmo razões para comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à festa, tivemos lá U2, Skank, Lulu Santos, Jota Quest, Paralamas e muitos outros. Começamos dançando em torno das mesas, mas em pouco tempo estávamos no gargarejo, pulando como "sapos na frigideira". Considerando a faixa etária dos convidados, ao pularmos, quase tudo em nossa anatomia pulava junto. Paula, nossa coligada, também de Belém, muito "presepeira" como sempre, lançou uma dança apropriada para situação: quando pulava, segurava os peitos, cada um com uma mão. Rapidamente, toda a mulherada aderiu à inovação e ficou bonito de ver, um grupo considerável de mulheres na beira do palco, cantando, pulando e segurando os peitos. De repente, quando olhamos, estava meu namorado também saltitando no salão com as mãos firmemente agarradas aos peitos. Paula se aproximou e explicando o porque da dança, disse: "é porque eu estou menstruada!". Ele, sem perder tempo, respondeu: "eu tambémmmm!!!!" Foi tudo muito divertido e Rocqueira, sem beber nada, estava embriagada de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos atrás, Luana, sua irmã, também completou quarenta anos, e também com uma festa maravilhosa. O agito foi em Belém, ao som de "Acorda Alice", uma banda especializada em tocar rock nacional dos anos 80. Na mesma época, uma outra amiga nossa, uma mulher bonita, cheia de saúde, com uma família aparentemente estruturada e um emprego invejável, chegava aos seus quarenta anos, e passou o período a base de antidepressivos, para segurar a onda. É...poucos sabem decifrar os mistérios da vida, ou mesmo sem decifrá-los, sabem fazer do tempo, das venturas e desventuras parceiros e aliados. Que Deus me permita desfrutar sempre da companhia dessas pessoas e da sabedoria que elas derramam pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-3720076130186752882?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/3720076130186752882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=3720076130186752882' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3720076130186752882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3720076130186752882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/10/preciso-saber-viver.html' title='É preciso saber viver'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBXkFPyXOCI/AAAAAAAAAA0/s5NwHlJiMbg/s72-c/%C3%A9+preciso+saber+viver' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-7303475858529005282</id><published>2007-10-23T17:28:00.001-03:00</published><updated>2011-01-07T10:26:50.765-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Cone</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt;"Que cone?" Essa pergunta, aparentemente inocente, despretensiosa, mudou todo o curso de nossa noite. Ela, Paula, poderia ter dito: "Claro! O cone, eu vou pegar." Ou talvez: "O cone? Sem problemas, eu devolvo!" Mas não, ela tinha que dizer :"que cone?". Bem, o que esperar de uma louca? Loucuras, é claro! Melhor assim, nosso passeio foi bem mais emocionante a partir de então.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era só mais uma noite, como outra qualquer, de um fim de semana em Belém. No carro estavam Paula (22 anos) dirigindo, Suzane (22) no banco do carona, Mônica (21) e eu (20) no banco de trás. Organizávamos uma festa no sítio do amigo Fernando, mais uma de nossas inesquecíveis festas. De tempos em tempos programávamos uma, em sítios ou em casas na orla de Mosqueiro, balneário numa ilha fluvial do Pará. Não fazíamos esforço para divulgar. As baladas eram tão boas, que o boca-a-boca encarregava-se de promover, aí cada um trazia alguma coisa, contribuía de algum jeito, e a farra ia até o sol raiar. Como aconteciam em lugares afastados, grande parte da turma dormia no local, jogada onde desse. Uma característica era comum a quase todos esses eventos: ao terminar, o ambiente estava completamente devastado, algo semelhante aos efeitos do "Katrina". Ouve uma vez que, sem querer, tocamos fogo no muro da casa. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos, mas acho que o dono da casa não considerou o desfecho exatamente um "final feliz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à nossa noite, no carro conversávamos sobre uma maneira de facilitar a localização da entrada do sítio, que não era muito visível, quando vimos na rua um desvio sinalizado com vários cones. Fala sério, que falta iria fazer um conezinho entre tantos. Paramos e Paula e Suzane desceram, uma abriu a mala e a outra jogou o cone dentro. Ao entrarem no carro, ouvimos: "piiiiiiiiiii". Era o apito de um guardinha que estava por perto, apreciando a cena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovem, simpático e sorridente, o rapaz, vendo quatro garotas sozinhas, chegou cheio de graça junto do carro e abaixou-se na janela do motorista, onde estava Paula. A partir daí o diálogo foi surreal. O militar, "tirando a maior onda", falou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi meninas! Será que dava para vocês devolverem o cone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula: - Que cone? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele: - O cone que vocês acabaram de pegar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula: - Cone? Eu não peguei cone nenhum. Do quê você está falando? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele: - Espera aí! Eu estava ali do outro lado e vi tudo. É o cone que está no porta-malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula, tirando uma de indignada: - Você está me chamando de ladra? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava achando aquele papo muito engraçado. Suzane, como habitual, olhava tudo por cima, como se não tivesse nada a ver com ela. Mônica mexia-se pra lá e pra cá, agoniada, preocupada e murmurando: "devolve esse cone". Mas a conversa prolongou-se e Paula não arredou o pé da postura de moral ilibada que adotou. Ele tinha imaginado tudo aquilo e ela estava ofendidíssima. Claro, diante da insistência em negar, em chamar ele de doido e quase que exigir um pedido formal de desculpa, o rapaz começou a mudar o tom da conversa. Já não pedia mais nada, ele exigia, mas não surtiu o menor efeito com minha amiga tresloucada. A artista continuava irredutível; agora já com o apoio inigualavelmente cínico de Suzane. Eu ria, ria muito, e Mônica arrancava os cabelos, beirando um ataque estérico. Foi quando, para nossa falta de sorte, passou pelo local uma viatura da polícia militar, e o guardinha pediu reforço para conter quatro perigosas meliantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O oficial desceu e educadamente pediu o cone. Paula, fingindo estar descontrolada, esbravejou que não tinha cone algum e que aquele homem estava a ofendendo, chamando-a de ladra. A discussão, já envolvendo todos, prolongou-se e esquentou um tanto. Diante do impasse, o tenente exigiu que ela abrisse o porta-malas para mostrar, então, que o cone não estava lá. Paula não hesitou: abriu a porta e saiu determinada em direção ao fundo do carro, com uma pequena distância das "autoridades". Chegando ao porta-malas, abriu-o totalmente, enquanto eles aproximavam-se. No exato momento que iam olhar, ela bateu a porta com uma senhora porrada e gritou: "Viu? Eu disse que não tinha cone nenhum!". Os caras enlouqueceram. O oficial pegou-a pelo braço firmemente e falou: abre esse porta-malas agora, que eu não estou brincando. Ela abriu e, claro, o cone estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante dos fatos, o quê fazer? Poderíamos dizer que estávamos sendo filmados e que tudo não passava de uma pegadinha; ou talvez, que éramos alunas de teatro e que aquilo era um laboratório, uma performance. Na hora não pintou. Não tinha o quê dizer; não havia defesa. Vamos todos para delegacia. Paula, sem perder o rebolado, voltou para a direção do carro e o tenente foi para o carona, mandando que Suzane afastasse para o meio para ele sentar na ponta. Mas não existia acento no meio. Suzane, "malaca", com toda a tranqüilidade, enquanto discretamente cutucava Paula, argumentou docemente com o militar: "Calma! Eu passo para trás e o senhor vai no meu lugar." Foi só o tempo dele colocar as duas pernas para fora e ficar de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Velozes e Furiosos" perdia fácil para nossa arrancada cinematográfica, com um solo de pneus para ser ouvido na outra quadra. Ele, coitado, ainda tentou correr segurando na porta do carro, mas não deu. Fomos embora em alta velocidade, seguidas pela viatura. Avança sinal, vira daqui, estica dali, e os homens da lei continuavam atrás. Dentro do carro, apesar da tensão, nos divertíamos um tanto, entre muitos gritos e alguns comentários de Mônica, do tipo: "eu acho que isso não vai dar certo!" Em determinado momento, o Monza de Paula, que corria até bem, conseguiu abrir uma certa distância. Viramos a esquerda e, logo depois da curva, vislumbramos a entrada estreita de uma vila, também a esquerda. Paula embicou com tudo, vila a dentro, desligou o carro, apagou todas as luzes, e ficamos ali, abaixadas, mudas, esperando. Logo depois enxergamos de longe a viatura passar direto, voando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho idéia do tempo que aguardamos, acho que em torno de vinte minutos. Considerando que estávamos nas proximidades do JB - um barzinho das antigas e um dos nossos pontos de encontro -, deixamos o carro na vila e fomos correndo para o bar, nos escondendo em qualquer árvore ou poste a cada veículo que passava. Chegando lá, encontramos Mauricinho, Tônho, Fernando e outros. Depois de relatar a aventura - com alguns exageros - fomos andando para o QG (casa da Suzane), uma quadra depois, enquanto Mauricinho buscava o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, tudo ficou bem. Foi nossa noite de "As Panteras", não a única, mas uma das mais engraçadas e emocionantes. Quando nos reencontramos, quase sempre nos lembramos da aventura, como brincadeiras deliciosas que não podem ser reeditadas, mas que, em seu tempo, foram bem aproveitadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-7303475858529005282?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/7303475858529005282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=7303475858529005282' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7303475858529005282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/7303475858529005282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/10/o-cone.html' title='O Cone'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-6007017627605847794</id><published>2007-09-06T09:23:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T21:08:44.418-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagens'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Bons momentos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeCf_yXOGI/AAAAAAAAABU/ljGVCEC-NmQ/s1600-h/sol+na+m%C3%83%C2%A3o"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194764181405382754" src="http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeCf_yXOGI/AAAAAAAAABU/ljGVCEC-NmQ/s320/sol+na+m%C3%A3o" style="display: block; 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Tem preço? Então, quanto valeria um momento de êxtase? Ei,“pera” aí! Não é bem disso que estou falando! É muito bom também, mas não é otema. Abstraia e vamos começar novamente, canalizando para um lado maissubjetivo. Então, quanto vale? Acho que vale investimentos, algumas doses desacrifício e inúmeras horas de espera, se necessário. Neste fim de semana quepassou, vivi um destes momentos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Deitada sobre um grande platô de pedra na gruta do Lapão, depois de descer emum rapel na negativa de aproximadamente 55m, contemplava o imenso salão nachegada da gruta, observando o restante do grupo descer, um a um. Aparentementepoderia parecer apenas mais um lugar privilegiado pela beleza natural, mas todoo contexto, para mim, significava mais. Acho que ninguém realmente notou o quese passava comigo naquele momento, também achei desnecessário comentar. Curti,solitariamente, cada segundo da experiência. Quando a lágrima rolouvagarosamente, celebrando a felicidade de estar viva naquele lugar, naqueleexato momento, enxuguei rapidamente, não por não querer compartilhar, mas pornão querer verbalizar nem um instante do que se passava.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;A Chapada tem mesmo esse poder. Para situar, estou falando da ChapadaDiamantina,e a gruta onde estávamos localiza-se a aproximadamente uma hora etrinta minutos de caminhada pela trilha a partir de Lençois. Já havia andadoalgumas vezes pela região, em &lt;em&gt;trakings&lt;/em&gt; de 3 ou 4 dias sem vestígios decivilização, e conhecido lugares muito especiais, mas cada lugar e momentotocam a gente de maneira diferente. Além disso, por razões diversas, havia seisanos que não pisava naquelas terras. Foi bom voltar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de poder multiplicar esses momentos de êxtase diante de acontecimentosimprevistos. Talvez exatamente por assim ser tais momentos, imprevistos e nãoreproduzíveis, sejam eles tão especiais. Mas alguns ingredientes necessáriospara que aconteçam são possíveis de identificar: 1) lugares mágicos; 2) seacompanhada, que seja de pessoas especiais; e pelo menos nestes momentos, 3) ter“&lt;em&gt;a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo&lt;/em&gt;”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Aos vinte e cinco anos,na praia de Ajuruteua, localizada em Bragança - Pará, vivi uma sensaçãosemelhante. Tinha ido acampar nas dunas da praia com meu namorado, que algumtempo depois viria a ser meu marido. Chegamos quando anoitecia e, rapidamente,tivemos que descarregar o material para montar o acampamento antes queescurecesse. Quando tínhamos tirado tudo do carro e a barraca estava em pé, masainda não totalmente fixada no chão, fomos surpreendidos por uma tempestade deareia. Mal podíamos enxergar, víamos apenas os vultos enquanto ainda foipossível ver, porque com pouco tempo a areia entrou nos olhos e não conseguimais abri-los. Ele, por usar óculos, teve uma certa vantagem, e conseguiulocalizar-se e tomar as providências necessárias: colocar eu e toda a “tralha”de volta no carro. Não seria mais possível acampar. Aguardamos um tempo dentrodo carro até que a tempestade se dissipasse para irmos procurar uma pousada.Quando parou, resolvi tomar um banho de mar, para tirar a areia grudada no corpo.Ele ficou esperando no carro. Não sei qual era a lua no dia, mas o céu estavalimpo e a noite nem tão clara, nem tão escura. A maré estava baixa, tanto quechegando na água não tinha mais contato visual com ele. Quando comecei a entrarno mar, não creditei no que via. A sensação foi uma mistura de surpresa, medo,curiosidade e deslumbramento. A medida que ia entrando e mais volume de águadeslocando, mais a água brilhava em milhões de gotículas fosforescentesesverdeadas. Pelo amor de Deus, o que era aquilo? Nunca tinha visto, nem ouvidofalar em algo semelhante. Saí correndo para buscá-lo, mas fui com um pouco demedo que fosse um delírio meu que não pudesse ser compartilhado ou que, sendoreal, quando voltasse não existisse mais. Ao chegar, não falei e nem expliqueinada, disse apenas que tinha que ir comigo para ver algo e tinha que ser já.Quando voltamos, as luzes ainda estavam lá. Entramos no mar e nadamosmaravilhados. Sentados no raso, ficávamos extasiados quando, ao jogar a águapara cima, ela caía rolando pelos nossos corpos dividida em milhares de pontosluminosos. Simplesmente brilhávamos. Naquele momento, aquilo para mim era ummilagre. Não queria saber se tinha uma explicação científica, se era umainterferência alienígena, ou se os dois dividiam um delírio coletivo. Erasimplesmente um milagre. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;Ao retornar para Belém,contei para algumas pessoas, que também não sabiam do que&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;tratava-se, e escutavam a história com umacerta desconfiança. Quase um ano depois, assistindo na TV um programa deecologia, descobri tratar-se de um fenômeno da natureza chamado &lt;strong&gt;bioluminescência&lt;/strong&gt;,onde microorganismos em suspensão na água tornam-se fluorescentes,provavelmente em função de alterações de concentrações de nutrientes na água.Meu lado técnico e racional gostou de obter a informação, mas prefiro guardar alembrança como a de um milagre que tive o privilégio de presenciar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Outra vez, quatro anos antes, quando tinha vinte e um, estava na ilha do Marajócom um grupo de dez amigos. Essa maravilha localizada no Pará é considerada amaior ilha flúvio-marítima do mundo, cercada pelo Oceano Atlântico e pelos riosAmazonas e Tocantins, com uma característica rara: praias onde as águas oraestão doces, ora estão salgadas. Passávamos o dia na praia de Joanes, nomunicípio de Salvaterra. Não sei como as coisas estão por lá hoje, mas nessaépoca, em 1990, a praia ainda era bem selvagem, e a vegetação chegava até aareia. Depois de curtir algumas atrações do local, como as ruínas de pedra davelha igreja jesuíta erguida no século XVII, fomos – eu, uma amiga e doisamigos – explorar a área. Entrando um pouco pela mata, nos deparamos com uma velhacasinha de madeira, bem humilde. Encostado na janela estava um velhinho,sozinho, contemplando placidamente a calmaria do lugar. Ele era franzino etinha a barba e os cabelos longos, bem branquinhos, uma imagem que lembrava omisterioso “véio do rio”, da memorável novela “Pantanal”. Puxamos conversa eele falava pouco, mas papo vai, papo vem, fomos parar nos fundos da casa, ondehavia um igarapé chegando na beira da varanda com uma canoa encostada. Pedimosemprestada a canoa e saímos os quatro, igarapé a dentro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;O termo igarapé é deorigem indígena e significa “caminho de canoa”, o que estava totalmentecondizente com a situação. O caminho era um “furo”, famosos entretenimentosnaturais da ilha, que são braços de rios ou de igarapés por onde só podemnavegar pequenas embarcações, porque são margeados por vegetação nativa comtrechos bem estreitos. Nosso roteiro não devia ser muito conhecido e visitado,pois era tudo muito selvagem. No trajeto, aos poucos a conversa foi cessandopara dar lugar ao som da mata. Ouvíamos um sutil barulho do movimento da águaprovocado pela canoa e o remo, galhos quebrando pelo agito dos bichos e amúsica, às vezes discreta, às vezes estridente, entoada pelos pássaros e outrosanimais. Em determinados momentos o caminho ficava tão apertado e a mata tãodensa que chegava a fazer um túnel e tínhamos que abaixar na canoa paraconseguirmos passar. A energia era indescritível. Uns quatro anos depois,voltei ao local. Corri tudo procurando a velha casinha, a canoa, o “véio dorio”, mas não achei. Perguntei para uns nativos, e ninguém conhecia ou lembravater visto ou ouvido falar. Tenha lá uma explicação lógica ou seja umaalucinação em grupo, eu vivi aquilo e isso ninguém me tira. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que possa parecer pelos relatos anteriores, pelo menos paramim, estar rodeada pela natureza não é pré-requisito indispensável para viverexperiência semelhante. Em outra oportunidade tive a mesma sensação dentro deuma igreja completamente vazia. Não estava lá por motivação religiosa outurística. Simplesmente estava lá, sozinha, atrás de uma balaustrada noprimeiro pavimento, observando a nave principal, o altar, as imagens, obatistério; tudo muito singelo. A igreja era a de Nossa Senhora do Rosário dosHomens Pretos, em Belém. O início da construção atual data do século XVIII e oprojeto foi doado pelo arquiteto italiano Landi, que assina várias outrasedificações do mesmo período que são referência na cidade. Na literaturaexistem alguns relatos da labuta dos negros carregando pedra e outros materiaisdurante a noite, para erguer seu templo. Não sei exatamente o que me comoveu,mas passei alguns minutos mágicos envolvida pela atmosfera daquele lugar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Voltando à viagem deste fim de semana, nem todos os momentos foram “sublimes”,mas quase tudo foi divertido. Voltei com algumas feridas nos pés, mas o que éisso diante de todo o contexto. Concluindo, não posso indicar endereços certospara vivências especiais como as relatadas, mas se é para arriscar um localbastante propício, o lugar é exatamente esse: Chapada Diamantina. Confira vocêmesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-6007017627605847794?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/6007017627605847794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=6007017627605847794' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/6007017627605847794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/6007017627605847794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/09/bons-momentos.html' title='Bons momentos'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeCf_yXOGI/AAAAAAAAABU/ljGVCEC-NmQ/s72-c/sol+na+m%C3%A3o' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-1811943386676358403</id><published>2007-08-28T10:13:00.001-03:00</published><updated>2011-01-05T17:27:54.635-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='delírios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Não é só brincadeira de criança</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBDYnfyXN-I/AAAAAAAAAAU/Ixa9pm96IpU/s1600-h/n%C3%83%C2%A3o+%C3%83%C2%A9+s%C3%83%C2%B3+brincadeira+de+crian%C3%83%C2%A7a"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192888543417415650" src="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBDYnfyXN-I/AAAAAAAAAAU/Ixa9pm96IpU/s400/n%C3%A3o+%C3%A9+s%C3%B3+brincadeira+de+crian%C3%A7a" style="float: right; margin: 0px 0px 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;Às vezes fico observando meu filho, com quatro anos recém completados, nas suas maravilhosas viagens da imaginação. Com freqüência, sou convidada a participar também. Viajamos o mundo, a Via Láctea, o fundo do mar, o passado, o futuro. Somos gigantes, seres híbridos, objetos inanimados; somos e fazemos tudo que queremos. Fico maravilhada com os mecanismos desta faculdade humana e tudo que ela nos proporciona.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os estudiosos no assunto, a imaginação está intrinsecamente ligada à criatividade; “é o elemento-chave do ato criador”. Tive alguns indicativos disso em minha vivência. Lá pelos vinte e quatro anos me “bati” com uma das figuras mais criativas que já conheci. Seu nome é Roberto e tinha na época uns trinta e dois anos. Esse cara soube aproveitar de todas as formas seu talento natural. Profissionalmente, era músico. Foi, entre outras coisas, o responsável pela produção musical de peças – musicais – que alcançaram grande sucesso no Pará, produções essas que ganharam, inclusive, prêmios fora do Estado. Por hobby, era artista plástico, e por hábito ou, talvez, porque era muito mais divertido e excitante assim ser, era criativo em tudo: na forma de relacionar-se com as pessoas, de trabalhar, de resolver problemas, de viver. Uma mente livre e linda. Costumávamos conversar andando pelas ruas nas noites de lua. Claro, em ruas que possibilitavam esse deleite. Nesses passeios, me falava de muitas coisas, mas o que mais me marcou foram os relatos de momentos com o pai, quando ainda era moleque. Entre várias brincadeiras, os dois construíram juntos, com sucata, lixo, prego e martelo, uma nave espacial que os levaria a viagens intergaláxias. Na verdade, a nave nunca saiu do quintal, mas tenho certeza que, mesmo assim, levou Roberto a lugares inexplorados e cheios de aventuras. Em outra oportunidade, os dois montaram uma tenda, no mesmo quintal, enfeitaram como um grande circo, ensaiaram alguns números, e fizeram sessões para apreciação dos vizinhos. Meu filho chegaria somente dez anos depois, mas suas histórias já me inspiravam e faziam-me arquitetar planos para a minha futura prole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E falando em imaginário infantil, não dá para não lembrar de Monteiro Lobato com o “Sítio do Pica-pau Amarelo”. Quando criança, não li mais do que umas duas aventuras do Sítio, mas assisti um bom tanto da primeira produção da obra feita pela TV. Fui apaixonada pelo príncipe das Águas Claras e tive também minha boneca de pano de produção caseira – feita pela mom ; e como torcia para que falasse. Estava louca para introduzir meu garoto nesse universo, mas como era muito novo, ainda não dava para entrar de sola com os livros da coleção, que têm histórias longas e pouco ilustradas. Vibrei quando a TV anunciou a nova montagem do Sítio e não deu outra: ele pirou. O Saci, o Visconde de Sabugosa, a pílula falante, o pozinho de pirim-pim-pim. Entrou tudo em nosso vocabulário, em nossas brincadeiras e acho que no imaginário dele, para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traçando paralelos, mas guardada as devidas proporções, tive a oportunidade de visitar a exposição “Por dentro da mente de Leonardo da Vinci”. A amostra propõe-se a apresentar protótipos das engenhocas criadas por ele, desde as que foram efetivamente materializadas e funcionaram, até as que não saíram do papel. E que mente maluca o cara tinha; era o que hoje poderíamos chamar de multimídia. Ele foi do embrião do helicóptero à catraca da bicicleta. Fico elucubrando sobre as viagens que motivaram uma diversidade tão grande de projetos. Parece ter vindo desde a busca por soluções práticas para atividades do cotidiano, até o afã de dominar os elementos da natureza, de voar, de andar sobre as águas, que podem ter raiz, também, nas brincadeiras e ilusões infantis. De qualquer maneira, tanta engenhosidade saiu, com certeza, de uma imaginação prodigiosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida existem muitos meios e motivações para o desenvolvimento da criatividade. Música, histórias, vivências, necessidades reais, práticas culturais em geral, todos são caminhos, mesmo porque, as informações, imagens e experiências reais criam um acervo a ser acessado, a serviço da imaginação e, claro, da criatividade. Mas que os devaneios da mente, por pura brincadeira, têm seu valor, ah, isso tem! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me a primeira vez que conversei com meu filhote sobre imaginação. Por alguma razão, falei para ele: “_use a sua imaginação!” Ele respondeu: “_o que é imaginação?” Não foi fácil. Comecei dizendo a ele: “_feche os olhos, agora pense em ...”, e por aí vai. Pouco tempo depois, por sorte, caiu em minha mão um DVD do filme “Pinóquio 3000”, uma versão futurista do clássico infantil. Na história, a amiguinha de Pinóquio o desafia a brincar com ela o “jogo da imaginação”. Na seqüência, tem-se o trecho mais lindo do filme, muito colorido e musicado. Ele, recém criado, mergulha com ela na descoberta da fantasia, num jogo onde um interage com a imaginação do outro. Foi uma forma rica de ilustrar para o pequeno a liberdade do pensamento. Daí por diante, a brincadeira não parou mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, quando o busco na escola para irmos almoçar, percorremos as mesmas ruas, passamos pelas mesmas esquinas, casas, praia, mas o caminho é quase sempre diferente. Às vezes estamos num submarino, os outros carros viram grandes peixes, os coqueiros são monstros marinhos, as barracas de praia são navios naufragados. Às vezes estamos simplesmente planando no ar, como uma imensa baleia voadora. Às vezes o percurso é o espaço, cada barraca é um planeta e as pessoas são estrelas falantes. As possibilidades são infinitas. Não tem muito tempo que, ao terminarmos de montar um quebra-cabeça de grandes dimensões, sentamos sobre ele, que se transformou num tapete voador e nos levou para passear em alguns países. Como canta Xangai, “viajava o mundo inteiro nas estampas de Eucalol, (...) subia o Monte Olímpo, ribanceira lá no quintal, mergulhava até Netuno, no oceano abissal”. Sempre me lembro de Roberto, com suas histórias. Também inspirada nele, ensaiamos alguns números de equilibrismo para o “Circ d'Chulé”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invento muito, deliro um pouco, possibilito para meu filho algumas experiências, mas “cá comigo”, acho muito melhor quando ele cria suas próprias fantasias, seus lugares secretos, suas aventuras da mente. Fico na torcida para que isso se reflita numa forma leve e criativa dele levar a vida. Para que, pelo seu caminho, materialize algumas de suas deliciosas criações, e outras tantas, pelo amor de Deus, não!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-1811943386676358403?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/1811943386676358403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=1811943386676358403' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1811943386676358403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1811943386676358403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/08/no-s-brincadeira-de-criana.html' title='Não é só brincadeira de criança'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBDYnfyXN-I/AAAAAAAAAAU/Ixa9pm96IpU/s72-c/n%C3%A3o+%C3%A9+s%C3%B3+brincadeira+de+crian%C3%A7a' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-5264539326911311994</id><published>2007-05-11T21:15:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T21:03:01.786-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Se é para arrumar confusão...</title><content type='html'>&lt;div align="justify" style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;,Courier,monospace;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Era hora do almoço e não émuito comum consumir tacacá neste horário. Trata-se de um caldo de cor amareloouro preparado a partir da mandioca, com o sabor exótico, acompanhado de camarãoseco, goma de farinha de mandioca e jambú, uma folha que dá uma dormência naboca. A iguaria é apreciada geralmente no fim de tarde, quando a temperaturaestá mais amena, nas banquinhas instaladas nas esquinas de Belém. Mas a questãoé que não sou uma fã incondicional de todos os quitutes da culinária paraense,e passeando pela feira do Ver-o-Peso ao meio-dia essa me pareceu a melhorpedida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Para situar, oVer-o-Peso é um dos principais pontos turísticos da metrópole amazônica, compeculiaridades que só podem ser vistas lá. Um porto onde chegam os barcos quetrazem peixes e outras mercadorias das ilhas e comunidades próximas da capital.É um movimento bonito de ver, e já que estou rasgando uma seda para a cidade,vamos pular o parágrafo sobre a sujeira ocasional de nosso cartão postal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao pato no tucupi, não era para mim. Foi a escolha de meu amigo, minhagostosa companhia no passeio. Enquanto aguardávamos, fui olhar as bijuteriasfeitas na região, com sementes, cordas, coquinhos e penas. Ele engatou num papocom a dona da barraca e ficou por lá mesmo. Quando retornava, um cara queestava sentado na barraca ao lado da nossa, passou a mão na minha barriga.Continuei andando e, um pouco mais na frente, já ao lado de meu amigo, virei e,misturando gaiatice com um tom meio invocado, falei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;-Se você encostar emmim novamente, meu namorado vai aí e quebra a sua cara!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;É claro que estava brincando, mas mesmobrincando, a atitude foi uma surpresa até para mim. Não faz parte do meu showcolocar qualquer pessoa que seja numa “saia justa” como essa. Meu companheirotambém levou na brincadeira e, sorrindo, me olhou com cumplicidade. Mas o tal sujeitonão entendeu do mesmo jeito. Olhou sério para nós e começou a levantar-selentamente. Isso não deve ter durado mais do que uma fração de segundos, maspareceu uma eternidade. Quanto mais o fulano se levantava, mais parecia terainda o que levantar. O bicho era realmente grande. Meu parceiro era até umhomem alto e bem descolado, mas não fazia parte de nossos planos arrumarconfusão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Entrei em pânico. Quepresepada eu tinha armado!? Durante o trajeto que o cara percorria para chegaraté nós, pensava: “o que que eu faço agora? O que faço? O que faço? Aaaaiiiiimeu Deeeeus!!!” Num repente louco, me coloquei entre os dois e disparei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;- Espera aí! Eu falei meu namorado. Ele não é meu namorado. Meu namorado morana Bahia, e não está aqui. Ele (apontando para meu acompanhante), é um amigo eé gay; uma bichona.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo, que de gay não tem nada, não se conteve, deu uma bela gargalhada.Até nosso desafeto relaxou e sorriu também. Pra não perder o embalo, continuei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;- Mas não precisa se preocupar, você me dá seu telefone que quando meu namoradovier aqui ele vai fazer questão de te procurar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;O gaiato, muito tirado a engraçadinho, respondeu com o sotaque bem carregado: -Não, faz o seguinte, tu me dás o teu, que fico te ligando para saber quando elevai chegar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Eu, cinicamente: - Não! O que é isso? Acabei de dizer que tenho namorado, elevo isso muito a sério. Nem o seu telefone eu vou guardar, vou deixar com meuamigo. Mas não precisa se preocupar, ele não vai te incomodar. É uma bichaética. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Ele, rindo, concluiu: - Pequena, de onde tu saiste? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, o cara era boa praça. Conversamos um pouco e ele acabou nos dandoalgumas dicas para aproveitar mais o passeio na feira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;Valeu a lição: não dá para brincar com essas coisas. Vai que a gente se batecom um maluco por aí. De qualquer maneira, deu para divertir e aumentar oarquivo de “histórias para contar”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-5264539326911311994?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/5264539326911311994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=5264539326911311994' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5264539326911311994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5264539326911311994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/05/histrias-de-viagem.html' title='Se é para arrumar confusão...'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-5241875744069513568</id><published>2007-05-06T01:07:00.001-03:00</published><updated>2011-01-04T18:08:57.299-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>Que venha a "maior idade"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt;“Vestibulanda vai parar no canal da Doca”. Foi a manchete que papai, recém chegado de uma viagem, leu em “O Liberal”, jornal de maior circulação no norte do país. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Que absurdo!_Ele exclamou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe retrucou: _Querido, olhe direito a foto, essa menina não te parece familiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Ele respondeu:_Eu não acredito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, era eu. Na foto estava rindo, solitária, dentro do canal da Doca, que, para minha sorte, estava vazio. Não pulei, fui jogada durante a comemoração pelo êxito no vestibular, como a pateta da turma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa e muitas outras histórias deliciosas vieram à tona na última sexta-feira, numa noite que começou com a proposta de um bate-papo regado a um jantar, às 21:00h, e terminou às 5:30h da manhã, com todos dançando ao som da “Festa Ploc 80’s”, com direito a “Como uma Deusa” de Rosana e “He-man” do Trem da Alegria. Viver longe da terrinha onde crescemos, estudamos e viramos gente é muito louco. Se, por um lado, expandimos um bocado nossos horizontes, por outro, corremos o risco de perder pelo caminho pessoas imperdíveis. Nessa temporada em Belém tive o prazer e a sorte de, por acaso - se é que acasos existem -, reencontrar algumas dessas figuras: tio Gema, Silvana, Ricardo, Bailosa, entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci essa turma aos 17 anos, em agosto de 1986. Tinha acabado de voltar de um intercâmbio cultural, que durou 6 meses, para ingressar no 3º ano científico e, em 5 meses, enfiar goela abaixo todo o conteúdo programático da prova do vestibular. Na época, não existiam tantas opções de faculdades como hoje. Para o curso que almejava – engenharia civil – havia a federal (nossa UFPa) e uma faculdade particular. As expectativas e cobranças sobre mim não eram poucas. Consegui ir para o intercâmbio, no ano do vestibular, a custa de meses de argumentação e insistência com meus pais, com o compromisso selado de, ao retornar, viver somente para estudar e passar no famigerado exame da universidade. Para completar a pressão, dois anos antes, meu irmão mais velho tinha passado em 1º lugar na federal, também em engenharia. O prognóstico eram alguns meses de trabalho duro e uma chata rotina de estudo. Mas, para minha surpresa e felicidade, não foi bem o que aconteceu. Estudei bastante, é verdade, e o resultado não poderia ter sido melhor, mas foram também, provavelmente, os meses que mais farreei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As provas na UFPa eram divididas por áreas e, para a área de exatas, a ênfase eram nos testes de física e matemática. Em função disso, além de cursar o 3° ano, no outro turno freqüentava um curso específico dessas disciplinas. Tio Gema, então com 29 anos, era o dono do curso e o professor de matemática. Silvana, sua mulher, com 27, cuidava de toda a parte administrativa. Como anteriormente meu irmão tinha feito o mesmo curso com um resultado tão satisfatório, meus pais tinham o casal na mais alta conta, além de terem por eles uma gratuita simpatia em função do carisma da dupla. Não demorou muito, nossa turma e eles tornaram-se uma grande família. Muitas aulas, estudos, simulados de provas, viradas de noite em sala de aula, mas também muita farra, o Passo da Ladeira, o Karaokê, os botecos, o café da manhã no Hilton. Por estar acompanhada do considerado casal, meus pais me liberavam com uma facilidade que não encontrava em qualquer outra situação. Era o que se podia ser chamado de “dar asa à cobra”. A mim, restava aproveitar. O grupo era ótimo. Além dos já citados Ricardo e Bailosa, tinha Kalume, Ângela, Capilé, Márcio, Bello, Crispino, Helton, Pingarilho, Jaqueline, João Cralos, Cíntia e muito, muito mais. Eram tantas “peças raras” que esgotaria o blog para falar dos nomes e, principalmente, de suas excentricidades. Nossos mentores conseguiam um equilíbrio tão mágico entre a obrigação e o prazer que as atividades se confundiam e acabava sendo tudo muito prazeroso. No final, pasmem, acho que passamos todos e, o que é melhor, na federal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turma se dispersou e cada um começou a seguir seu caminho. Ficou um núcleo de umas dez pessoas que ainda andou junto por muito tempo e, dentro desse núcleo, Tio Gema, Silvana, os dois filhos do casal – Renata e Neto -, que ainda eram crianças, Ricardo, Kalume e eu, vivíamos juntos. Ricardo era um xodó. Éramos grandes amigos e confidentes, e não entendo muito bem porque todos os meus namorados não gostavam dele, assim como todas as suas namoradas implicavam comigo. Kalume, com um humor sarcástico, era o mais centrado de todo o grupo. Renata e Neto eram crianças de menos de 10 anos, e como não podia ser diferente, ateavam fogo no molhado. Quanto ao casal, eles são um parágrafo a parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é uma figura apaixonante. Ao falar de seus projetos, realizações, trabalho, amigos, seus olhos brilham com uma empolgação quase infantil. O céu é o limite, mas com um diferencial: ele não é mais um sonhador, é um realizador de sonhos. Ela é uma mulher inspiradora. Guerreira incansável, sensata, justa e dotada de uma intuição digna de estudo. Prova viva de que las brujas hay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do cursinho pré-vetibular, os dois abriram em Belém uma franquia de um colégio que já tinha sucesso em outros estados, onde trabalhou grande parte de seus pupilos, inclusive Ricardo, Bailosa e eu. Tínhamos 19 anos e, no meu caso, foi o primeiro trabalho com carteira assinada. Oficialmente, eu era auxiliar do professor de educação artística, mas, de fato, encarava sozinha a sala de aula de turmas do 1° e 2° ano científico, e “tocava horror” com laboratórios malucos de teatro. Me lembro de uma vez que o outro sócio do colégio, estranhando o barulho e a música alta em sala de aula, reclamou com tio Gema, que respondeu:”_deixa que ela sabe o que está fazendo.” Hoje, não tenho tanta certeza assim. O colégio cresceu e, com o grupo de Belém, abriu várias outras unidades no interior do estado e em outras capitais. Depois veio um projeto grandioso, visionário, unindo educação e meio ambiente, num tempo que ainda não se falava tanto nisso. Mas o financiamento pleiteado não saiu, e todo o investimento se perdeu. Meus amigos quebraram e passaram o pior perrengue financeiro de suas vidas. Nós estávamos lá, choramos juntos. Vimos toda a ascensão e, sem poder fazer nada, assistimos de braços cruzados a queda brusca. Passado o período de reflexão, eles foram à luta, com nada mais do que a cara e a coragem. A essa altura, meu caminho já estava distanciando-se e, não demorou muito, fui parar em Salvador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse período, tive algumas notícias deles. Que estavam indo bem, prosperando, que as crianças cresceram, que Renata se transformou numa mulher linda e teve uma filha, que Neto casou. Tudo de longe. Ao reencontrá-los, vi que era muito melhor. Os dois continuam lindos, harmoniosos, apaixonados pela vida, pelo trabalho, pela família. Recentemente, ele recebeu um importante prêmio na cidade, coferido anualmente a um profissional de grande destaque, reconhecimento mais do que justo pelo consistente trabalho na área da educação e por seu bem sucedido empreendedorismo, premiação que estendo à Silvana, como ele também o fez ao receber o prêmio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram muitas voltas, mas juntos parece que ainda somos o mesmo grupo. Aproveitamos o reencontro para começarmos a organização de nossa festa de 21 anos de conclusão do colégio, nossa maior idade, alcançada este ano. Democraticamente, elegemos toda a diretoria da festa, com algumas funções definidas. O evento já tem local e data marcada: dia 20 de dezembro. Portanto, tratem de mexer esses traseiros gordos. Eu não vou esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-5241875744069513568?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/5241875744069513568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=5241875744069513568' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5241875744069513568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/5241875744069513568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/05/que-venha-maior-idade.html' title='Que venha a &quot;maior idade&quot;'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-3313735864163837000</id><published>2007-04-16T11:07:00.001-03:00</published><updated>2011-01-05T11:25:53.670-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>E nada de Gloria Gaynor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;Em Salvador, morar perto das praias as quais, no fim-de-semana, a cidade toda encara engarrafamentos para chegar, tem seu preço. Boa parte dos artefatos e serviços mais específicos só estão disponíveis na “cidade”, e tenho que enfrentar mais ou menos uns 40km para encontrá-los. Esta semana, numa dessas empreitadas, fui à Gamboa, no trecho sentido Campo Grande – Av. Contorno, e me lembrei de um sábado à noite que vivi naquela área. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma data que, motivada por entusiasmados comentários de amigos, queria conhecer uma boate gay no referido endereço: a “Tropical”. Mas, vamos combinar, por mais antigo que pareça, não é qualquer um que topa essa programação. A maioria das pessoas tem, na ponta da língua, uma lista de boas razões para não irem, quase todas recheadas de pré-conceitos dos mais caretas; e depois, ainda dizem que os freqüentadores da boate é que são cheios de “frescura”. Mas isso não era problema, eu tinha um amigo perfeito para a ocasião; não era gay, mas também curtiria a noitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos em torno de meia-noite e, para esquentar, fizemos um pit-stop num bar na Ladeira da Barra, com vista para a Baía de Todos os Santos; um local que tinha a fama de ser GLS. Pelo que pudemos presenciar, era só fama. Encontramos um ambiente dos mais ortodoxos: casais de namorados apaixonados e animados grupos de confrades. Eu e meu amigo não nos enquadrávamos em nenhum dos dois casos. Tivemos um rolo mas, no momento, não havia nada entre nós – ou quase. Mesmo sendo assim, quando estávamos juntos, ficávamos numa brincadeira de gato e rato, alternando os papéis, sobrando para mim, na maior parte das vezes, o papel de rato. O papo fluiu entre conhecidos em comum, músicas, filmes e acontecimentos recentes ou antigos, de um e de outro. Quase duas da manhã, saímos rumo ao nosso destino principal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta da boate, logo me animei. Apesar da chuva, a entrada estava movimentada, com uns travestis bonitos e produzidos. Ao entrarmos, nos deparamos com um ambiente de boate não sofisticada, mas como qualquer outra: luz negra, jogos de luzes piscando, fumaça de gelo seco, fumaça de cigarro e aquele repetitivo som de tum-tum-tum. A característica especial era o público: 99% masculino. Não era exatamente o que imaginava. Sabia que havia um show de transformistas, então, em algum lugar, tinha que existir um palco e um espaço adequado para espetáculos. Saímos pela boate procurando e cruzamos todo o ambiente, que tinha no fundo uma parede espelhada. O espelho nos confundiu e continuamos andando até nos depararmos com nossa própria imagem refletida. E aí, acabou? E o palco? E todo o resto? Puxei conversa com um rapaz muito dançante e perguntei pelo show. Ele me informou que havia um pavimento superior e que as apresentações aconteciam lá. No primeiro andar, encontramos um espaço reduzido também com luz negra, um bar, um pequeno palco e algumas mesas. Como o show ainda não ia começar, descemos e fomos sacudir. Na boate rolou a dança de uns gogo-boys. Nada de mais, eu mesma sou capaz de performances mais interessantes. Curtimos um pouco e fomos assistir o esperado show. As apresentações eram solos de travestis dublando cantoras como Gloria Estephan. Muito maquiadas, com cabelos ou perucas vistosas, saltos altíssimos e vestidos sensuais. As performances eram contidas, sem jogos de pernas ou movimentos bruscos, e mais caras e bocas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava legal, mas não tinha nada a ver com o que havia, literalmente, fantasiado. Confesso que estava totalmente influenciada por filmes como “Gaiola das Loucas” e “Priscila, a Rainha do Deserto”. Esperava, e posso até dizer que queria muito, encontrar um lugar exageradamente colorido, cheio de drag queens, transformistas de patins, um público mais escandaloso e performático, e uma forte disposição de todos para interagir de modo geral. Para os shows, a expectativa eram muitas pessoas no palco, roupas de espetáculo, e pernas e braços passando para todos os lados, tipo Brodway. Nos intervalos das apresentações, achei que dançaria ao som de Gloria Gaynor, com o celebre “I will survive”, ou talvez “It’s raining man”. Nem uma coisa, nem outra, mas não posso dizer que me decepcionei, só caí na real. Meu amigo fez algum sucesso. Despertou o interesse de um baixinho, que lhe lançou uns olhares fulminantes, e também pegou alguns apertos quando nos amontoamos para ver o show. Eu saí no zero a zero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fomos embora, aproveitando que estávamos ali perto, tentei de todas as formas convencê-lo a pularmos o muro do Passeio Público, que ficava fechado e vigiado, para vermos o sol nascer. Lógico que a parte do “sol nascer” era uma lorota. A orla da Baía de Todos os Santos é famosa por proporcionar aos apreciadores um belíssimo pôr-do-sol, não seria porque estávamos lá, naquela madrugada, que o sol resolveria nascer ali. Ainda assim, quando clareasse, haveria a vista do imenso azul, e como canta Gil, “não qualquer azul (...)/ o azul de qualquer poesia (...)/ é o azul que a gente fita/ no azul do mar da Bahia”. No mais, tínhamos grandes chances de viver uma excitante aventura, mas ele não topou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino como o Pescador de Ilusões: “valeu a pena”. O passeio serviu para desmistificar aquela “aura” que criamos em torno dos ambientes e eventos gays, onde imaginamos que os homossexuais têm que ser necessariamente “espetaculosos”, e tudo deve ser como uma Parada Gay. Nessa tribo, como em todas as outras, as pessoas saem para se divertir, ver outras pessoas e namorar, sem qualquer compromisso de proporcionar show para quem quer que seja. Se você é da noite, gosta de boate e quer variar o point, é uma. Deixe em casa seus pré-conceitos e vá curtir. Eu recomendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-3313735864163837000?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/3313735864163837000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=3313735864163837000' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3313735864163837000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/3313735864163837000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/04/e-nada-de-gloria-gaynor.html' title='E nada de Gloria Gaynor'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-1360649701170956628</id><published>2007-04-13T10:05:00.001-03:00</published><updated>2011-01-04T18:03:46.782-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>La Dolce Vita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt;Quando iniciei o blog, planejava escrever sobre uma série de coisas que povoam minha cabeça, mas de uma maneira que pudessem resultar num conteúdo inteligente, divertido e interessante para quem lesse. Mas o fato é que, no dia-a-dia, sou atropelada pelos acontecimentos domésticos, que provavelmente não são interessantes para mais ninguém, mas, para mim, por vezes, são até bem divertidos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana começou com uma reunião na escola do meu filho, logo às 9:00h da segunda-feira. Imaginava ser uma reunião ordinária. Ledo engano. Era uma reunião extraordinária. O rapazinho, com três anos, anda explosivo além da conta e, quando contrariado, perde o controle e reage de forma pouco amigável. Fiquei pensando no que poderia fazer e passei o resto da manhã com uma sensação de incompetência me perseguindo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do trabalho meio-dia e, como costumeiro, passei para pegar o pequeno na escola. Chegando em casa, o portão eletrônico, que já dava sinais de enfermidade, não abriu. Tudo bem. Deixamos o carro fora e entramos. Há pouco tempo uma equipe da prefeitura vem realizando limpeza no rio que passa junto de minha casa. Nesse período, todos os dias, quando saio de casa e quando retorno para o almoço, vejo aquela “homaiada” estacionada em minha calçada, com olhos atentos a todos os nossos passos. Considerando que moro sozinha com o filhote, a situação me deixa um pouco preocupada. Meu ex-marido, pai do baixinho, tinha ficado de levar em casa algumas roupinhas do garoto que estavam com ele. Aproveitando a oportunidade, pedi que agisse como se morasse na casa, cumprimentasse os homens e fizesse notar sua presença. Nessas horas é bom ter uma figura masculina para posar na foto.Acho que a encenação foi satisfatória. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço, levei meu filho numa clínica ortopédica no bairro vizinho, pois tinha machucado a mãozinha numa queda há alguns dias e a mesma continuava um pouco inchada. Acho que por uma questão de segurança, ele levou sua espada - de plástico, comprada por R$3,00 nessas lojas que costumavam ser de R$1,99 - embainhada na cintura. Sem dúvida o rapaz estava num dia inspirado: comunicativo, perguntador e muito boa praça. Na clínica, conversou e brincou com a recepcionista, o servente, o médico, o técnico em radiologia, a enfermeira e alguns outros pacientes, mostrando toda sua habilidade como espadachim. Depois de diagnosticada uma pequena fratura em um dos ossinhos da mão, foi indicada a imobilização. A enfermeira chegou com o material e pediu a ele a mão para engessar, enquanto, ao lado, eu e o médico conversávamos. Concluído o gesso, a enfermeira mostrou ao médico perguntando se estava bom. O médico, tranqüilamente, respondeu que o gesso estava ótimo, mas estava na mão errada. O baixinho imediatamente falou meio cantarolado: “te enganei!”. Caímos todos na gargalhada. Eu mesma tive uma crise de riso e as lágrimas chegaram a descer. A enfermeira falou: “você rapaz...”. E ele respondeu rindo: “você é uma maluca!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos com o gesso na mão certa, deixei o pequeno em casa e fui para o trabalho. À noite, quando voltei, o portão novamente não colaborou. Desci e fiz todos os procedimentos necessários para abri-lo na mão grande. Um portão de madeira de aproximadamente 3,00m x 2,40m pesa, e novamente me veio a cabeça que, também para essa situação, a figura masculina fica linda na foto. Tudo bem, dá para resolver. Entrei e começou a novela que vivo quase todos os dias quando chego em casa à noite. A esta hora, meu filho está com saudade e querendo atenção. Da mesma forma, é a hora da refeição dos cachorros, um casal de labradores, e do gato, um exigente vira-lata que come o dia todo, que já estão morrendo de fome. Enquanto entro, o pequeno fica me chamando e puxando, os cachorros latem e correm de um lado para outro, me lembrando que é hora do rango, e Pajé mia como se não comesse há dias. Às vezes, por falta de sorte, na mesma hora toca o telefone e/ou Eliane, minha assistente para assuntos domésticos, resolve relacionar verbalmente tudo que preciso comprar. Sempre me vem à cabeça uma música que ouvia quando era criança e que dizia mais ou menos assim: “a véia debaixo da cama/ a véia criava um gato/ de noite o gato miava, o cachorro latia, o pintinho piava/ ai meu Deus como eu sofria”, e me dá vontade de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, quando retornei com meu garoto para o almoço, o portão funcionou ao primeiro toque, e entramos sob os atentos olhares da equipe da prefeitura. Já com o carro do lado de dentro do muro, o portão mudou de humor e não quis fechar. Comecei a insistir na tentativa de conseguir, incomodada com a casa escancarada diante da platéia de estranhos. Como não obtive sucesso, desci para, novamente, fazer todo o passo-a-passo para fechá-lo manualmente, deixando o baixinho dentro do carro para ser mais rápida. Enquanto começava os procedimentos, meu filho, seguro no cinto de segurança da cadeirinha, começou a chamar de dentro do carro, pedindo insistentemente que o tirasse de lá. Simultaneamente, Eliane veio correndo até nós com uma cara de susto, para não dizer pânico, pedindo socorro porque havia uma cobra no telhado da área de serviço. Pra completar, a cachorra conseguiu abrir um pequeno portão que existe já dentro do lote, e tem a função de isolar a área de entrada do carro, impedindo que os cachorros fujam quando o portão eletrônico se abre. A segurei para que não fugisse e me coloquei na frente do cachorro, para que ele não fizesse o mesmo. Esse foi um daqueles momentos quando, em fração de segundos, passam milhões de coisas pela nossa cabeça. Olhando todo o contexto, não sabia o que resolver primeiro, considerei várias possibilidades de ação e elegi o plano que me pareceu melhor. Comecei tentando, pela última vez, fechar o portão com o controle. Por sorte, consegui. Aí, pude soltar a cachorra, liberar o cachorro, tirar o pequeno de dentro do carro e, então, socorrer Eliane. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma assistente para assuntos do lar, Eliane é uma amiga. Uma garota de 22 anos com um juízo que eu só alcancei em meados dos trinta, já motivada pela maternidade. Na minha ausência, cuida de meu filho com todo o carinho e responsabilidade, além das demais atividades domésticas, mas coragem, com toda a certeza, não faz parte do rol de suas qualidades. Ela tem medo de ficar sozinha em casa à noite, tem medo de gia, perereca, sapo, lagartixa e outros bichinhos, fato que, considerando a área onde moro, constitui um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminhávamos em direção à área de serviço, fiquei imaginando que deveria ser uma cobrinha de nada e tudo não passava de um grande exagero de Eliane. De qualquer maneira, não seria a primeira vez que seríamos brindados com a visita do réptil, nem a segunda; para ser exata, seria a quinta vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que fui surpreendida por uma serpente dentro de casa devia fazer um ano que morava no local, e ainda não tinha filho. Estava pintando na sala quando a cobra rapidamente entrou e escondeu-se debaixo do estofado. Outra vez ela apareceu no caminho da saída do carro. Na terceira vez estava com duas sobrinhas hospedadas em casa. A cobra escondeu-se na área de serviço e foi o acontecimento do dia. Por fim, na quarta vez, o réptil foi realmente convidado. Tratava-se de uma salamanta de estimação de um amigo veterinário. A cobra tinha aproximadamente 1,50m, era dócil e todos, incluindo o baixinho, carregamos o animal, tiramos foto e tudo. Acontece que em todas as oportunidades anteriores eu ainda estava casada e, tenho que reconhecer, o “ex” tem um talento todo especial para lidar com essas situações. Em todas as vezes que elas vieram sem ser convidadas ele conseguiu reconduzi-las ao rio ou alguma área de vegetação adequada, sem se alterar e sem machucá-las. A que alojou-se na área de serviço, para delírio de minhas sobrinhas, ele pegou com a mão e saiu mostrando para todo mundo. É praticamente um “Indiana Jones”. Só que a situação agora é outra e, apesar de não ter medo e ter muita afinidade com animais e ambientes naturais, não sou nenhuma “Jane”, e não tenho qualquer habilidade de captura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na área de serviço, Eliane não quis nem entrar, de longe me apontou onde o bicho estava e saiu gritando. Quando olhei não acreditei. Só dava para ver a cabeça, parada, observando tudo. A questão é que a tal da cabeça devia ter uns seis centímetros de largura, o que indicava ser uma cobra de tamanho considerável. Além disso, não dava para ver cor ou padrão de desenhos do couro, que poderia dar dicas sobre a espécie. Isso ia exigir medidas extremas e provavelmente teria que contatar algum órgão especializado na captura e remoção. Saí e fui dar uma olhada na lista telefônica, mas a curiosidade foi maior e resolvi espiar novamente. O local onde ela estava escondida era um pouco escuro e tive que chegar realmente perto. Foi quando observei algumas coisas pontudas sobre a continuação da cabeça, ou seja, no pescoço, mas cobra não deveria ter pescoço. Cheguei mais perto e ela movimentou-se, então apareceram as garras. Garras? Cobra incomum, pensei. Foi aí que deu para sacar, não era uma cobra, era um camaleão, ou parente próximo, e o bicho não era pequeno. Então fiquei tranqüila, até onde sei, camaleões não mordem, picam ou oferecem maiores riscos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proibi terminantemente Eliane de enxotá-lo com vassoura ou qualquer outra coisa. A orientação era: deixe o animal na dele, que a hora que resolver ir embora, ele vai. Acho que o bicho não corria risco mesmo, minha escudeira não ia entrar no ambiente enquanto ele permanecesse lá. Tentei de todas as formas amenizar seu sentimento de medo, dizendo que ele era como um dragãozinho dos contos de fada que não cuspia fogo, mas acho que ela não curtia muito as historinhas infantis. Todo esse alarde acabou assustando também meu garoto que, em geral, é bem despachado com os animais, mas nesse caso, só topou ver a um metro de distância e no meu colo. Não demorou muito para o bichinho ir embora por decisão própria e a paz voltar a reinar no lar. De pensar que ainda estávamos na terça-feira; mal podia esperar pelo resto da semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sobre o portão eletrônico, levei o controle para a assistência técnica, que me garantiu que o problema era a bateria, trocando-a na mesma hora. Mas, até hoje, ele ainda não funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-1360649701170956628?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/1360649701170956628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=1360649701170956628' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1360649701170956628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/1360649701170956628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/04/la-dolce-vita.html' title='La Dolce Vita'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-4437956542314661562</id><published>2007-03-12T18:20:00.001-03:00</published><updated>2011-01-06T17:29:01.088-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>Só mais um texto sobre a maternidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeBMvyXOFI/AAAAAAAAABM/Vxi26vN4ygA/s1600-h/mÃ£e+e+filho"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194762751181273170" src="http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeBMvyXOFI/AAAAAAAAABM/Vxi26vN4ygA/s320/m%C3%A3e+e+filho" style="cursor: hand; float: right; margin: 0px 0px 10px 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: courier new; font-size: 130%;"&gt;São relativamente comuns os relatos sobre a experiência da maternidade e/ou paternidade. Textos apaixonados, em êxtase, ou angustiado e cheios de dúvidas, ou ainda, com um pouco de tudo, que são os que parecem mais próximos da vida real. Também tenho minhas histórias e impressões. Como minha experiência pessoal é a maternidade, vou me referir especificamente a ela, apesar de acreditar que tudo, ou quase tudo, se aplica integralmente também à paternidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui mãe cedo. Tive meu único filho aos 34 anos, apaixonada pela idéia. Quando ele chegou, já tinha mais de 6 anos de casamento, tempo pelo qual adiei a gravidez por uma conjunção de motivos, mas acredito que, sobretudo, por puro medo. Por melhores que fossem meus sentimentos e relações com marido, pais, irmãos e amigos em geral, ainda assim era a personagem principal de minha própria vida, a pessoa mais importante. Não sei se era exatamente uma questão de egoísmo, traçava os caminhos conforme meus objetivos e, já no trajeto, sempre arrumava tempo e espaço para as pessoas e causas que me eram caras. Desta forma, quase sempre, fiz o que quis. A chegada do pequeno, neste contexto, mudou tudo. Ele passou a ser a pessoa mais importante de minha vida, o protagonista de minhas cenas e, não raro, me vejo ajustando o caminho, adiando, ou mesmo desistindo de projetos por sua causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ponho em dúvida que esse exercício de renúncia, entrega e disponibilidade me faz melhor. Claro que todo mundo, em maior ou menor medida, já experimentou os efeitos positivos do sentimento do amor ou outros, quase tão nobres quanto, mas a maternidade bagunça a gente de uma maneira diferente. É um processo diário e muito dinâmico, porque as figurinhas crescem sem pedir licença e, a cada diferente fase, os desafios insistem em te lembrar que, apesar de tudo que você viveu, ouviu ou leu sobre o assunto, não sabe de nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em ler, desde a gravidez, me lancei numa frenética busca do conhecimento através da literatura especializada em bebês, educação e psicologia infantil. Tentava antecipar meus conhecimentos às fases, na ilusão inocente, quase burra, que, para aquela fase seguinte, estaria melhor preparada. Fui tão feliz neste projeto que, há tempo, não leio nada sobre o tema. Não que o conhecimento desses profissionais, que pesquisam uma vida inteira o assunto, não ajude, mas nossa intuição e bom senso são bem mais determinantes na vivência. De resto, vejo que o melhor é relaxar e aproveitar, aproveitar muito, porque passa rápido demais e, se é nossa responsabilidade e compromisso contribuir positivamente na formação dos pequenos, eles, sem qualquer compromisso ou responsabilidade, fazem muito mais pela gente. O banho de chuva, as brincadeiras que só nós entendemos, o acordar preguiçoso envolvido em carinhos e declarações de amor eterno, são momentos que, junto com ele, quando tudo está fluindo bem, me dão a sensação de que nada mais importa. Além disso, me sinto estimulada de outras formas, porque o rapazinho, apesar de tão novo, mostra que sabe (ou pensa que sabe) o que quer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que neste quesito ajudo um bocado. Mais ou menos desde os seus dois anos e meio, pratico com ele um exercício de argumentação e contra-argumentação. Grande parte das vezes que ele quer algo (coisa ou atividade) e tal desejo não me parece uma boa idéia naquela hora, quando sou questionada sobre a negativa, respondo somente: “me convença”. Acho que não preciso dizer que choros, birras e tolices em geral, não são considerados na discussão. Só valem argumentos, e é surpreendente o que pode sair de uma cabecinha que ainda não tem nem quatro anos de vida. São sacadas, improvisos e tentativas de manipulação que me divertem e me provocam. Às vezes, o debate se estende longamente, nem sempre terminando bem. Não alivio porque ele é criança. Se o argumento não convence, paciência, ele não leva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo, introduzi em nossa relação o conceito de “direito”, no sentido de prerrogativa para fazer ou deixar de fazer algo. A partir daí, passou a ser comum em nossos diálogos colocações como: “você tem direito de falar isso” ou “não tem direito de fazer aquilo”. Quando brigávamos, ele, muito invocado, me “xingava” de feia e, por vezes, tentava me bater. Eu o segurava e dizia com firmeza: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem direito de me achar feia, é um direito seu, mas não tem direito de me bater. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo depois, enquanto brincávamos relaxadamente, ele, de forma carinhosa, me chamou de feia. Eu rebati:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poxa filho, você me acha feia? Fiquei triste! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, sem pensar, respondeu de pronto: - Não fica triste mãe, é um direito meu te achar feia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, só consegui pensar em palavras pouco amistosas para dizer ao Sr. Nelson Aguiar e Sra. Rita Camata, respectivamente autor e relatora do Estatuto da Criança e do Adolescente, que conferiu direitos a essas criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra oportunidade, fui pega de surpresa por uma dúvida sua que me pareceu um pouco precoce. Sua babá trouxe à nossa casa o enteado, um ano mais novo que meu garoto, para passar um dia conosco. Os dois rapidamente entenderam-se e começaram a brincar. O anfitrião teve um comportamento exemplar, mostrou todos os brinquedos e os emprestou sem reservas. O visitante encantou-se com tudo e, absorvido entre tantos brinquedos, não deu muita atenção para o novo amigo. Meu gatinho sentiu e, sem falar nada, levantou-se e ficou observando a cena um pouco afastado.Não demorou muito, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que ele gostou de mim ou só gostou dos meus brinquedos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro desafio é o permanente processo de interação entre o que oferecemos dentro de nosso mundinho controlado, ou relativamente controlado, que é nossa casa, e as contribuições externas. Dentro, em certa medida, posso selecionar os estímulos e equilibrar as doses. Fora, os estímulos vêm de um sem número de fontes e, portanto, não há muito como controlar. Nessa linha, poderia falar de alimentação, comportamento relacionado a várias questões e outros, mas vou me referir somente a um aspecto. Meu garoto é uma criança bonita, de uma beleza diferente em nossa região. Para completar, é comunicativo, carismático e bastante sedutor. Colocações do tipo: “mamãe, por que todo mundo me chama de lindo?” Ou “todo mundo quer meu cabelo e me pede um pedaço!” Ou ainda “Todo mundo me ama, não é mamãe?”, chegam a me preocupar sobre como os tão constantes e entusiasmados comentários se processam na cabecinha dele. Além disso, somamos o fato dele ser baiano e, como tal, "não nasce, estréia", ser filho único e leonino, autêntico. Resumindo, ele é vaidoso, adora ser o centro das atenções e, realmente, “se acha”. Entendo que é importante que ele aprecie sua própria imagem, sinta-se querido e admirado, mas procuro ter cuidado com os exageros. Tento mostrar que não precisa ser, necessariamente, sempre assim e, na medida do possível, mudo o foco e chamo a atenção para outras qualidades menos “espetaculosas” que ele tem, ou que não tem, mas que é bom que desenvolva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove meses atrás, pulamos uma fogueira. Eu e o pai do pequeno nos separamos. Desde então, vivemos somente ele e eu, com direito a babá durante o dia, enquanto trabalho, para os horários em que ele também não está em suas atividades externas. Antes que possa parecer que o pai sumiu, esclareço que não foi o que aconteceu. Ele continua presente e participativo, um bom pai, mas não mais faz parte de nosso convívio diário. Não tenho ainda uma avaliação muito clara de como nossa relação de mãe e filho evoluiu nesse período. Existiram fases em que ele demonstrou nitidamente estar sentindo a separação. Já em outras, agia como se sempre tivesse sido assim. No mais, o próprio convívio oscila muito de dia para dia, às vezes, de minuto para minuto. Um acontecimento recente me deu uma boa idéia dos picos de oscilações que nossa relação pode atingir, e das “saias justas” que tais situações podem proporcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas semanas, quando voltávamos de avião para Salvador, o rapazinho, agora com pouco mais de três anos, protagonizou o maior “piti” feito por uma criança que já tive oportunidade de presenciar. Existiam alguns atenuantes para aquele comportamento. Ele foi acordado às 3:00h da madrugada e se recuperava de uma inflamação na garganta, que lhe rendeu, além de umas febres de mais de 39ºC, algumas privações e uns procedimentos nada agradáveis para as crianças, relativos a exames médicos. Mas tudo isso ainda não me pareceu suficiente para justificar um show daquela proporção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto entrávamos no avião, ele ia falando: “eu quero sentar na janela”. A cada janela vazia por onde passávamos, ele perguntava: “é essa?” Infelizmente, nossos lugares eram marcados, e não contemplavam janela. Constatado o fato, assim que sentamos, ele começou a chorar e gritar: “eu quero uma janela!” Todos já haviam entrado e sentado, e os comissários se preparavam para a decolagem. Quando ele começou a espernear, tirei-o de seu lugar e o segurei firmemente sentado em meu colo, tentando conter braços e pernas que, a essa altura, se debatiam, atingindo a mim e a poltrona da frente. Como costumo fazer nessas situações, não me alterei. Normalmente o teria levado para um local mais reservado, até que se acalmasse, mas, neste caso, não era possível. Mantive a calma, falando em seu ouvido: “quando você parar, nós conversamos”. Mas ele não parou tão rápido. A comissária veio até nós e perguntou: “_você quer um chocolate?” Antes que ele falasse qualquer coisa, respondi que não era para dar nada a ele. Da mesma forma, o rapaz que sentava na janela de nossa fileira ofereceu de maneira simpática o seu lugar. Agradeci, mas recusei. Seria o fim, depois de tudo, premiá-lo com um chocolate ou com a janela. Entre os gritos de “me solta”, percebia a reação das pessoas no avião, que iam desde o riso, até os olhares e murmúrios que, apesar de não poder ouvir, compreendia tratar-se de qualquer coisa sobre a minha falta de competência em educar e estabelecer limites. Não tenho idéia de quanto tempo durou aquela situação, mas quando ele parou, o avião ainda não havia saído do lugar. Coloquei-o de volta em sua poltrona. Em experiências semelhantes que vivemos, quando ele acalmava-se, pedia desculpas dizendo, com convicção, que não iria fazer mais isso. Era quando aproveitava para estabelecer um diálogo, estimulando-o a falar sobre o que tinha motivado a reação intempestiva, e então, juntos, buscávamos alternativas mais positivas para a demonstração de seus sentimentos. Mas, dessa vez, ele estava realmente com sono. Ficou calado e, aproximadamente, cinco minutos depois, dormia com a cabeça encostada em meu colo. Que bom, porque eu não tinha mesmo condições emocionais de conversar nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o devolvia para seu lugar, minhas lágrimas começaram a descer insistentemente. Estando num lugar público e sendo, no momento, o centro das atenções, me vali dos longos cabelos para esconder o rosto e um constrangimento um pouco dolorido. Por fim, fui também vencida pelo sono. Adormeci, entre muitas reflexões, com a nítida sensação de que a festa está apenas começando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-4437956542314661562?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/4437956542314661562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=4437956542314661562' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4437956542314661562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/4437956542314661562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://panndora.blogspot.com/2007/03/s-mais-um-texto-sobre-maternidade.html' title='Só mais um texto sobre a maternidade'/><author><name>panndora</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10588879762321112957</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/TNbm5nvZDkI/AAAAAAAAADw/BtruK4bXBwE/S220/21+(2).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BAe9b6Pi4fw/SBeBMvyXOFI/AAAAAAAAABM/Vxi26vN4ygA/s72-c/m%C3%A3e+e+filho' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4822798033154268434.post-3839774397178293915</id><published>2007-02-27T14:38:00.001-03:00</published><updated>2011-01-04T18:00:12.225-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aventuras'/><title type='text'>Uma Tarde Incomum de Praia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: small;"&gt;O combinado parecia perfeito: sexta-feira, praia no horário do almoço. Realmente não podia ser melhor. No verão o céu de Salvador atinge o mais belo tom de azul e a praia parece murmurar: vem cá, chega aqui. Diferente de Vinícius, o dia não era exatamente “para vadiar”, mas duas horas deviam ser suficientes para “desanuviar”, afinal, não passávamos pelos melhores dias em nosso ambiente de trabalho, um órgão público. O momento era de transição política e o novo governo, que acabara de assumir, prometia de forma um pouco vaga mudanças que não tínhamos ainda como mensurar. Bem, em briga de cachorro grande é melhor não se meter, então vamos à praia. Inicialmente o programa era para aproximadamente oito pessoas, mas entre acertos e desacertos sobramos nós três: Alida, Borges e eu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praias do Flamengo pareceu a melhor opção. Biquíni e frescobol na bolsa, pegamos o rumo da praia. Chegando lá, já ansiosos para pisar na areia, trocamos a roupa no banheiro da barraca que acabamos ficando. Borges, que estava sem sacola, me deu algumas coisas enroladas em sua calça jeans para que guardasse na minha bolsa. Entre cerveja, água de coco e um bom mergulho, conversávamos sobre o privilégio de poder curtir uma praia tão gostosa em pleno dia de semana. Nenhum dos três baiano, concordávamos que esse povo tinha mesmo motivos para ter tão bom astral. Com quinze minutos de praia, enquanto Borges curtia o mar, fomos – Alida e eu – jogar frescobol, deixando nossas coisas, bolsa e tudo mais na mesa da barraca sobre a areia da praia, há aproximadamente 20m de onde jogávamos. Não demorou muito para que ele chegasse dando o alarme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Vocês pegaram as coisas da mesa? Porque meu relógio, que estava dentro do sapato, não está mais lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, adepta convicta do pensamento positivo, não dei muita atenção, e respondi qualquer coisa tentando fazê-lo acreditar que não tinha olhado direito ou que talvez tivesse deixado em outro lugar. Alida foi pela mesma linha. Mas ele foi firme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_Não, não. Eu tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da insistência, fomos “averiguar” – já usando um termo compatível com os acontecimentos que viriam na seqüência. Não deu outra, haviam levado o relógio dele e minha bolsa, com todas as coisas que havíamos colocado dentro. Num lapso de confusão mental, olhei um pouco aliviada e pensei comigo: “ainda bem que não levaram o frescobol”, já planejando a praia do fim de semana que estava chegando. Recobrada a consciência e a real escala de valores, atinei que tinha perdido a chave e o documento do carro, a carteira com todos os documentos pessoais e cartões, o celular, as roupas e mais ou menos as mesmas coisas de Borges. Indaga daqui e investiga dali, indicaram o sentido do caminho de nosso larápio. Em completa sintonia, nos olhamos e saímos correndo na direção enquanto Alida gritava: "_vou ficar aqui olhando o resto das coisas e esperando vocês."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntando mais ou menos 300m na frente, descobrimos que haviam pego um rapaz roubando em outra barraca e entregue para o módulo da polícia militar, localizado na divisa entre os bairros de Praias do Flamengo e Praia de Ipitanga. O módulo, que se não fosse pelas cores tristes e o péssimo estado de conservação, mais pareceria uma casa de boneca, tinha uma janela na fachada, por onde, cheia de curiosidade, coloquei a cabeça para xeretar. Dentro, numa área de aproximadamente 12m², víamos dois policiais em torno de um jovem rapaz sem camisa. Este estava sentado no chão com as mãos algemadas para trás e uma fisionomia que misturava um sincero sentimento de medo e um fingido sentimento de “não tenho nada com isso”. Para minha boa surpresa, no meio da cena estava minha bolsa com todas as coisas espalhadas aleatoriamente pelo sujo chão do módulo. Da janela, falei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_É a minha bolsa. Que bom que vocês a acharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos, nos identificamos e, contando aos policiais o que tinha acontecido, começamos a juntar as roupas e demais objetos, verificando se tudo estava lá. Foi quando, com surpresa, avistei aquela imagem inesperada de uma calcinha e uma cueca juntas no meio de tudo. A calcinha era minha, que havia trocado pelo biquíni quando cheguei na praia, mas com toda a certeza aquela cueca não fazia parte de minha indumentária. Somando os fatos, constatei que, dentro de minha bolsa, sem que eu soubesse, a cueca do meu amigo descansava placidamente há alguns centímetros de minha calcinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges é um amigo dos mais queridos. Nos conhecemos em janeiro de 2005, logo que comecei a trabalhar no Estado. A empatia foi imediata e em pouco tempo conversávamos sobre os mais variados assuntos. Não estaria exagerando se dissesse que este convívio ampliava meus conhecimentos, aguçava minha percepção e exercitava minha capacidade de associação e argumentação. Ele é o cara. Quando saiu do órgão durante pouco mais de um ano para outros desafios, emburreci um tanto. Mas aquela inesperada situação de calcinha e cueca publicamente juntas me deixou realmente constrangida, piorada ainda pela participação desconfiada e um pouco cínica de um dos policiais. Borges, um verdadeiro gentleman, fingiu não perceber o que acontecia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossas coisas estavam todas lá, a exceção do relógio e celular dele, que o rapaz insistia em dizer que não pegou e que não sabia de nada. Achei que, cumprido os procedimentos normais, estaríamos liberados, mas não foi exatamente o que aconteceu. Enquanto nos preparávamos para sair, ouvíamos o rapaz pedir insistentemente ao policial que o liberasse, porque era menor (o que não parecia), e já haviam encontrado tudo, e ele não ia fazer mais isso, e ia nevar no próximo verão, e etc. Foi quando, num lance maluco de total falta de bom senso, o policial, que aparentemente comandava a “operação”, exclamou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Vai depender dela! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arregalei os olhos sem entender muito bem o que ele queria dizer. Mas o sargento insistiu: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Já que ele não devolveu o relógio e o celular, então é a Sra. que vai decidir se a gente libera ele ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora imaginem: sou uma moradora da área e, com freqüência, passeio de bicicleta com meu filho, corro, freqüento a praia, circulo a pé ou de carro, e o delinqüente juvenil, como ele queria parecer ser, era um conhecido ladrão da mesma área. Não seria nada difícil cruzar com ele pelas ruas do bairro e muito complicado se a lembrança que guardasse de mim fosse a da madame que o ferrou. Chamamos o policial para fora do módulo e, com toda a delicadeza que é necessário para conversar com a "categoria", dissemos em bom português que ele estava “queimando o meu filme” e que podia tratar de desfazer o que tinha feito. Só então fomos liberados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Alida aguardava preocupadíssima na mesa da barraca. Preocupadíssima, mas o sol estava tão lindo, a praia uma delícia e o aroma do acarajé fritando exalava no ar. Bem, que mal poderia haver em comer um acarajé enquanto esperava? Já com o quitute na mesa, ela começou a degustar a iguaria baiana mas, atormentada pelo remorso de estar apreciando tal delícia enquanto os amigos perseguiam ladrões, os pedaços desciam quadrados. Iniciada na arte da meditação e filosofias orientais, utilizou um método pouco convencional, acho mesmo que de autoria própria, para enviar boa energia para nós. A cada pedaço ingerido, entoava mentalmente poderosos mantras. Terminado o acarajé, achou que boa energia não era suficiente para ajudar. Lembrou do meu celular que foi roubado junto com a bolsa e arquitetou uma manobra ousada. Ligaria para o ladrão, se identificaria como delegada de polícia e daria uma prensa no meliante. Não consigo mesmo imaginar essa cena. Alida é filha de italianos e tem o idioma como língua materna, o que é ainda denunciado num leve sotaque e em algumas expressões que deixa escapar. Além disso, vamos combinar, é uma mulher sofisticada, de um senso de humor agradável e gestual requintado – às vezes um pouco estabanado, para não fugir as origens. De onde sairia a marra e aquele vocabulário específico necessário para esse fim? Não sei. O fato é que cheia de coragem e determinação ela ligou, e para a sua surpresa, atendi o telefone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos rapidamente e deixei para contar tudo quando voltássemos à barraca. Já de volta, com tudo esclarecido, entre boas risadas lamentamos a perda do celular e do relógio de nosso amigo. Agora era hora de voltar. Chegando no carro, descobrimos que o celular dele não havia sido roubado, tinha na verdade caído no banco do carro, sem que ninguém percebesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, o relógio surrupiado...R$35,00 - no camelódromo da rodoviária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tarde como essa, não tem preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4822798033154268434-3839774397178293915?l=panndora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://panndora.blogspot.com/feeds/3839774397178293915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4822798033154268434&amp;postID=3839774397178293915' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4822798033154268434/posts/default/383
